
AS HESITAÇÕES DA C.I.A.
Tudo começou em 2003. A instituição
norte-americana C.I.A. publica,
desde
há muito, uma espécie de relatório
anual, o "The World Factbook", agora
na
"Internet". Esse relatório,
actualizado anualmente, contém dados
de todo o
tipo sobre todos os países e
territórios do mundo. Como
estatística. Não se
trata de uma selecção com intuitos
políticos, ainda que, como sabemos,
nada
seja neutro neste mundo.
No que toca a disputas territoriais,
eram assinaladas mais de 160,
incluindo discordâncias fronteiriças
entre o México e os próprios Estados
Unidos. O que era novidade era a
inclusão de mais uma disputa. De
facto,
lia-se, no que a Portugal dizia
respeito: "Portugal tem
periodicamente
reafirmado reivindicações sobre os
territórios em redor da cidade de
Olivença (Espanha)".
Claro que, no que a Espanha se
referia, também era assinalada a
disputa:"Os
habitantes de Gibraltar votaram
esmagadoramente em referendo contra
o
"acordo de total partilha de
soberania" discutido entre a Espanha
e o Reino
Unido para mudar trezentos anos de
governo da colónia; Marrocos
protesta
contra o controle espanhol sobre os
enclaves costeiros de Ceuta, Melilla,
o
Peñon de Velez de la Gomera, as
ilhas de Peñon de Alhucemas, as
ilhas
Chafarinas e as águas circundantes;
Marrocos rejeita também o traçado
unilateral de uma linha média a
partir das Canárias em 2002 para
estabelecer limites à exploração de
recursos marinhos e interdição de
refugiados; Marrocos aceitou que os
pescadores espanhóis pescassem
temporariamente na costa do Sahará
Ocidental, depois de um derrame de
crude
ter sujado bancos de pesca espanhóis;
Portugal tem periodicamente
reafirmado reivindicações sobre os
territórios em redor da cidade de
Olivenza (Espanha)".
A disputa de Olivença surgia, pois,
naturalmente, entre outras
reivindicações ibéricas e mais de
uma centena e meia de outras por
todo o
mundo.
As reacções em Espanha, todavia,
excederam o compreensível. Vários
jornais noticiaram que a C.I.A.
comparava Olivença a Caxemira e a
Gaza, e
davam a entender que a C.I.A. via
movimentos terroristas (?) na Terra
das
Oliveiras. Chegou-se ao cúmulo de se
fazerem entrevistas com autoridades
locais, que troçaram da estupidez da
C.I.A. e desafiaram os seus agentes
a
procurar terroristas por aqueles
lados. Nenhum, mas nenhum mesmo,
jornal ou
revista espanhóis publicou o texto
original da C.I.A.! E isto apesar de
todos terem recebido, repetidas
vezes, o mesmo, em inglês,
castelhano,
português, e catalão !
O mais bizarro sucederia no ano
seguinte. A C.I.A. reformulou o seu
relatório, e, no que toca a
Olivença, 2004 viu surgir a
espantosa afirmação
de que "alguns grupos portugueses
mantêm reivindicações adormecidas
sobre
os territórios cedidos a Espanha em
redor da Cidade de Olivenza".
Note-se
que este discurso é, quase palavra
por palavra, o discurso "oficial"
espanhol sobre este contencioso.
Era possível, todavia, fazer pior.
Em 2005, desaparecia do relatório da
C.I.A. qualquer referência a
Olivença. Portugal, no que toca a
disputas/reivindicações
internacionais, surgia classificado
com um "none"
(isto é, "nenhuma"; uma só palavra...talvez
para poupar espaço...
A bizarria ia mais longe. Um
pequeno mapa de Espanha acompanhava
o texto
sobre este país. Pela primeira vez,
Olivença surgia nele. Ao lado de
cidades como Córdova, Sevilha,
Granada, Madrid (naturalmente),
Valladolid,
e outras, todas capitais de
províncias, não o sendo a cidade em
litígio.
Duma forma afinal cómica, o Mapa não
mostrava cidades como Badajoz,
Cáceres, Mérida, Salamanca, ou
Pamplona. Era evidente que "Olivenza"
fora
incluída, digamos, "à força".
O que causa espanto e indignação
neste caso é a facilidade com que a
C.I.A., tida como a mais poderosa e
"sabedora" organização de
informações
do mundo, antes decerto de se
informar, por exemplo, junto do
Governo
Português, se foi aparentemente
deixando "seduzir" por pontos de
vista
espanhóis.
