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"Crer e Querer para Vencer"
Movimento Patriótico
OLIVENÇA e JUROMENHA: 750 Km2 do Alentejo, Portugal, estão iligítimamente e ilegalmente ocupados e colonizados pelos espanhóis desde 1801. Ainda hoje a Espanha insiste por uma estratégia universal de apoderar-se e desmembrar, como tentou fazer em 1807 pelo Tratado (hispano-francês) de Fontainebleu, todo o nosso país.
Mesmo em 2005, continua vivo, sempre à moda castelhana, a política imperialista de Madri.
Notícias de Olivença Março 2006
Portugal - 'de Jure' Fronteira/Border
Entrevista no Jornal ABC (espanhol) 05-Março-2006
ANÍBAL CAVACO SILVA
Presidente eleito da República Portuguesa
"AS SENSIBILIDADES NACIONAIS NÃO PODEM VIOLAR AS REGRAS DO MERCADO INTERNO EUROPEU"
ABC - No próximo dia 9 converter-se-á no sexto presidente da III República Portuguesa... Nascido em Loulé em 1939, Cavaco começa agora a sua "segunda vida" política e, com a sua experiência acumulada, crê que "o Tratado de Nice não responde às ambições actuais da UE"
Texto:Ramón Pérez-Maura/Belén Rodrigo Foto ( de Cavaco, com a legenda: "Cavaco Silva conversa com ABC num momento desta entrevista no palácio de Queluz"): Interslide/Luis Viegas
LISBOA. Com ele, o centro direita português alcança pela primeira vez a máxima magistratura nacional duma república de sistema semipresidencialista. Cavaco Silva fala com um sorriso nos lábios que raras vezes se altera. Olha o seu interlocutor nos olhos. Recebe no Palácio de Queluz, algo desordenado, no qual tem o seu gabinete o presidente eleito durante o período de transição. Para um homem que dirigiu os destinos do país durante três mandatos sucessivos entre 1985 e 1995, a maioria absoluta alcançada na primeira volta destas eleições fez desaparecer o sabor amargo da derrota nas presidenciais de 1996 contra Jorge Sampaio, que na próxima Quinta-Feira lhe cederá o seu gabinete no Palácio de Belém.
ABC -Quais são os desafios que colocou para a sua Presidência?
CS - Portugal vui-se envolvido em quatro eleições nos últimos dezoito meses: Parlamento Europeu, Assembleia da República, autarquias e eleições presidenciais. Tem agora diante de si a possibilidade de estar três anos e meio sem qualquer disputa eleitoral a nível nacional, o que é uma grande responsabilidade para que os políticos portugueses possam fazer aquilo que é necessário: tomar as medidas de fundo inevitáveis para vencer os desafios que se apresentam. No campo económico, essas metas resultam da globalização e do alargamento da União Europeia a Leste. Como presidente da República pretendo criar as condições para preservar a estabilidade política, fundamental para que Portugal vença as dificuldades, assim como criar condições para conseguir grandes consensos nas forças políticas. Creio nas virtudes do diálogo para a acção, e tal como disse na Campanha eleitoral, estou muito aberto à cooperação estratégica com os outros órgãos de soberania, em particular com o Governo. E sendo presidente, eleito directamente pelo povo, vou actuar de tal forma que possa mobilizar os portugueses, aproveitar as energias nacionais, com o objectivo de vencer as dificuldades em que se encontra o país.
ABC -Há vinte anos Portugal entrava na UE, com a Espanha. Que balanço faz da UE hoje?
CS - A UE é o projecto de maior êxito depois da II Guerra Mundial, e a prova está no número de estados que querem entrar. É um projecto que apresenta dificuldades, mas muitas já foram superadas no passado e estou convencido de que sucederá o mesmo agora. Recordo que aquando da adesão de Espanha e Portugal, a expressão mais usada era "euroesclerose".
ABC -Pensa que seria benéfico um Tratado Constitucional europeu ?
CS - Eu nunca fui um entusiasta da expressão "Tratado Constitucional". Depois de um grande debate chegou-se a acordo sobre um texto, posteriormente derrotado em França e na Holanda. Não creio que neste momento seja possível ressuscitar o texto tal como está, mas é um bom ponto de partida para uma nova reflexão que é necessário fazer para proceder a alterações nos tratados. Há um reconhecimento geral de que aquilo que resultou de Nice não corresponde às ambições actuais da União Europeia. é necessário debater sobre emendas do tratado e para isso há que mobilizar os cidadãos, não é possível fazer alterações de costas para eles. As elites devem convencer os europeus de que uma maior integração é necessária para responder às suas preocupações : desemprego, segurança social, segurança interior, emigração, globalização. Os líderes devem demonstrar que se preocupam com as verdadeiras inquietações dos europeus e que as alterações no tratdo são para que a Europa possa vencer neste mundo global.
ABC -Tem mais fé num mercado comum do que numa união política ?
