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OLIVENÇA
PORTUGAL LIVRE

Movimento Patriótico

"Crer e Querer para Vencer"

A Polémica da Ponte Nossa Senhora da Ajuda, Alentejo, Portugal

Notícias Sobre o Litígio de Olivença

Segunda, 08 de Dezembro 2003  a  Domingo, 28 de Dezembro 2003

23/Dez/2003

http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=77766&idCanal=91

Espanha - Fórum Olivença oferece prenda
LIVRO PARA LETIZIA

O Fórum Olivença, que luta pela regularização do estatuto daquela vila,
decidiu oferecer uma prenda à noiva do príncipe Felipe, de Espanha. Como
Letizia Ortiz está a estudar a história das famílias reais europeias e dos
países europeus, aquela associação entendeu por bem oferecer um livro sobre
a questão da Olivença.

A obra oferecida é a 'Compilação de Elementos para o Estudo da Questão de
Olivença', da autoria do embaixador Luís Teixeira Sampayo, editada em 2001,
por ocasião do segundo centenário da ocupação de Olivença, com o apoio
financeiro do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Para o Fórum Olivença, a noiva do príncipe Felipe poderá deste modo
conhecer em pormenor um dos problemas que afectam as relações entre
Portugal e Espanha e que constituem um importante motivo de desconfiança.

AUDIÊNCIA NO PALÁCIO

Refira-se que após um período em que se manteve retirada, depois de
anunciado o noivado, Letizia Ortiz reapareceu em público nos últimos dias.
No passado domingo, o príncipe das Astúrias e a noiva visitaram os avós
desta em Sardeu, no Norte de Espanha, e ontem o casal participou em
audições dadas a duas instituições espanholas no Palácio da Zarzuela, na
presença dos reis de Espanha.

*******

23/Dez/2003

http://www.jornaldigital.com/noticias.php/6/108/0/17679/

Prenda de Natal
Fórum Olivença oferece livro à futura Rainha de Espanha

Olivença - O Fórum Olivença decidiu oferecer um livro sobre a «questão de
Olivença»
como prenda de Natal a Letizia Ortiz, noiva do Príncipe das
Astúrias, alegando que a futura Rainha de Espanha está a preparar-se para
as funções oficiais que irá desempenhar.

A obra oferecida é a «Compilação de Elementos para o Estudo da Questão de
Olivença», da autoria do embaixador Luís Teixeira de Sampayo, editada em
2001, no segundo centenário da ocupação de Olivença, com o patrocínio
financeiro do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Desta forma, explica o Fórum Olivença em nota distribuída esta
segunda-feira à imprensa, «a futura Rainha de Espanha poderá conhecer em
pormenor um dos problemas que afecta as relações entre Portugal e Espanha e
que constituiu um dos mais importantes motivos de desconfiança e de
desagrado dos portugueses relativamente ao seu país»
.

******

Fórum Olivença

Informação à Comunicação Social

Prenda de Natal para Letizia Ortiz

Encontrando-se a noiva do Príncipe das Astúrias, Letizia Ortiz, a
preparar-se para as funções oficiais que irá desempenhar, e estando para
esse efeito a estudar a história das famílias reais europeias e dos países
europeus, o Forum Olivença entendeu por bem oferecer-lhe como Prenda de
Natal um livro sobre a Questão de Olivença.

Deste modo, a futura Rainha de Espanha poderá conhecer em pormenor um dos
problemas que afecta as relações entre Portugal e Espanha e que constituiu
um dos mais importantes motivos de desconfiança e de desagrado dos
Portugueses relativamente ao seu país.

A obra oferecida é a "Compilação de Elementos para o Estudo da Questão de
Olivença", da autoria do Embaixador Luís Teixeira de Sampayo, editada em
2001, no segundo centenário da ocupação de Olivença, com o patrocínio
financeiro do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

A Coordenação

Dr. Mário Rodrigues

22/12/2003
Forum Olivença:   Rua Carlos Eugénio, L. 30 - 1.º Esq.º  -  2410 - 043 Leiria
www.olivenca.online.pt
244824848 / 965565877

*******

http://www.portugal-e-espanha.blogspot.com

Segunda-feira, Dezembro 15, 2003

Ocultando a História... 