Felizmente, em 2006, a situação foi
recolocada em termos, em geral,
correctos. Decerto "alguém" do
Estado Português, verificando o erro,
se deu
ao trabalho de informar a C.I.A. de
que Portugal mantém mesmo reservas
sobre a soberania espanhola em
Olivença. Recorde-se que esta
questão ganhou
nova importância com o Alqueva,
dados os problemas ligados à posse
das
águas no Guadiana.
Assim, desde Maio de 2006*, pode-se
ler na "CIA Homepage", sobre
Portugal,
no que toca a disputas
internacionais, o seguinte:
"Portugal não reconhece
a soberania espanhola sobre o
território de Olivença com base numa
diferença de interpretação do
Congresso de Viena de 1815 e do
Tratado de
Badajoz de 1801." No que a Espanha
diz respeito, pode ler-se : "em
2003, os
habitantes de Gibraltar votaram
esmagadoramente, por referendo, a
favor de
permanecerem como colónia britânica,
e contra uma solução de "partilha
total de soberania", exigindo também
participação em conversações entre o
Reino Unido e a Espanha. A Espanha
desaprova os planos do Reino Unido
no
sentido de dar maior autonomia a
Gibraltar; Marrocos contesta o
domínio da
Espanha sobre os enclaves costeiros
de Ceuta, Melilla, e sobre as ilhas
Peñon de Velez de la Gomera, Peñon
de Alhucemas e Ilhas Chafarinas, e
as
águas adjacentes; Marrocos funciona
como a mais importante base de
migração
ilegal do Norte de África com
destino a Espanha; Portugal não
reconhece a
soberania espanhola sobre o
território de Olivença com base numa
diferença
de interpretação do Congresso de
Viena de 1815 e do Tratado de
Badajoz de
1801."
A ver vamos se esta "versão", que é
razoavelmente correcta, se mantém, e
se
o Estado Português estará atento a
novas "alterações".
Na verdade, o conflito (pacífico)
fica circunscrito às suas
verdadeiras
dimensões: um entre outros da
Península Ibérica, e entre mais de
centena e
meia de outros por esse mundo fora,
que os interessados deverão resolver
quando surgir ocasião. Como deve ser
sempre.
O que, afinal, já tinha sido escrito
em 2003.
Estremoz, 28-Maio-2006
Carlos Eduardo da Cruz Luna
*Já
lá está pelo menos desde Março! De
qualquer maneira é uma notícia
positiva.
www.noticiasolivencaabr2006.htm

"TERRAS BRANCAS", Borba, 25-Maio-2006
VINTE DE MAIO NA
HISTÓRIA DE PORTUGAL
Vinte de Maio. Uma
data marcante na História de
Portugal.
Vinte de Maio de mil oitocentos e
um. Um governador militar, perante
um ataque iminente, decide capitular.
Afinal, o invasor mais não é que um
peão manobrado por uma potência
exterior. Lutar para quê ?
Vinte de Maio de mil oitocentos e
um. Espera-se que, tal como sucedeu
em situações anteriores, tudo volte
a ser como antes quando uma
verdadeira paz for assinada. O
invasor sairá então.
Vinte de Maio de mil oitocentos e
um. Olivença capitula, sem disparar
um tiro. A população inquieta-se,
mas confia. Com o tempo, tudo
regressará ao normal.
Muitos anos antes, em mil seiscentos
e cinquenta e sete, ocorrera algo
idêntico. Quase todos tinham fugido,
para regressar onze anos depois.
Tudo se recompusera.
Vinte de Maio de mil oitocentos e
um.
Não houve sangue. Uns poucos (os
pessimistas!) atravessaram o
Guadiana. Em Elvas, o invasor
encontraria resistência, bem como
em Campo Maior. Na primeira,
conseguiu uns ramos de laranjeira.
Na segunda, acabou por vencer, mas a
que preço!!!
E veio uma paz falsa e logo violada.
E outras guerras. E uma paz
verdadeira, em que se apagou o vinte
de Maio de mil oitocentos e um. Para
todos. Mas não para o invasor. .
Vinte de Maio de dois mil e dois.
Nasce uma nova nação. Gerada no
sofrimento. Combatendo a indiferença.
Com sangue, muito sangue.
Vinte de Maio de dois mil e dois.
Esta data ficará na História. Vinte
sete anos depois do seu acto
ilegítimo de ocupação, a Indonésia
vê surgir nas suas fronteiras um
novo país ao qual quis negar a
liberdade, apoiada por um grande
deste mundo, em nome da estabilidade
do seu próprio regime. Como se se
pudessem invadir vizinhos só porque
o sistema político não agrada. Não
há lei que tal contemple. As
instâncias internacionais nunca
aceitarão a legalidade da acção.