CS - Não, a UE tem de reforçar a dimensão política para que a sua voz se oiça mais alto no cenário internaional. O que está em jogo nesta revisão dos tratados é uma maior eficácia das instituições, mas também reforçar a dimensão política para que a Europa não seja uma grande potência sem conteúdo político.
ABC -Vimos que a reacção em França a uma OPA de uma companhia alemã sobre uma espanhola foi unir duas empresas francesas com interrogações por parte da Comissão Europeia. A UE deve construir-se transnacionalmente ou potenciando cada país ?
CS - Há algumas liberdades essenciais na UE, as de movimento de mercadorias, serviços, capitais e pessoas, que justificam a existência de um mercado interno, e que são os grandes pilares, pela que devem ser respeitadas. Mas existe um trabalho inacabado sobre a liberdade de serviços. Creio que o proteccionismo não é resposta aos problemas da UE, ainda que possa compreender determinadas atitudes das opiniões públicas quando estão em causa grandes empresas com interesses nacionais muito fortes. Há que deixar funcionar o mercado e as regras em vigor da concorrência. O que possa ser feito para conservar o que chamamos os centros de decisão estratégica não pode ser em violação das regras comunitárias nem deve ser realizado às custas dos consumidores. Devem ter-se em conta as sensibilidades quando estão em causa grandes empresas e as opiniões públicas pensam que podem fereir-se os interesses estratégicos.
ABC -E as sensibilidades nacionais ?
CS - Não podem violar as regras do mercado interno. Mas em todos os países existem esforços dos governos para que a propriedade de algumas grandes empresas permaneça em posse nacional, porque estão convencidos de que se não fosse assim alguns interesses do país, muito importantes, poderiam ser afectados, e por isso é uma questão que deve ser analisada com cuidado.
ABC -Há vinte anos havia duas Europas e um Ocidente. Hoje, uma Europa e provavelmente dois Ocidentes. É responsabilidade dos E.U.A, da Europa, ou dos dois igualmente ?
CS - A Europa e os E.U.A. compartilham valores de civilização comuns. O que une os dois lados do Atlântico é muito mais forte do que ocasionalmente os possa dividir. A Europa e os E.U.A. devem manter uma cooperação saudável para combater a pobreza, garantir a segurança, defender os direitos humanos, conseguir um desenvolvimento sustentado... É de interesse estratégico para a Europa manter uma boa relação com os E.U.A. sem que isso signifique uma relação de submissão. Sou um defensor do diálogo e da cooperação transatlântica. Tanto um lado como outro fizeram algo errado nos tempos difíceis da guerra do Iraque, e espero que essas situações que não tiveram bons resultados, em que ambos aprenderam, não se repitam.
ABC -Deveria a Europa aspirar a ser um poder alternativo aos E.U.A. ?
CS - Creio que a Europa não deve tentar ser uma força alternativa, mas sim cooperar com os E.U.A., e isto não quer dizer que a Europa deva estar de acoordo com tudo o que defendem os americanos. Não me parece que seja adequado que tenha uma estratégia como potência alternativa, não é bom.
ABC -Que opinião tem da celebração em território português da Cimeira dos Açores ?
CS - Foram circunstâncias especiais nas quais o diálogo dos dois lados do Atlântico não funcionou bem. Em Portugal, felizmente, foi possível manter um entendimento entre o Presidente da República e o Governo.
ABC -Como interpreta a proposta de promover uma Aliança de Civilizações feita pelos chefes de Governo da Espanha e da Turquia ?
CS - É característica intrínseca das democracias ocidentais a abertura ao diálogo, ao conhecimento entre povos e culturas, e esse é o caminho certo para combater os ódios, os fanatismos que depois alimentam o terrorismo. Concordo que se fale de diálogo de civilizações e não de choque de civilizações. Há valores fundamentais da democracia que não podem ser abandonados, como os direitos humanos ou a defesa das liberdades fundamentais, e creio que nas diferentes civilizações há pessoas de bem dispostas a dialogar seriamente.
ABC -Em que crê que o Ocidente possa e deva fazer concessões ?
CS - É difícil dizer onde se devem fazer concessões, mas sei sim onde não se pode, como nos princípios fundamentais da democracia. Não pode por-se em causa a nossa forma de viver, na qual existem liberdades que constituem a essência da democracia.
ABC -Antes das eleições classificava as relações com Espanha como "suficientes". Soa a pouco...
CS - Atingiram um estatuto de normalidade e orgulho-me de ter contribuído para ele. No tempo em que fui primeiro ministro deram-se passos muito importantes para o desenvolvimento de uma cooperação em todos os domínios, e hoje temos relações normais entre dois países que são vizinhos, que pertencem ao mesmo espaço político e de defesa. Os dois desenvolveram acções de cooperação e na maior parte dos casos as posições coincidiram. Isto quer dizer que há mais convergência que divergência e as relações entre ambos são hoje intensas. Portugal é um dos mercados mais importantes para Espanha, mais importante do que a América Latina, que os E.U.A., tal como a Espanha é um mercado mais importante para as empresas portuguesas. Antes da entrada na UE, isto não era assim. Existe ainda espaço para aprofundar no que respeita ao intercâmbio, já que se a Europa é cada vez mais um mercado único, também a península Ibérica é cada vez mais um mercado único. Quero sublinhar que o Rei sempre estimulou uma maior cooperação entre os dois governos.