     Quem visitava, até há pouco tempo, o Museu Etnográfico de Olivença, deparava, surpreendentemente, com um belíssimo painel de azulejos multicolor. Mas mais do que a beleza, era o seu conteúdo que espantava o visitante, que, incrédulo e atónito, estranhava como o seu texto podia estar ali à vista de todos, numa terra ocupada, dizendo ser Olivença “Portugal”...

     Tal painel existia primitivamente no Casal Oliventino, no Estoril, na vivenda de Ventura Ledesma Abrantes, fundador do Grupo dos Amigos de Olivença.

     Depois do falecimento de Ventura Abrantes, com o passar dos anos, a casa ficou abandonada. E foram os próprios oliventinos a irem ao Estoril e a trazerem para a terra natal de Ventura Abrantes aquele maravilhoso conjunto de azulejos, da mais translúcida porcelana.

     O painel esteve no museu vários anos. Em 2001 puseram-lhe uma legenda identificativa. Era uma das peças mais admiradas pelos visitantes e sem dúvida a que mais comovia os portugueses que liam os patrióticos e irredentistas versos em azul cobalto de tão sublime peça.

     Há poucos anos o museu saiu da órbita exclusivamente municipal. E, como outras instituições daquela “estranha” terra, caiu nas mãos dos poderes da Junta de Extremadura e de um consórcio bancário que o administra. Pouco depois, as entradas deixaram de ser gratuitas...

     Há poucas semanas, o painel desapareceu do museu. Nenhum patriota resgatou aquele tesouro português. Nenhum rico coleccionador o mandou roubar. Simplesmente, a Direcção mandou-o retirar...

     A mensagem do painel era incómoda para as autoridades ocupantes. E a memória de Ventura Abrantes é também inconveniente. Por isso, alguém se encarregou de pôr a circular em Olivença o boato de que Ventura Abrantes fugiu da sua “Vila” por ter cometido um qualquer crime cuja natureza se ignora, mas que Nós bem conhecemos. O seu “crime” foi tão simplesmente querer ser português e que a sua terra voltasse à soberania da Mãe-Pátria: Portugal.

     Muitos outros como ele, também, deixaram a terra natal. Emigraram para longe ou passaram para a margem de cá do Guadiana onde, por enquanto, embora não saibamos por quanto tempo, ainda é Portugal!...

 


ESCUTA

NESTE CASAL, VIVE A VENTURA E A ESPERANÇA
DA HISTÓRIA PÁTRIA! NÃO PERTURBES A SUA PAZ!

SE ÉS MEU AMIGO - DEUS TE GUIE!
SE ÉS PORTUGUÊS - DEUS TE GUARDE!
SE ÉS ALENTEJANO - DEUS TE SALVE!
MAS SE ÉS DE OLIVENÇA

ENTRA, MEU IRMÃO - ESTA CASA É SEMPRE TUA!

AQUI VIVE-SE JUNTO AO CÉU
A ALMA ALIMENTA-SE DA IMPONDERÁVEL FÉ!
O CORAÇÃO SONHA E ADORMECE
OLHANDO O MAR...

É A SAUDADE LUSÍADA DO PASSADO!
É O CULTO DA PÁTRIA QUE SÓ DEUS MANTÉM INALTERAVELMENTE!
É PORTUGAL, AQUECENDO O PEITO AO FOGO DOS CÂNTICOS DE CAMÕES!
É O PENSAMENTO MÍSTICO DA ALMA
É A FÉ DO PATRONO... NUN’ÁLVARES!