Em vinte de Maio de dois mil e seis,
recordemos esta lição. Portugal não
pode esquecer o heroísmo de todo um
povo, e pode orgulhar-se de o ter
ajudado de forma decisiva. Portugal
combateu uma situação de violação do
Direito Internacional. Sem
desfalecimento. Contra (quase)tudo e
(quase) todos. Independentemente do
peso dos adversários. Apenas porque
acreditou que era justo fazê-lo.
Vinte de Maio de dois mil e seis em
Olivença. Madrid mantem a posse da
cidade. Ali, ao contrário de Timor,
não houve duzentos mil mortos.Nem
mil. Nem cem. Nesse aspecto, não
pode haver comparações. Mas matou-se
uma cultura. Ou, pelo menos, ela
ficou vazia, moribunda. Em duzentos
e cinco anos, muito se consegue.
Recorrendo à repressão, quando
necessário. Às claras, ou
discretamente.
Olivença viu ser sangrada a sua
cultura e a sua história. Viu gente
sua dispersa, numa sangria dos seus
filhos. Não morreu na carne. Morreu
no espírito. O passado tornou-se um
conjunto de sombras vagas,
contraditórias, falsidades contra as
quais quase não consegue reagir.
Perdeu as referências.
Vinte de Maio. Uma data no
calendário. Consoante o ano, o
início de uma ocupação persistente,
contínua, preocupada em apagar um
passado de seiscentos anos, numa
população que resistiu com fracos
recursos e apoios. Ou o início da
vida independente de um povo. Que
sofreu, mas venceu. Que a diplomacia
nunca abandonou. Corajosamente.
Crente em princípios.
Mil oitocentos e um. Dois mil e
dois.Dois mil e seis, recordando.
Dois vinte de Maio...
Estremoz, 20 de Maio de 2006
Carlos Eduardo da Cruz Luna
Prof. História
20/Maio/2006
Grupo dos Amigos de Olivença
www.olivenca.org
Divulgação 06-2006
205.º Aniversário da
Ocupação de Olivença
Recordando ao representante do
país vizinho a desonrosa ocupação de
Olivença, o GAO entregou hoje na
Embaixada de Espanha em Lisboa uma
carta
em que diz:
___
Excelentíssimo Senhor
Embaixador do Reino de Espanha
No dia 20 de Maio de 1801, há
exactamente 205 anos, os exércitos
de
Espanha, conluiada com a França
napoleónica, invadiram Portugal e
ocuparam
a vila portuguesa de Olivença.
Manifesta ofensa ao Direito das
Gentes, assim foi entendido pelas
Potências
de então que, no Congresso de Viena
de 1815, onde Espanha também teve
assento, reconheceram absolutamente
a justiça das reclamações de
Portugal
sobre Olivença.
Por isso ficou consignado no Tratado
de Viena, seu Art.º 105.º.
«Les Puissances, reconnaissant la
justice des réclamations formées par
S.
A. R. le prince régent de Portugal e
du Brésil, sur la ville d'Olivenza
et
les autres territoires cédés à
Espagne par le traité de Badajoz de
1801, et
envisageant la restitution de ces
objets, comme une des mesures
propres à
assurer entre les deux royaumes de
la péninsule, cette bonne harmonie
complète et stable dont la
conservation dans toutes les parties
de l'Europe
a été le but constant de leurs
arrangements, s'engagent
formellement à
employer dans les voies de
conciliation leurs efforts les plus
efficaces,
afin que la rétrocession desdits
territoires en faveur du Portugal
soi
effectuée; et les puissances
reconnaissent, autant qu'il dépend
de chacune
d'elles, que cet arrangement doit
avoir lieu au plus tôt».
Como melhor saberá Vossa Excelência,
em 7 de Maio de 1817, há 189 anos,
Espanha assinou o Tratado de Viena e
reconheceu sem reservas os direitos
de
Portugal.
Decorridos dois séculos sobre a
desonrosa ocupação de Olivença, o
Estado
que Vossa Excelência representa
jamais respeitou o compromisso
assumido
perante a Comunidade Internacional.
Do carácter honrado, altivo e nobre
que
Espanha diz ser o seu, não houve
manifestação e, ao contrário,
actuando com
ostensivo desprezo pelo Direito e
pela palavra dada, Espanha cobriu-se
com
o labéu da vilania.
Eis, singela, a «Questão de
Olivença»: uma parcela de Portugal
foi usurpada
militarmente pelo Estado espanhol,
há 205 anos, extorsão não
reconhecida e
ilegítima face ao Direito
Internacional.
Não obedecendo ao Direito nem
respeitando os seus compromissos, é
Espanha,
de que Vossa Excelência é Embaixador,
que se desonra.