ABC -Já não somos vistos com medo, os espanhóis ?
CS - Portugal tem quase novecentos anos de história, com uma identidade muito forte, e não tem receios de nenhuma espécie em relação à Espanha. São dois estados soberanos com os seus interesses próprios, mas há igualmente interesses mútuos e o diálogo tem sido fácil.
ABC -A assimetria do modelo territorial nos dois países prejudica a eficácia em assuntos como a luta contra os incêndios ?
CS - Não, não vejo isso assim. A centralização em Portugal prova que é um país com uma forte unidade que não tem problemas linguísticos, étnicos, ou religiosos. Em referendo, o povo português rejeitou a criação de regiões. Mais de 60 % do eleitorado disse que não, e é uma prova de uma identidade forte de Portugal. Não creio que por não ter regiões administrativas sejam dificultadas as relações com as comunidades transfronteiriças espanholas.
ABC -O Senhor é um homem originário do centro-direita português...
CS - Sou um social democrata. Pela razão e pelo coração !
ABC -Haverá alguma razão pela qual das duas vezes que chegou ao poder tenha havido uma coincidência com governos socialistas em Espanha ? ...
CS - Não há uma correlação (risos), são circunstâncias. Quando disse que me apresentava às eleições presidenciais a título suprapartidário, os portuguese entenderam o que queria dizer porque sabem que as palavras que dig significam o que penso. Serei um presidente independente de todas as forças políticas, porque neste tempo que Portugal vive é necessário um trabalho em comum entre a Assembleia, o Governo e a Presidência da República.
(Tradução de Carlos Luna)
28 Fev 2006
Olivença: cativeiro continua
Comemoram-se no dia 12 de Setembro 709 anos sobre a assinatura do Tratado de Alcanizes, pelo qual Portugal e Castela definiram os seus limites territoriais e acabaram com diversos litígios e contendas existentes ao longo da fronteira.
O Tratado de Alcanizes foi assinado pelo Rei Dom Fernando IV de Castela, Leão, Toledo e Algeciras e pelo Rei Dom Diniz de Portugal e Algarve.
O Tratado de Alcanizes curiosamente refere que "em nome de Deus, Amén.", se faz o tratado, e que o acordo de delimitação de fronteiras é para ser respeitado por todos os sucessores para todo o sempre. Mais ainda refere que se alguém não respeitar este tratado será considerado traidor... e merece ser seriamente punido.
Por este tratado definiu-se o espaço de soberania do Estado Português no continente europeu, fazendo das fronteiras portuguesas as mais estáveis e duradouras da Europa, mesmo considerando a actual situação de Olivença, enquanto território juridicamente português sob ocupação espanhola. Ainda que vivamos num período de integração económica e financeira na União Europeia e se fale numa hipotética constituição europeia na construção da união política, constituem as fronteiras juridicamente instituídas entre os diversos estados os mais sólidos
instrumentos da paz e da harmoniosa convivência entre os povos numa Comunidade Internacional assente nos princípios do respeito pela integridade territorial e da soberania dos diversos estados. É esse um dos significados do Tratado de Alcanizes pelo qual o respeito mútuo entre os dois países peninsulares se estabeleceu, numa época em que a guerra e a violência constituíam formas comuns de relacionamento entre as monarquias reinantes. A situação actual de Olivença constitui a negação total destes postulados, colocando Portugal numa situação de
total humilhação perante a Espanha, país que, cultivando o espírito de Honra como muito poucos, continua a violar vários tratados e
compromissos internacionais em desprimor do Estado Português, mantendo ocupados 750 Km² de superfície do nosso Alentejo sem qualquer legitimidade ou legalidade e em contradição total e intolerável com as boas intenções que sempre tem propalado. A comemoração do Tratado de Alcanizes afigura-se sempre como uma oportunidade extraordinária para lembrar a Espanha o seu compromisso de nos restituir o Território de
Olivença e de exigir o cumprimento da reversão desta Terra Portuguesa em face da justa reclamação que a Espanha reconheceu ao nosso País pela Acta Final do Congresso de Viena.
Olivença: cativeiro
Comemorou-se recentemente 205 anos do início da ocupação espanhola do Território de Olivença. 750 Km² de superfície de solo alentejano continuam administradas por Espanha, contra o direito internacional e em violação dos acordos assinados pelo país vizinho. O Estado Português continua a não reconhecer a soberania espanhola sobre aquela superfície do nosso solo pátrio, pelo que a fronteira nunca foi delimitada e nunca o será, a não ser que a Espanha nos restitua Olivença e as sete povoações que lhe são adstritas.