LAUS DEO

CASAL OLIVENTINO
OLIVENÇA - PORTUGAL


___________________________


Ventura Ledesma Abrantes
(1883-1956)


     Ventura Ledesma Abrantes foi uma daquelas raras figuras de patriota que a uma causa dedicou toda a sua alma, quiçá, a sua própria vida: a recuperação para Portugal da sua Olivença natal.

     Seu pai, barbeiro na Vila de Olivença, era filho de uma portuguesa, natural de Torre das Vargens, que emigrara para Espanha, casando em Barcarrota (Província de Badajoz) e fixando-se mais tarde em Olivença, mas sem nunca abandonar a nostalgia da sua doce terra alentejana.

     É, pois, a avó paterna de Ventura Ledesma que instiga o idealismo irredentista no espírito da família Abrantes.

     Desde muito jovem que Ventura Abrantes se habitua a frequentar as terras alentejanas da raia. Contacta com as suas gentes, nutre amizades.

     Pela sua posição pró-portuguesa os Abrantes são malquistos pelas autoridades oliventinas. Não se fazem esperar represálias e a família toma a decisão de se deslocar definitivamente para Lisboa.

     Uma vez na sua Pátria de eleição, livre dos atropelos e dos vexames a que tinha sido sujeito na sua própria terra, o seu espírito irrequieto e voluntarioso condu-lo à fundação sucessiva de diversas instituições beneméritas, de utilidade pública e social.

     É assim que o seu nome aparece ligado à criação em 1912 da Universidade Livre de Lisboa, obra de Reinaldo Ferreira.

     Segue-se a Lutuosa Nacional com sede no Porto. A ele, entre outros, se deve a abertura em 1931 da primeira Feira do Livro de Lisboa, para o que, certamente, não seria alheio o facto de ele próprio ser o Presidente da Associação da Classe de Livreiros de Portugal (embrião da actual A. P. E. L.).

     Ainda na década de 30 é nomeado representante de Portugal nas Exposições Livreiras de Sevilha, Barcelona e Florença.

     Abre na Rua do Alecrim, 80-82 a Livraria Oliventina e a Casa Editora Ventura Abrantes, estimulando uma das tertúlias mais animadas do cosmopolita Chiado onde pontificavam Teófilo Braga, António Sardinha e Egas Moniz. Edita obras de grande fôlego como o "In Memoriam" de Camilo Castelo Branco, "A Vida e Obra de Júlio Dinis" e a "Vida Sexual" ambos do seu amigo Prof. Doutor Egas Moniz ou o emblemático "Como Perdemos Olivença" do Prof. Doutor Queiroz Veloso entre outras.

     Visto como uma personalidade algo singular, culto e activo, Ventura Abrantes viria ainda a ser admitido na selectiva Sociedade de Geografia de Lisboa, publicando na sua conceituada revista alguns trabalhos científicos sobre Olivença.

     Sob a sua égide é fundada nesta Sociedade a Sub-secção de Estudos Históricos de Olivença. Além de publicista de mérito, colaborou assiduamente em jornais e revistas de Lisboa e Porto muitas vezes sob o pseudónimo de João Coelho.

     Mas, seria, indubitavelmente, a sua paixão pela famigerada "Questão de Olivença" que o levaria à fundação do Grupo dos Amigos de Olivença (15 de Agosto de 1938) juntamente com o então Tenente Humberto Delgado, Amadeu Rodrigues Pires e Francisco de Sousa Lamy.

     A personagem de Ventura Ledesma Abrantes ainda hoje sobrevive no espírito e no ideal do Grupo dos Amigos de Olivença. Figura pitoresca dos meios intelectuais da capital, onde se movia com grande desenvoltura e aceitação, consagrou parte da sua fortuna e da sua actividade de livreiro e editor à divulgação e estudo de Olivença num País que se havia desinteressado ou simplesmente resignado à posse daqueles 750 Km² de território legitimamente seu.