Quanto à ofensa que a ocupação de
Olivença constitui para Portugal,
compete
aos Portugueses apreciá-la e julgá-la.
Da ofensa feita à Justiça e ao
Direito, bem como da desonra trazida
pela
quebra da palavra dada, pertence a
Espanha e a Vossa Excelência
conhecer do
seu significado.
Atentamente,
A Direcção do Grupo dos Amigos de
Olivença
Lisboa, 20 de Maio de 2006.
_______
Lisboa, 20-Maio-2006.
SI/GAO
Rua Portas Santo Antão, 58 (Casa do
Alentejo) - 1150-268 Lisboa
www.olivenca.org
mailto:amigos_de_olivenca@bigfoot.pt
olivenca@olivenca.org
mailto:olivenca@olivenca.org

(Foto de Arquivo)
Grupo dos Amigos de Olivença
www.olivenca.org
Divulgação 05-2006
100.º Aniversário do
nascimento do General Humberto
Delgado
Na passagem do 100.º Aniversário do
nascimento do General Humberto
Delgado,
o Grupo dos Amigos de Olivença
presta sentida Homenagem ao Lutador
pela
Causa da Olivença Portuguesa e seu
antigo Dirigente.
Defensor apaixonado das causas em
que acreditava, o General Humberto
Delgado desde cedo manifestou a mais
ardorosa determinação na sustentação
dos Direitos de Portugal e
desenvolveu esforços para alcançar a
retrocessão
de Olivença.
Quando apresentou a sua candidatura
à Presidência da República, em 1958,
era Presidente da Assembleia Geral
do Grupo dos Amigos de Olivença.
Combatente da Liberdade e da Justiça,
ao General Humberto Delgado não
podia
passar silenciado o drama histórico
que a ocupação estrangeira de
Olivença
significava.
O seu amor à Velha Terra Portuguesa
de Olivença foi das grandes
motivações
a que não regateou esforços.
Honrando a memória do General
Humberto Delgado, lutemos nós,
Portugueses de
hoje, tal como ele o fez, pela
Olivença Portuguesa!
Essa é a Homenagem que lhe devemos.
Lx., 20-05-06.
A Direcção
__________________________________
Rua Portas Santo Antão, 58 (Casa do
Alentejo) - 1150-268 Lisboa - Tlm.
967
431 769 - Fax. 212 590 577
www.olivenca.org <mailto:amigos_de_olivenca@bigfoot.pt>
-
olivenca@olivenca.org <mailto:olivenca@olivenca.org>
205.º ANIVERSÁRIO DA OCUPAÇÃO DE OLIVENÇA

Grupo dos Amigos de Olivença
No dia 20 de Maio de 2006, passam
205 anos sobre a usurpação da Praça
portuguesa de Olivença pelos
exércitos de Godoy.
Recordando a data e o seu
significado, o GAO leva a efeito
nesse dia, em
Lisboa, um conjunto de iniciativas,
de que destacamos:
- 11:00 horas, Missa na Igreja de S.
Domingos, em memória dos oliventinos
e
de todos portugueses que se
destacaram na defesa da Causa de
Olivença
Portuguesa.
- 13:00 horas, Almoço num
restaurante da Baixa.
- 16:00 horas, entrega de uma Carta
na Embaixada de Espanha (no
Consulado,
Av.ª da Liberdade).
Convidam-se todos os Amigos de
Olivença, todos os Portugueses, a
comparecer
e dar o seu apoio!
Contamos com a presença e
participação de todos!
Lx., 07-05-2006.
SI/GAO
![]()
OLIVENÇA NO
CONGRESSO DO CDS-PP
Nuno Melo em
defesa de Portas
2006/05/06
No seu discurso no congresso lembrou
a importância do ex-líder Paulo
Portas para o partido
MAIS:
«Não fiques se não tiveres
condições»
CDS-PP: «Não tenhais medo!»
O presidente do grupo parlamentar do
CDS-PP, Nuno Melo, fez um discurso
no congresso extraordinário da
Batalha em defesa da bancada
democrata-cristã e da importância do
ex-líder Paulo Portas para o partido.
Na sua intervenção no pavilhão da
Exposalão, na Batalha, em Leiria,
Nuno Melo subscreveu ainda as
críticas feitas pelo deputado Telmo
Correia ao ministro das Obras
Públicas, Mário Lino, por se ter
declarado «um iberista confesso» e
defendeu que OLIVENÇA deve ser
portuguesa.
Nuno Melo começou o seu discurso
lamentando que o presidente do
CDS-PP, José Ribeiro e Castro, não
tenha falado «do grupo parlamentar»
na sua intervenção no XXI congresso
do partido, o que considerou «uma
falha», e terminou assegurando: «não
nos vai calar».