Se é verdade que o Estado Português não reconhece a actual situação de cativeiro de Olivença, também nada faz para corrigir a situação. O ainda Presidente da República, emdez anos de mandato, garante da unidade dopaís, nada fez com vista a iniciar um processo para a resolução do conflito. É sempre mais fácil atribuir condecorações, participar em presidências abertas e almoços com o corpo diplomático. É este o estado
republicano e laico defendido (pelo menos foi a prática) pelo Dr. Jorge Sampaio.
Neste momento difícil em que o país vem sendo despojado dos seus valores e da sua identidade, a reclamação de Olivença vai ganhando adeptos (O Grupo de Amigos de Olivença com sede na Casa do Alentejo em Lisboa tem feito um excelente trabalho). O sistema de ensino português não pode continuar a ignorar esta realidade histórica e política.
O facto de Espanha continuar a reclamar a devolução de Gibraltar da Grã-Bretanha é um argumento fortíssimo para nos dar força relativamente a Olivença.
Espanha não tem problemas em reivindicar o que entende pertencer-lhe. Devería-mos fazer o mesmo. Não vendemos Olivença, ao contrário dos espanhóis com o Rochedo de Gibraltar.
Jorge J. M. Mendes (Doutor de engenharia) O Primeiro de Janeiro
http://www.oprimeirodejaneiro.pt/?
27 Feb 2006
VISITE PORTUGAL... AO SUL DE BADAJOZ
Quantas vezes não se vai a Espanha, principalmente a Badajoz, vindo-se de Lisboa, Évora, Estremoz, Portalegre, e passando por Elvas, para fazer compras, ou passear, ou em busca de divertimento, perdendo-se por algumas horas, ou até por alguns dias, o contacto com Portugal ?
Se em Badajoz, por fim, decidimos em voltar a Portugal, a primeira idéia que nos ocorre, se viemos de Elvas, é fazer dez quilómetros e regrerssar a esta cidade.
Talvez haja alternativas. Se regressar a Elvas, não o faça de imediato. Vá 20 Quilómetros para o Sul.
É claro que poderá ter seguido outro caminho. Poderá ter vindo do Sul, pela fronteira de São Leonardo, 70 Km. a Sul de Badajoz. Ou poderá ter vindo directamente de Elvas, pela nova Ponte da Ajuda, sem ir a Badajoz. Mas, porque a ida a esta mesma Badajoz é, de longe, a mais comum, prossigamos o nosso roteiro como se estivéssemos a vir da Grande Urbe Extremenha, de Norte para Sul.
Neste caso, atenção ! A partir do quilómetro 17 do Estrada que liga Badajoz a Alconchel, começa uma região que merece uma visita. A partir da Ribeira de Olivença, está a entrar no Território Histórico de Olivença. São cerca de 453,61 Km.2, até às Ribeiras de Táliga (ou de Alconchel) e de Alcarrache. Segundo a perspectiva diplomática oficial portuguesa, é um território legalmente português, administrado de facto pela Espanha. Uma região que foi, na época franquista principalmente, sujeita a uma descaracterização que se pode classificar de dramática. Durante mais ou menos quarenta anos.
Sendo Democracias actualmente, Portugal e Espanha, aproveitando até o facto de ambos estarem na União Europeia, podem agora encarar este litígio de forma aberta, sem complexos, com um mínimo de traumas, sem pôr em causa princípios e interesses legítimos nem planos de cooperação noutros domínios. As boas relações facilitam a discussão de todos os assuntos, principalmente os melindrosos. Os preconceitos passam a ter muito menos sentido. Só por isso, a Democracia vale a pena !
Mas...voltemos `Ribeira de Olivença. Ao lado da Ponte Nova, está uma mais antiga, que deixou de ser usada em 1994. Para já, informa-se que está a um quilómetro do local onde foram assassinados o General Humberto Delgado e a sua secretária, em 1965. Mesmo a Norte da Ribeira de Olivença, a Leste, nas proximidades da herdade de "Los Almerines". Se veio do Sul, ou de Elvas pela nova Ponte da Ajuda, que muitos querem, pelo episódio histórico referido, que se chame "Ponte General Humberto Delgado", terá de percorrer três ou quatro quilómetros para norte, a partir da Terra das Oliveiras
Mas siga, se vindo do Norte. Está próximo, muito próximo mesmo de Olivença. Acabará por avistar a cidade, donde se destaca uma Torre de Menagem. Avance, vire à direita, e terá chegado a um mundo que o surpreenderá... se tiver olhos para ver. Continue a ler, e dar-nos-á razão... esperamos.
Verá muitas casas alentejanas, principalmente em ruas pequenas, e até em algumas grandes. Principalmente algumas artérias simples poderão surpreender, mesmo porque é nelas que eventualmente poderá ouvir falar português "alentejano", por vezes com surpreendente pureza. Pode mesmo tomar a iniciativa.