     Para o efeito leccionou, escreveu e fez publicar uma quantidade invulgar de material bibliográfico abordando as mais variadas temáticas oliventinas. Hoje, esses documentos, alguns deles bastante valiosos para o estudo etnográfico e histórico do burgo oliventino, encontram-se raramente nalguma estante de alfarrabista.

     O seu portuguesismo era de tal forma arreigado que, intercedendo junto do Ministro da Justiça de então, Dr. Cavaleiro Ferreira, consegue que seja concedida pelo Estado Português a cidadania portuguesa a todos os Oliventinos que o solicitem, sendo-lhes para isso averbado no respectivo Bilhete de Identidade a menção de "Português de Olivença".

     Ventura Ledesma Abrantes faleceu na sua residência do Estoril, sita na Travessa de Olivença em 12 de Junho de 1956. Tinha 73 anos de idade.

     (Biografia escrita por António Bandeira de Oliveira)

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http://www.linhas.elvas.net/asps/Poll/weekly_poll.asp?
Sondagem

sexta-feira, 2 de Maio de 2003

Acha que Olivença deve voltar a ter Administração Portuguesa?
Sim
  83%
Não
  12%
Sem Opinião
  5%

Total de Votos: 245 (Resultado)

NOTA:
Os resultados apurados não têm qualquer valor científico, não correspondendo a qualquer sondagem ou estudo de opinião. Ilustram apenas a preferência de quem respondeu a este inquérito, cujo resultado final será publicado na próxima edição do LINHAS DE ELVAS.

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http://www.portugal-e-espanha.blogspot.com

Terça-feira, Dezembro 09, 2003

Sobre a anexação de Portugal pela Espanha... 


     Era Dezembro de 1967, dia 9. O Generalíssimo Franco convidara o Presidente da República de Portugal, o Almirante Américo Thomaz, para uma caçada. Na comitiva ia o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Franco Nogueira. Numa conversa com o Capitão-General Agustín Muñoz Grandes - que foi Ministro da Defesa, Chefe da Casa Militar de Francisco Franco, Chefe do Estado Maior, e Vice-Presidente do Governo - Franco Nogueira puxou a conversa do Iberismo. Dos acontecimentos e impressões desse dia e da conversa com Muñoz Grandes, transcrevemos um excerto do diário do falecido M.N.E. português, publicado sob o título "Um Político Confessa-se". O relato fala por si. Dispensa mais comentários...

 

     