«Já ouvi Maria José Nogueira Pinto
elogiar o grupo parlamentar em
privado. Tenho pena que não o tenha
feito aqui. Todos os dias damos a
cara pelo CDS. Eu sou leal. O grupo
parlamentar tem sido leal e
institucional», acrescentou,
referindo-se à oradora que o
antecedeu.
Nuno Melo referiu-se depois à
expressão «tralha portista»,
utilizada pelo ex-deputado Narana
Coissoró na sexta-feira, que
aproveitou para criticar os que «durante
sete anos aplaudiram o dr. Paulo
Portas», como Ribeiro e Castro, e
agora o desvalorizam.
Como Telmo Correia, Nuno Melo
lamentou a alusão feita pelo
presidente do CDS-PP a Paulo Portas,
ausente do congresso da Batalha,
quando afirmou, no seu discurso
perante o congresso, que nunca o
viram «andar ao colo com a Nossa
Senhora de Fátima ou citar um Papa
que fosse».
«Há quem defenda que o dr. Paulo
Portas devia demitir-se do grupo
parlamentar. Como se este partido
pudesse prescindir do dr. Paulo
Portas. Faz-nos muita falta. Quem
prescinde do dr. Paulo Portas não
quer o bem do partido», declarou
Nuno Melo, sob aplausos.
O líder parlamentar do CDS-PP
enalteceu o trabalho dos deputados
do partido, apontando o número de
requerimentos ou de agendamentos e
insistindo que a bancada tem «100
por cento de lealdade e de
envolvimento» com todas as direcções.
Segundo Nuno Melo, os comentadores
dizem que o grupo parlamentar do
CDS-PP «ganha debates no Parlamento»,
«as pessoas conhecem os deputados
pelo nome» e Ribeiro e Castro «não
percebe como fragiliza o partido» ao
criticá-los.
O líder da bancada democrata-cristã
fez ainda questão de elogiar o ex-deputado
e presidente da Juventude Popular
(JP), João Almeida, que apresentou
uma moção o congresso.
«És um deputado, és um dos nossos, e
falaste com muito orgulho nosso»,
declarou. Fonte: Carlos Luna

O ministro «iberista»
EXPRESSO, 06-05-06. Fernando
Madrinha
(Frase em destaque:"O cidadão Mário Lino pode ter as opiniões que entenda; o ministro, nem todas.")
COMECEMOS por reproduzir a
declaração, tal qual veio publicada
no dia 24 de Abril pelo jornal
«Faro de Vigo» «Sou um iberista
confesso. Temos uma história comum e
uma língua comum. Há unidade
histórica e cultural e a Ibéria é
uma realidade que persegue tanto o
Governo espanhol como o
português. Se há algo importante
para estas relações são as infra-estruturas
de transporte».
Estas considerações foram feitas em
Santiago de Compostela, Galiza,
Espanha, por um cidadão
português que, por acaso, é também
ministro.Aliás, falava nesta
qualidade, perante uma
audiência composta por 150 quadros
galegos da Caixa Geral de Depósitos
e do Banco Simeón.
Chama-se Mário Lino e tem, no
Executivo português, a pasta das
Obras Públicas, Transportes e
Comunicações.
Não houve até agora desmentido
nem correcção que pusessem
verdadeiramente em causa a
declaração
reproduzida, pelo que não há também
motivo para se questionar a
fiabilidade do jornal. Lino pensa
o que diz. E di-lo, aliás, em termos
que não deixam margem para segundas
leituras, apesar de,
em declarações ao «Independente»,
ter informado ontem que falava do «iberismo»
aplicado à sua
área específica. Ora, não se vê o
que possam ter a ver com estradas,
pontes ou comboios de alta
velocidade a suposta «unidade
história e cultural», ou com a «história
e a língua comuns»
que o ministro certamente inventou
para sublinhar melhor o seu fervor
iberista. Mesmo falseando a
realidade histórica e factual que
todos os portugueses conhecem.
Não é concebível nem aceitável
que um ministro português ignore o
conceito a que corresponde a
palavra «iberismo» no discurso
político. E por isso não é
concebível nem aceitável que a use
com
a displicência e ligeireza com que o
fez. O insólito da situação, para
não dizer o caricato,
é tal que o próprio «Faro de Vigo» a
estranha, observando que, «enquanto
a Espanha é sacudida
pelos debates sobre os estatutos
autonómicos e sobre se o Estado se
desmembra e se rompe como
nação», vem o ministro português
confessar-se «iberista» e convencido
de que Espanha e Portugal
«têm pela frente um futuro em comum».