Sem dúvida que os nomes das ruas parecem, e são, espanhóis. E, daí, talvez não. Os nomes antigos, que os precederam, são bem portugueses, e muita gente os conhece, principalmente os mais idosos. Rua dos Oleiros. Rua das Atafonas. Rua do Poço. Rua da Caridade. Rua da Pedra. Rua dos Saboeiros. Há tantas, tantas !
Mas... vamos á parte turística "consagrada. Comece pela Torre de Menagem, construída por volta de 1488, por ordem de D. João II de Portugal. Encontrará, num mesmo complexo, um Museu Etnográfico...que já foi Municipal... e que é algo de admirável. Está ali todo um passado, quase sem barreiras. Há Pré-História. Há mundo rural. Há mundo urbano. Há coisas que nunca pensou ver num museu... mas que devem mesmo lá estar. Aprenderá algo, seguramente.
Está na parte mais antiga de Olivença, a chamada zona dionisina. Nome derivado de D. Dinis de Portugal, que em 1297 assegurou a posse lusitana da cidade (Tratado de Alcañices), após meio século de confusões fronteiriças. Verá por ali as Portas dos Anjos, ou do Espírito Santo. Também as de Alconchel. E, já disfarçadas no Palácio dos Duques de Cadaval, actual Câmara Municipal, as Portas da Graça. E, como se não bastasse, estão a ser reconstruídas umas outras, que, entre outros nomes, se chamaram de São Sebastião...
Porque estamos na parte dionisina, visite a Igreja de Santa Maria do Castelo, que seria a mais antiga (século XIII)...se não tivesse sido toda reconstruída no final do século XVI e recebido acrescentamentos posteriores. Por isso, nela encontrará talha barroca. E também uma belíssima árvore genealógica da Virgem Maria. Entre outras coisas.
Saiamos da zona dionisina pelas Portas do Espírito Santo, e examinemos a Porta Manuelina da Câmara Municipal. É um exemplar valioso.
Já que falamos em Manuelino... vamos à Igreja de Santa Maria Madalena, a 20 metros de distância. Eis uma espantosa Catedral Gótica- Manuelina. As colunas toscanas imitam cordas na perfeição. E podemos ver azulejos. E Talha Barroca.
Não há que espantar. O templo foi sede do Bispado Português de Ceuta. O seu primeiro bispo, Frei Henrique de Coimbra, está lá sepultado. Trata-se ( as voltas que a História dá !) do homem que rezou a Primeira Missa no Brasil, em 1500.
Voltemos a passar em frente da Câmara Municipal, e viremos à esquerda, percorrendo parte da Rua da Caridade. Eis-nos diante da Misericórdia de Olivença. Vejamos os mármores em torno da belíssima porta. Os Escudos Nacionais, um deles picado. Entremos, e visitemos a Igreja/Capela. Tantos azulejos portugueses ! Dir-se-ia uma versão menor da Igreja da Madalena. E há talha em madeira para todos os gostos...
Sigamos depois pela Rua Espírito Santo, ou pela sua paralela, a Rua Fernando Afonso Durão ("Fernando Alfonso"), ou das Parreiras. Desembocaremos na Plaza de España, antigo Terreiro ou Passeio Velho. E... para quem pensa que a presença histórica portuguesa se esgotou lá pelo sèculo XVII, veja o Palácio dos Marçais, pombalino, do Século XVIII. Aí chegados, se houver tempo, não é má idéia visitar-se o Convento de São Francisco (Séculos XVI/XVII), porque fica a menos de 100 metros.
Mas...existem muitas alternativas ainda ! Podemos visitar alguns troços, de incontestável beleza, das muralhas dos séculos XVII-XVIII ( estilo "Vauban"; iniciadas a propósito da Guerra da Restauração ), e, andando um bocado mais, ver as Portas do Calvário, que delas fazem parte, em mármore, iguaizinhas às que se encontram, por exemplo, em Elvas e Estremoz.
À direita das Portas do Calvário, encontraremos o Convento de São João de Deus ( Século XVI ).
Se, depois, seguirmos pelas ruas de Santa Luzia e de Santa Quitéria, encontraremos uma pequena Igreja, de Nossa Senhora da Conceição (ou de Santa Quitéria), e, sempre andando, uma dependência das já destruídas Portas de Santa Quitéria, ou Porta Nova, companheiras das Portas do Calvário (ainda que sem mármores). Mais acima, o antigo Quartel de Cavalaria dos Dragões de Olovença (século XVIII) dá-nos as boas vindas. Em frente deste, nas antigas cavalariças, um Centro de Lazer para Idosos ("Hogar del Pensionista") poderá ensinar-lhe miuta coisa !
A menos de 50 metros, está o novíssimo Centro Cultural de Olivença/Casa da Cultura/Universidade Popular. A cultura tem lugar de destaque na Moderna Olivença.
Em todas estas "voltas", poderão observar-se os muitos "Passos" da Paixão de Cristo de que Olivença dispõe. Estão um pouco por todo o lado, alguns com azulejos novos, executados por artistas/profissionais das Caldas da Rainha.