Algures em Espanha, 9 de Dezembro - Clandestinamente, passo três dias em Espanha, na campina entre a Estremadura e Castela-a-Velha. Vim acompanhar o Presidente da República a uma caçada para que foi convidado por Franco. Caçada, como caçada, foi uma beleza e decorreu em maravilha. Mortas 968 perdizes, três lebres, uma raposa. Por mim, nunca havia dado um tiro. Mas havia-me sido preparada uma «porta», duas espingardas, dois «secretários». Afirmou-me o almirante Thomaz, com gravidade, que o protocolo e o dever da função me obrigavam a caçar, ou pelo menos a dar tiros, ou no mínimo a empunhar a espingarda e puxar o gatilho. Curvei-me submisso ao cumprimento do dever. Pois bem: dei cem tiros, atingi dez perdizes distraídas e matei lebre e meia. (Uma das duas ficou apenas ferida e foi preciso que um dos secretários lhe despedisse um tiro certeiro para o animal não sofrer mais.) E ao cair da tarde todo o meu ombro direito era uma nódoa negra medonha. Dos caçadores encartados, o melhor foi o genro do Caudilho, com cento e muitas perdizes; logo a seguir graduou-se o almirante Thomaz, com cento e duas; e depois o próprio Franco, com noventa e tantas. Foi de capricho a organização da caçada, com batedores, homens tocando buzinas misteriosas, almoços em campo aberto - e tudo com a fidalguia e a galhardia espanholas. Não aparto os meus olhos de Franco todo o tempo. Está homem diferente: gasto, exausto, findo. Mas lúcido: ausente e alheio a uma conversa, pronuncia de súbito um comentário que revela estar apreendendo tudo com nitidez. Não toma iniciativa de qualquer diálogo; não pega em assunto que se lhe lance, salvo se muito apertado, e então reage por um monossílabo ou curta exclamação; recusa-se a qualquer tema que fatigue ou o obrigue a definir-se com responsabilidade; e além da caça, da pesca, de uma breve anedota, nada mais o ocupa. Fiquei às refeições sempre à sua direita: e vezes e vezes tentei abrir uma conversa: foi sempre barro à parede. Depois de jantar, na sala grande do pavilhão de caça, onde passámos as noites, sentava-se numa poltrona, e todos em torno: assistia o caudilho à tagarelice ruidosa e viva: mas não participava. No campo, durante a caçada, e uma vez terminada a batida, vinha para o grupo, muito hirto, apoiando-se à sua bengala de ponteira de ferro, e ficava em silêncio, a encarar o grupo, de olhar vago num horizonte perdido, imóvel, sem um passo, sem um gesto, como se tudo lhe fosse olimpicamente indiferente. Reuniam-se as peças das várias portas e dos vários caçadores, contavam-se, trocavam-se chistes e histórias de peripécias, vangloriando-se cada um da sua arte, andavam os «secretários» em torno a formar com as perdizes mortas conjuntos simétricos de duas por filas de dez - e Franco observava, sempre distante, muito perfilado, de lábios entreabertos, de vez em quando tremendo-lhe a mão direita sobre a bengala. Aproximei-me duas ou três vezes do caudilho, e perguntei-lhe: «Excelência, quantas perdizes abateu?» De uma ocasião, respondeu-me: «Pouquito». De outra: «Trinta». E foi tudo. Até hoje, foi este o meu quarto ou quinto encontro com Franco. É outro homem, para além de toda a dúvida; mas ainda permanece lúcido. Por quanto tempo? Muñoz-Grandes, o velho capitão-general, que se abre muito comigo, murmurava-me em confidência: «o grave é que Franco não tenha menos vinte anos. O mesmo aliás se passa com vocês quanto a Salazar». E Muñoz-Grandes, falando de Espanha, disse-me que as suas três grandes preocupações eram: a universidade, tanto professores como alunos; a Igreja, cujo progressismo era factor dissolvente e subversivo; e a ideia de Franco de querer restaurar a monarquia. «A maioria, a grande maioria do povo espanhol não é monárquica, não quer a monarquia», afirma-me Muñoz-Grandes, «e se se procura impor-lha, sucederá uma catástrofe». E apontando para Franco, que no momento entrava no outro extremo da sala, acrescentou: «Franco quer a monarquia, mas como percebeu os sentimentos do pais, ainda não ousou proclamá-la, e não sabe o que há-de fazer. Não sei o que vai suceder, e isto atormenta-me e sinto-me desgostoso». Depois, faço escorregar a conversa para o iberismo, para a obsessão constante da Espanha, através de séculos e séculos, em anexar Portugal, e que pressinto hoje tão viva como sempre. Muñoz-Grandes, pessoalmente um amigo e homem íntegro, reconhece que é assim. Comenta com óbvia franqueza: «Eu lhe digo. Há, em relação a Portugal, duas classes de espanhóis. Há os que querem a integração, a anexação, o desaparecimento político de Portugal, e isso quase imediatamente, e por quaisquer meios que forem necessários. E há os que desejam o mesmo objectivo, mas a conseguir gradualmente, em cinquenta ou setenta anos. Os primeiros são cerca de 90%, os segundos formam os restantes 10%. Isto faz parte da alma espanhola, não vejo como modificá-lo». E o capitão-general acrescenta muito seriamente, e com óbvia sinceridade, carregando no peito com a mão direita espalmada: «Acredite, eu faço parte dos dez por cento, não quero violências, tudo em amizade». Digo ao velho oficial que não duvido da sua franqueza sincera; mas peço-lhe que acredite também que o povo português não quer a união ibérica nem em cinquenta anos, nem em setenta, nem jamais. «É uma pena», remata o capitão-general com semblante sucumbido. Muñoz-Grandes tem o ar abatido, cansado, esgotado, moralmente vencido: um homem que chega ao termo de uma vida de luta e que se vê esmagado de frustrações e desgostos, traído por outros homens, decepcionado pelas instituições que ajudara a criar, abandonado pelas ideias por que combatera até com risco de vida. No grupo da caçada, e além de Franco e Muñoz-Grandes, estão do lado espanhol Camilo Alonso, ministro do Interior, alegre e pitoresco; Soliz, ministro do trabalho, pedante e cheio de si; o marquês de Villaverde, médico e genríssimo do generalíssimo; outros personagens e alguns oficiais das Forças Armadas espanholas. Com a segurança de Franco e dos convidados, a obsessão era por de mais patente.
Nota expressiva na longa fila de jeeps ao serviço dos caçadores, havia um jeep especial para as vestes do generalíssimo, outro para as espingardas do generalíssimo, outro para os cães do generalíssimo Que se diria se isto se passasse em Portugal?