Quer dizer, enquanto as regiões e os
povos de Espanha querem
mais autonomia e algumas batalham
pela independência, há no Governo do
único país da
Península que resistiu durante oito
séculos e meio à força hegemónica de
Castela, alguém que se
declara defensor de uma unificação
ibérica.
O cidadão Mário Lino (Mário Lino
Soares Correia) pode ter as opiniões
que bem entenda, mesmo as mais
bizarras. O ministro português das
Obras Públicas, Transportes e
Comunicações, esse devia ter
esclarecido o país
sobre essas convicções pessoais
antes de aceitar o cargo. E o facto
de administrar as Obras
Públicas não desvaloriza nem
desagrava o seu lastimável discurso.
Desde logo porque um
ministro é sempre um político e como
tal tem de raciocinar e intervir.
Depois, não pode subsistir
a menor dúvida de que as suas opções
estratégicas - um aeroporto na Ota e
este ou aquele traçado do
TGV, por exemplo - são tomadas em
função de princípios ou convicções
que não correspondem
minimamente às da generalidade dos
portugueses, nem a qualquer doutrina
do Estado ou orientação de Governo.
Ninguém pode surpreender-se
quando o primeiro-ministro, falando
de economia e das
prioridades do Governo, responde «Espanha,
Espanha, Espanha». É uma evidência
para toda a
gente que as relações com a Espanha
se impõem e devem ser incentivadas
no que sejam mutuamente
vantajosas. Outra coisa é o discurso
político do Governo ficar
contaminado pelas esdrúxulas
convicções pessoais de um dos seus
ministros.A menos que Mário Lino
fale uma língua diferente,
ou as palavras já não sirvam para
nada, alguém que se proclama «iberista
confesso» não deve
integrar o Governo de um país cuja
soberania foi conquistada
precisamente contra as teses
iberistas, com este ou com outro
nome. Se não esclarecer o mal-entendido
- admitindo, contra
todos os indícios, que ele possa ter
existido - todas as suas decisões
passadas e futuras ficarão sob
suspeita.

EXPRESSO, 06-05-06.
O ministro «iberista»
O cidadão Mário Lino pode ter as
opiniões que
entenda; o ministro, nem todas.
COMECEMOS por reproduzir a
declaração, tal qual
veio publicada no dia 24 de Abril
pelo jornal
«Faro de Vigo» «Sou um iberista
confesso. Temos
uma história comum e uma língua
comum. Há unidade
histórica e cultural e a Ibéria é
uma realidade
que persegue tanto o Governo
espanhol como o
português.
(....................................)
Sejamos claros: um iberista, tal
como o ministro se define, é uma
pessoa
que não crê que Portugal deva ser um
Estado independente, que defende que
na Península Ibérica só deve existir
um Estado e, se não for
absolutamente
irresponsável ou inconsequente, fará
tudo para que isso aconteça, sendo
que
quando se é ministro é extremamente
conveniente que se deixe o
diletantismo
à porta do Conselho de Ministros.
Isto é tudo muito estranho. A
oposição, entretida com urgências
internas, não reparou, muito menos
criticou. Alguns comentadores tão
pressurosos com a crescente
alienação de empresas portuguesas
para mãos
espanholas, distraídos, ignoraram.
Os empresários defensores dos
célebres
centros de decisão nacional,
proventura porque o ministro ocupa
uma pasta
de investimento, não tugiram nem
mugiram. Esta indiferença será
certamente
redimida quando um homem com apelido
de italiano e nacionalidade
brasileira
pedir lá da Alemanha para os
portugueses fazerem de conta que são
patriotas
e usarem bandeirinhas por todo o
lado.
Esclareço: por mim, o cidadão
Mário Lino (Mário Lino Soares
Correia)
está no seu realíssimo direito de
ser comunista, de ser socialista, de
ser
iberista, de ser o que ele quiser.
Vivemos num país livre, apesar da
sua
antiga militância partidária o ter
procurado evitar. Mas eu estou no
meu
direito de pensar que um iberista
não tem condições para governar um
País,
por mero acaso o meu, cuja
existência no mínimo discute e no
máximo não
deseja.
Para além de governante, o
ministro iberista não o é de uma
pasta
qualquer. Tem a responsabilidade de
conduzir assuntos sensíveis para a
independência efectiva dos
interesses do País, face aos
interesses
concorrentes e nem sempre
convergentes da Espanha. Transportes,
comunicações, investimentos. A
partir de agora, o ministro iberista
está
sob suspeita política. Excepto numa
circunstância: se deixar de ser
ministro. É o que já devia ter feito.