Há muita coisa para ver. É difícil dizer tudo !
Se, de facto, se pensa que a Cultura não são só monumentos, e nem só cidades, então, para além das Ruas Antigas já sugeridas, podemos visitar as aldeias dos arredores. Como, por exemplo, São Jorge de Alôr, cinco quilómetros para Leste. Veremos casas alentejaníssimas, e chaminés meridionais portuguesas de estonteante altura. Podemos, em alternativa, visitar São Bento da Contenda (7 Km. a Sudoeste), com o mesmo tipo de arquitectura, uma das povoações onde a Língua Portuguesa se mantém como língua comum.
Podemos ainda visitar Vila Real, 10 Km. a Oeste, frente a Juromenha, de cujo extinto Concelho foi parte até 1801. As características linguísticas e arquitectónicas continuam a surpreender...ou, nesta altura, talvez já não ! Ainda que, em Vila Real, em 2004 e 2005, muita coisa tenha mudado, com umas obras em várias das suas velhas casas. Pelos vistos, não se está a preservar como devia a velha traça popular na região...
Mas... vamos a São Domingos de Gusmão, 4 Km. a sudeste, aldeia quase abandonada por causa da emigração. Prosseguindo pela estrada que a esta conduz, a 20 Km. de Olivença, encontra-se Táliga, ou Talega, uma antiga aldeia que é hoje um Concelho independente da Terra das Oliveiras. Embora não tanto como noutras povoações, o Português alentejano ainda por lá subsiste... e é muito bem entendido... ainda que o possa não parecer à primeira vista !
Poderemos ainda visitar as aldeias novas de São Francisco e São Rafael de Olivença, 7Km. a Norte de Olivença, a primeira, e 9 a nordeste, a segunda. Só existem desde 1954. Claro, por isso as suas características arquitectónicas são diferentes, mas há por lá umas chaminés não previstas nos planos iniciais, e a população também vai falando e compreendendo a lusa fala... em versão planície.
Já que andamos por estradas várias, visitemos a velha Ponte da Ajuda (10 Km. a noroeste da urbe transodiana), destruída desde 1709. Não foi reparada depois, e a ocupação espanhola de Olivença em 1801 veio dificultar ainda mais as coisas. É um impressionante Monumento Manuelino (mais um ! ), que tem cerca de 450 metros, 19 arcos, e um largo tabuleiro de quase seis metros... o suficiente para se cruzarem duas carroças. Não se sabe quando, ou mesmo se será reconstruída. O que se fez nesse sentido esteve e está envolvido em acesa polémica.
Mas... desde 11 de Novembro de 2000, a cem metros ao sul da ruína, temos uma nova Ponte. A tal que há quem queira que se chame "General Humberto Delgado". Construída depois de quase uma década de desntendimentos diplomáticos. Ela lá está, ligando directamente a Elvas ( e a mais lado nenhum ! ), sendo considerada como infra-estrutura local ou municipal, e não internacional. Aliás, o Estado Português pagou-a integralmente. Uma história que teve e tem tantos episódios e condicionantes estranhos, que deveria merecer um livro...
Claro que, para quem sai de Elvas e se dirige somente a Olivença, a Ponte constituirá o primeiro local a visitar quando entrar na Região...
Voltemono-nos para outras coisas... ou outros pontos de interesse. Por exemplo, na estrada para São Jorge de Alôr há a Quinta de São João, ou da Marçala, ou dos Marçais... que esconde um Convento de Frades Franciscanos do Algarve, fundado talvez em 1500.
Encontramos muitos "montes" rurais alentejanos. Em número superior a uma centena. Encontramos...
Vamos a deter-nos com as indicações. Quem quiser, vá a Olivença. Descubra mais coisas. Escreva sobre isso, ou relate aos amigos. Parece-nos que já demos pistas suficientes !
Não caia no erro de querer visitar coisas entre as catorze e as dezassete horas locais, pois, durante três horas, tudo fecha. É a inevitável "Siesta"... a Sesta, que já se usou no Alentejo. Agora, dizem que vai acabar. Esperemos, para ver.
Ah, e procure visitar as Igrejas de manhã, pois de tarde só por acaso estarão abertas.
Por aqui ficamos. Visitou o que procurava. Ou, se veio de Badajoz, talvez tenha feito menos compras do que esperava, ou pelo menos, não onde as pensava fazer. Seja como for, foi decerto interessante descobrir Portugal... a pouco mais de 20 Quilómetros ao Sul de Badajoz !
Estremoz, texto revisto em 25 de Fevereiro de 2006
Carlos Eduardo da Cruz Luna
27 Feb 2006
VISITE PORTUGAL... AO SUL DE BADAJOZ
Quantas vezes não se vai a Espanha, principalmente a Badajoz, vindo-se de Lisboa, Évora, Estremoz, Portalegre, e passando por Elvas, para fazer compras, ou passear, ou em busca de divertimento, perdendo-se por algumas horas, ou até por alguns dias, o contacto com Portugal ?