*******

Dez/2003

Desconhecido episódio acerca de Olivença - livro de Freitas do Amaral,
intitulado "Ao correr da memória", página 27:

Olivença

Segundo contou a vários colegas da Faculdade de Direito de Lisboa o Prof.
Costa Leite (Lumbrales) - ministro, amigo e confidente de Salazar durante
décadas - o chefe do Governo português terá feito uma séria diligência junto
do General Franco, durante a Guerra Civil espanhola, no sentido de recuperar
Olivença para Portugal.

O acordo a que terão chegado foi este : na fase em que as forças
nacionalistas de Franco estivessem a tomar a Andaluzia, progredindo de Sul
para Norte, avisariam as nossas autoridades três dias antes de chegarem a
Olivença ; por seu lado, o Exército português andaria nessa altura a fazer
«manobras de treino» na zona de Elvas-Juromenha ; recebido o pré-aviso dos
três dias, os militares portugueses ocupariam pacificamente Olivença e aí
içariam a bandeira nacional ; quando as tropas de Franco chegassem a
Olivença receberiam ordem para passar ao largo e subir directamente para
Badajoz ; finda a guerra, os dois governos legitimariam por tratados a
devolução de Olivença a Portugal.

Salazar ficou radiante com este acordo.
O nosso Exército começou, no momento devido, as suas manobras na zona. E, a
dada altura, lá chegou o pré-aviso combinado : «devemos chegar a Olivença
dentro de três dias».
Salazar mandou avançar as tropas portuguesas, com ordem de tomar Olivença
antes que lá chegassem as forças franquistas.
Só que Franco, não querendo ceder uma polegada do que julgava ser o seu
território nacional, roeu a corda e, acelerando a marcha do seu exército,
ocupou Olivença na véspera da data da entrada dos portugueses.
Olivença continuou integrada em Espanha.


(Jorge Patricio): "Como se vê, até o amigo Franco era incapaz de respeitar um acordo com Salazar.
Antes que uma história idêntica se observe com Durão Barroso e José Maria
Aznar, talvez não fosse má ideia o GAO fazer chegar a Durão Barroso um
exemplar do livro de Freitas do Amaral, com uma marca na página 27 e uma
pequena nota : vê lá se não és burro..."
 

*******

Mais artigos recolhidos da Imprensa Internacional sobre a Questão de Olivença - infelizmente a maioria demonstra uma cópia do conteúdo deturpado,  e até falso, da imprensa espanhola que anda longe da verdade e dos factos históricos.