E senão por iniciativa própria, por
decisão superior. O silêncio do
primeiro-ministro significa o quê?
(Jorge Ferreira)
"O INDEPENDENTE", 05-Maio-2006, Carlos Ferreira Madeira
http://www.oindependente.pt/images/home/k_independente.jpg
MÁRIO LINO O IBERISTA
"Eu, Iberista, me confesso/Ministro
das Obras Públicas afirmou ser um "iberista".
Uma teoria política que propõe a
unificação com Espanha. Mário Lino (Mário
Lino Soares Correia) erxplicou-se ao
Independente. Ministro da Economia
deixa avisos"
Carlos Ferreira Madeira
"Sou iberista confesso. Temos uma
História comum e uma língua comum.
Existe uma unidade histórica e
cultural e a Ibéria é uma realidade
que persegue tanto o Governo
espanhol como o português." Foi com
esta simples declaração política que
Mário Lino, ministro das Obras
Públicas, Transportes e Comunicações,
lançou a confusão no Governo
socialista de José Sócrates durante
a semana passada.
Um ministro da República
Portuguesa, que jurara a
Constituição, tinha acabado de
defender o "iberismo", uma teoria
política que propõe a unificação
territorial dos dois países da
Península Ibérica. E tinha ido mais
longe que o próprio
primeiro-ministro, José Sócrates,
que definiu na sua primeira visita
oficial ao país vizinho a prioridade
da política externa portuguesa: "Espanha,
Espanha, Espanha." Como iria a
oposição explorar as declarações do
ministro ? A oposição esteve calada.
O ministro Mário Lino fez aquelas
declarações em Santiago de
Compostela, onde participou numa
conferência sobre "o papel das
infra-estruturas no desenvolvimento
do noroeste peninsular". Fê-las na
presença do delegado do Governo da
Galiza, Manuel Ameijeiras, da
Conselheira de Política Territorial,
Maria José Caride, e do presidente
da confederação patronal galega,
António Fontenla.
Em declarações ao Independente,
o ministro esclareceu que as suas
afirmações foram feitas no quadro da
política do seu ministério,
nomeadamente da política de
transportes. Mário Lino diz que
"Portugal e Espanha, para além das
relações que mantêm no âmbito da
União Europeia, precisam de manter
relações de cooperação e políticas
coordenadas em determinadas áreas".
Ora, para o ministro das Obras
Públicas português, se há algo
importante para as relações entre os
dois países "são as infra-estruturas
de transporte". Mas não só. "As
áreas dos transportes rodoviários e
ferroviários, ou dos recursos
hídricos, por exemplo, exigem uma
visão ibérica do problema, uma visão
coordenada que não invalida os
entendimentos específicos de cada
país".
O ministro do PS, antigo
militante do PCP, considera que "a
visão ibérica de certas matérias não
impede que cada país defenda os seus
interesses". Diz que "as relações
entre ambos os países têm evoluído
em sentido positivo,
independentemente dos governos", mas
permanece uma "desconfiança residual
ao nível dos serviços que importa
afastar".
Mário Lino considera que "os
países estão de facto próximos, em
cultura e língua mas também numa
História feita de guerras e paz".
Afirma que nunca pensou propor o fim
da independência de Portugal. E
conclui: "Em nove séculos de
História, os dois países conseguiram
conservar a sua independência. Até
os poucos anos do período filipino
não nostraram viabilidade."
Também o ministro da Economia,
Manuel Pinho, comentou este caso.
Pinho considera que "Portugal tem
muito a ganhar com uma Espanha
próspera, pela vizinhança eporque
Espanha é cinco vezes maior". Porém,
nota que "Espanha tem beneficiado
mais da relação que mantém com
Portugal" do que o inverso. E por
isso "estão a ser dados passos para
incrementar o comércio entre os dois
países, por exemplo através das
agências para promoção de pequenas e
mádias empresas em Portugal e
Espanha". Manuel Pinho afirmou que
se tenciona "organizar uma série de
acções de reposicionamento de
Portugal face a Espanha", através de
"eventos económicos e culturais que
nos coloquem num patamar de
percepção diferente". Nestas acções
inclui-se, segundo o ministro, "uma
campanha de imagem de Portugal,
importante para lançar em Espanha em
2007". Dito isto, Manuel Pinho
considerou também que "cada país tem
os seus interesses específicos". E
acrescentou que existem "muito boas
relações ao nível do governo
espanhol e tem havido colaboração
muito sincera em diversas situações
concretas".
04/05/2006
http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=200429&idselect=90&idCanal=90&p=200
Mário
Lino
O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações declarou-se na semana passada em Santiago de Compostela, Espanha, como “iberista confesso”.