Se em Badajoz, por fim, decidimos em voltar a Portugal, a primeira idéia que nos ocorre, se viemos de Elvas, é fazer dez quilómetros e regrerssar a esta cidade.
Talvez haja alternativas. Se regressar a Elvas, não o faça de imediato. Vá 20 Quilómetros para o Sul.
É claro que poderá ter seguido outro caminho. Poderá ter vindo do Sul, pela fronteira de São Leonardo, 70 Km. a Sul de Badajoz. Ou poderá ter vindo directamente de Elvas, pela nova Ponte da Ajuda, sem ir a Badajoz. Mas, porque a ida a esta mesma Badajoz é, de longe, a mais comum, prossigamos o nosso roteiro como se estivéssemos a vir da Grande Urbe Extremenha, de Norte para Sul.
Neste caso, atenção ! A partir do quilómetro 17 do Estrada que liga Badajoz a Alconchel, começa uma região que merece uma visita. A partir da Ribeira de Olivença, está a entrar no Território Histórico de Olivença. São cerca de 453,61 Km.2, até às Ribeiras de Táliga (ou de Alconchel) e de Alcarrache. Segundo a perspectiva diplomática oficial portuguesa, é um território legalmente português, administrado de facto pela Espanha. Uma região que foi, na época franquista principalmente, sujeita a uma descaracterização que se pode classificar de dramática. Durante mais ou menos quarenta anos.
Sendo Democracias actualmente, Portugal e Espanha, aproveitando até o facto de ambos estarem na União Europeia, podem agora encarar este litígio de forma aberta, sem complexos, com um mínimo de traumas, sem pôr em causa princípios e interesses legítimos nem planos de cooperação noutros domínios. As boas relações facilitam a discussão de todos os assuntos, principalmente os melindrosos. Os preconceitos passam a ter muito menos sentido. Só por isso, a Democracia vale a pena !
Mas...voltemos `Ribeira de Olivença. Ao lado da Ponte Nova, está uma mais antiga, que deixou de ser usada em 1994. Para já, informa-se que está a um quilómetro do local onde foram assassinados o General Humberto Delgado e a sua secretária, em 1965. Mesmo a Norte da Ribeira de Olivença, a Leste, nas proximidades da herdade de "Los Almerines". Se veio do Sul, ou de Elvas pela nova Ponte da Ajuda, que muitos querem, pelo episódio histórico referido, que se chame "Ponte General Humberto Delgado", terá de percorrer três ou quatro quilómetros para norte, a partir da Terra das Oliveiras
Mas siga, se vindo do Norte. Está próximo, muito próximo mesmo de Olivença. Acabará por avistar a cidade, donde se destaca uma Torre de Menagem. Avance, vire à direita, e terá chegado a um mundo que o surpreenderá... se tiver olhos para ver. Continue a ler, e dar-nos-á razão... esperamos.
Verá muitas casas alentejanas, principalmente em ruas pequenas, e até em algumas grandes. Principalmente algumas artérias simples poderão surpreender, mesmo porque é nelas que eventualmente poderá ouvir falar português "alentejano", por vezes com surpreendente pureza. Pode mesmo tomar a iniciativa.
Sem dúvida que os nomes das ruas parecem, e são, espanhóis. E, daí, talvez não. Os nomes antigos, que os precederam, são bem portugueses, e muita gente os conhece, principalmente os mais idosos. Rua dos Oleiros. Rua das Atafonas. Rua do Poço. Rua da Caridade. Rua da Pedra. Rua dos Saboeiros. Há tantas, tantas !
Mas... vamos á parte turística "consagrada. Comece pela Torre de Menagem, construída por volta de 1488, por ordem de D. João II de Portugal. Encontrará, num mesmo complexo, um Museu Etnográfico...que já foi Municipal... e que é algo de admirável. Está ali todo um passado, quase sem barreiras. Há Pré-História. Há mundo rural. Há mundo urbano. Há coisas que nunca pensou ver num museu... mas que devem mesmo lá estar. Aprenderá algo, seguramente.
Está na parte mais antiga de Olivença, a chamada zona dionisina. Nome derivado de D. Dinis de Portugal, que em 1297 assegurou a posse lusitana da cidade (Tratado de Alcañices), após meio século de confusões fronteiriças. Verá por ali as Portas dos Anjos, ou do Espírito Santo. Também as de Alconchel. E, já disfarçadas no Palácio dos Duques de Cadaval, actual Câmara Municipal, as Portas da Graça. E, como se não bastasse, estão a ser reconstruídas umas outras, que, entre outros nomes, se chamaram de São Sebastião...
Porque estamos na parte dionisina, visite a Igreja de Santa Maria do Castelo, que seria a mais antiga (século XIII)...se não tivesse sido toda reconstruída no final do século XVI e recebido acrescentamentos posteriores. Por isso, nela encontrará talha barroca. E também uma belíssima árvore genealógica da Virgem Maria. Entre outras coisas.