(Polónia, Dez/2003):http://ww2.tvp.pl/tvppl/132,2003110868180.strona 

*

http://www.clari.net/

Long-standing border dispute between Portugal and Spain kept aflame
Sunday, 16-Nov-2003 5:50AM PST      Story from AFP / Levi Fernandes
Copyright 2003 by Agence France-Presse (via ClariNet)

LISBON, Nov 16 (AFP) - As Spanish and Portuguese leaders arrived at a
seaside resort in central Portugal last weekend for their annual summit, a
handful of protestors unfurled a banner demanding Madrid return a disputed
town to Portuguese rule.

"Olivenca is Portugal," the green-and-white banner read.

"Just like Spain claims Gibraltar, we should not fear claiming Olivenca,"
said Eduardo Pereira, a leading member of Friends of Olivenca, one of three
Portuguese organisations dedicated to winning back the territory.

"This should not jeoporadize our good relations."

Spain took the white-washed town of Olivenca -- Olivenza in Spanish -- as
well as 750 square kilometres (300 square miles) of rolling countryside
around it, in 1801 at a time of Portuguese weakness.

But Portuguese campaigners point out that Madrid agreed to return the
territory to Lisbon in a treaty it signed 16 years later, yet has never
honoured.

Spanish control of Olivenca has never been recognised by Portugal, making
it one of the last disputed frontiers in western Europe.

In Portuguese official maps the border is unmarked in the disputed region
around Olivenca, located some 170 kilometres (105 miles) southeast of Lisbon.

But while Lisbon has not recognised Madrid's rule of the area it has at the
same time refused to bring up the issue with Spanish officials, although
some top officials have publicly backed the campaigners.

"I do not support the cause. But I am sympathetic to it," Pedro Santana
Lopes, the mayor of Lisbon and the vice-president of the ruling
centre-right Social Democratic party said in February.

The border dispute flared up in September after the CIA briefly referred to
it for the first time in its online World Factbook listing for Portugal,
prompting an angry reaction in the Spanish press, which usually ignores the
issue.

The furore led then Portuguese Foreign Minister Minister Antonio Martins da
Cruz to make a rare government statement on the question of Olivenca.

"We have to be careful with the causes we adopt," he said. "But we have a
problem which we must resolve."

Spanish authorities downplay the issue.

"All neighbouring countries have problems of this sort," a spokesman for
the Spanish embassy in Lisbon told AFP. "All we can say is Portugal has
never officially claimed the territory of Olivenza."

The regional president of Extremadura province, where Olivenca lies, once
dismissed campaigns to return the territory to Portugal as "the work of a
handful of lunatics."

While the three organisations which campaign for the return of Olivenca
together count less than 2,000 members, the issue is nonetheless regularly
raised in opinion articles in Portugal.

No columnist suggests Olivenca is a major problem between the two
countries, fierce rivals during colonial times, however the dispute is
often used to illustrate the risks of Spanish domination of Portugal.

Portugal, which was ruled by Spain for a 60-year period that ended in 1640,
is sensitive to questions relating to its national sovereignty.

The anniversary of its liberation from Spanish rule is still celebrated as
a national holiday each year.

The country has traditionally been wary of its neighbour, whose land mass
and gross domestic product is five times greater.

Campaigners for the return of Olivenca like to point out that the disputed
territory is larger than 21 independent countries, including Singapore and
Bahrain.

When questioned, the 11,000 residents of Olivenca say they have no desire
to return to Portuguese sovereigny.

But campaigners for the return of the town to Portuguese rule argue that
most of the inhabitants of Olivenca are Spanish colonists planted there
over the past two centuries and their views are irrelevant.

"This is a question of justice," said Pereira.

lf/ds/pvh

Portugal-Spain-border

http://www.olivenca.online.pt/

Mais Artigos:

(Noruega, Out/2003):http://www.nrk.no/programmer/radio/her___na/3158075.html

*

(Alemanha, Out/2003):http://www.spanien-anzeiger.com/sportnachrichten_spanien.php

*

(Marrocos - versao em castelhano do BoInter, Out/2003):http://www.la-moncloa.es/web/docs/bolinter/2003/PDF/bi201003.pd

 *******                                                               

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