“Sou um iberista confesso. Temos
uma história comum e uma língua
comum. Há unidade histórica e
cultural e a Ibéria que persegue
tanto o Governo espanhol como o
português. E se há algo importante
nestas relações são as infra-estruturas
de transporte”, disse Mário Lino,
citado pelo ‘Faro de Vigo’ da
passada quinta-feira.
O jornal comenta que
“enquanto Espanha leva meses
sacudida” pelo debate das autonomias,
o ministro português “está
convencido de que Espanha e
Portugal têm um
futuro em comum”. Lino reuniu-se
nesse dia com Perez Touriño,
presidente do Governo Regional da
Galiza e disse numa conferência ser
necessário assegurar que “seja um
êxito” a linha Porto-Vigo de TGV.
O Ministério das
Obras Públicas considera a posição
do ministro natural, dado que se
trata de um apelo a uma união entre
Portugal e Espanha no âmbito do
desenvolvimento conjunto da rede
transportes na Península Ibérica.
Manuel Moreira
OPL: O Presidente da República e o Primeiro Ministro mantêm o silêncio sobre este importante assunto? É porque estão de acordo?
![]()
01/Maio/2006
MINISTRO MÁRIO LINO DECLAROU-SE NA GALIZA
(Tradução do
original cortesia de Carlos Luna)
Enquanto a Espanha é desde há meses
sacudida pelos debates sobre os
Estatutos de Autonomia ou se o
Estado se desmenbra e "quebra" como
nação, o ministro das Obras Públicas,
Transportes, e Comunicações de
Portugal confessou-se ontem, em
Santiago (de Compostela),
profundamente "iberista", convencido
de que Portugal e Espanha têm pela
frente um futuro em comum porque a
sua História é também comum e a sua
língua semelhante. Diante de umas
150 pessoas, na sua maioria membros
de cargos directivos da Caixa Geral
de Depósitos e da sua filial o Banco
Simeón, Mário Lino proferiu uma
conferência sobre "O papel das
infra-estruturas no desenvolvimento
do Noroeste Peninsular", e o ponto
central do seu discurso consistiu em
realçar a importância das relações
que Portugal deve manter com a
Espanha para traçar a sua rede de
infra-estruturas.
"Sou iberista confesso. Temos
uma história comum e uma língua
comum. Há uma realidade histórica e
cultural e a Ibéria é uma realidade
que persegue tanto o governo
Espanhol como o Português. E se
há algo importante para estas
relações são as infra-estruturas de
transporte", comentou o ministro,
três horas depois de se reunir com
Perez-Touriño e num
almoço-conferência.
Mário Lino justificou a demora em
definir os prazos do AVE entre Vigo
e o Porto porque é "absolutamente
necessário" que esta infra-estrutura
"seja um êxito", pelo que se
trabalha com "o máximo rigor". Mas
não deu mais detalhes. Alguém do
público questionou sobre os prazos,
e o ministro pôs-se à defesa: "Esta
é a pergunta de um jornalista para
ver se concretizo um prazo e me
engano. A resposta será conhecida no
final do ano, na cimeira
luso-espanhola". Mas a questão não
foi colocada por nenhum jornalista,
mas sim por um elemento da Direcção
do Grupo Caixa Geral de Depósitos.
Outro responsável da
multinacional financeira portuguesa
tentou colocar em dificuldades o
ministro ao perguntar-lhe por que
razão o AVE Vigo-Porto não se
chamava Vigo-Braga, já que é um
projecto português e a maior parte
do percurso se situa em Portugal.
Mário Lino procurou torneaer os
argumentos, dizendo que na verdade a
linha principal era Lisboa-Porto,
que realmente se procurava ligar o
maior número de povoações...mas
deixou sem resposta a pergunta.
Lino defendeu a competição entre
todas as infra-estruturas galegas e
as do norte de Portugal, mas avisou
que se devem "conceber em conjunto
para se tirarem maiores proveitos"
para ambos os territórios.
Acompanhando o ministro estiveram o
delegado do Governo na Galiza,
Manuel Ameijeiras, a Conselheira de
Política Territorial, Maria José
Caride, ou o presidente da patronal
galega, Antonio Fontenla.

Ler o comentário sobre este incidente em inglês.
OPL: Talvez seja oportuno enviar um "email" ao PR Cavaco Silva para o povo saber se ele apoia a opinião do Ministro. Numa democracia, os portugueses têm o direito de saber se o "Iberismo" é um caminho político deste governo. (belem@presidencia.pt)
Governo: http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Geral/Contactos
Envie o seu comentário: portugal-livre@freeola.com
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