Saiamos da zona dionisina pelas Portas do Espírito Santo, e examinemos a Porta Manuelina da Câmara Municipal. É um exemplar valioso.
Já que falamos em Manuelino... vamos à Igreja de Santa Maria Madalena, a 20 metros de distância. Eis uma espantosa Catedral Gótica- Manuelina. As colunas toscanas imitam cordas na perfeição. E podemos ver azulejos. E Talha Barroca.
Não há que espantar. O templo foi sede do Bispado Português de Ceuta. O seu primeiro bispo, Frei Henrique de Coimbra, está lá sepultado. Trata-se ( as voltas que a História dá !) do homem que rezou a Primeira Missa no Brasil, em 1500.
Voltemos a passar em frente da Câmara Municipal, e viremos à esquerda, percorrendo parte da Rua da Caridade. Eis-nos diante da Misericórdia de Olivença. Vejamos os mármores em torno da belíssima porta. Os Escudos Nacionais, um deles picado. Entremos, e visitemos a Igreja/Capela. Tantos azulejos portugueses ! Dir-se-ia uma versão menor da Igreja da Madalena. E há talha em madeira para todos os gostos...
Sigamos depois pela Rua Espírito Santo, ou pela sua paralela, a Rua Fernando Afonso Durão ("Fernando Alfonso"), ou das Parreiras. Desembocaremos na Plaza de España, antigo Terreiro ou Passeio Velho. E... para quem pensa que a presença histórica portuguesa se esgotou lá pelo sèculo XVII, veja o Palácio dos Marçais, pombalino, do Século XVIII. Aí chegados, se houver tempo, não é má idéia visitar-se o Convento de São Francisco (Séculos XVI/XVII), porque fica a menos de 100 metros.
Mas...existem muitas alternativas ainda ! Podemos visitar alguns troços, de incontestável beleza, das muralhas dos séculos XVII-XVIII ( estilo "Vauban"; iniciadas a propósito da Guerra da Restauração ), e, andando um bocado mais, ver as Portas do Calvário, que delas fazem parte, em mármore, iguaizinhas às que se encontram, por exemplo, em Elvas e Estremoz.
À direita das Portas do Calvário, encontraremos o Convento de São João de Deus ( Século XVI ).
Se, depois, seguirmos pelas ruas de Santa Luzia e de Santa Quitéria, encontraremos uma pequena Igreja, de Nossa Senhora da Conceição (ou de Santa Quitéria), e, sempre andando, uma dependência das já destruídas Portas de Santa Quitéria, ou Porta Nova, companheiras das Portas do Calvário (ainda que sem mármores). Mais acima, o antigo Quartel de Cavalaria dos Dragões de Olovença (século XVIII) dá-nos as boas vindas. Em frente deste, nas antigas cavalariças, um Centro de Lazer para Idosos ("Hogar del Pensionista") poderá ensinar-lhe miuta coisa !
A menos de 50 metros, está o novíssimo Centro Cultural de Olivença/Casa da Cultura/Universidade Popular. A cultura tem lugar de destaque na Moderna Olivença.
Em todas estas "voltas", poderão observar-se os muitos "Passos" da Paixão de Cristo de que Olivença dispõe. Estão um pouco por todo o lado, alguns com azulejos novos, executados por artistas/profissionais das Caldas da Rainha.
Há muita coisa para ver. É difícil dizer tudo !
Se, de facto, se pensa que a Cultura não são só monumentos, e nem só cidades, então, para além das Ruas Antigas já sugeridas, podemos visitar as aldeias dos arredores. Como, por exemplo, São Jorge de Alôr, cinco quilómetros para Leste. Veremos casas alentejaníssimas, e chaminés meridionais portuguesas de estonteante altura. Podemos, em alternativa, visitar São Bento da Contenda (7 Km. a Sudoeste), com o mesmo tipo de arquitectura, uma das povoações onde a Língua Portuguesa se mantém como língua comum.
Podemos ainda visitar Vila Real, 10 Km. a Oeste, frente a Juromenha, de cujo extinto Concelho foi parte até 1801. As características linguísticas e arquitectónicas continuam a surpreender...ou, nesta altura, talvez já não ! Ainda que, em Vila Real, em 2004 e 2005, muita coisa tenha mudado, com umas obras em várias das suas velhas casas. Pelos vistos, não se está a preservar como devia a velha traça popular na região...
Mas... vamos a São Domingos de Gusmão, 4 Km. a sudeste, aldeia quase abandonada por causa da emigração. Prosseguindo pela estrada que a esta conduz, a 20 Km. de Olivença, encontra-se Táliga, ou Talega, uma antiga aldeia que é hoje um Concelho independente da Terra das Oliveiras. Embora não tanto como noutras povoações, o Português alentejano ainda por lá subsiste... e é muito bem entendido... ainda que o possa não parecer à primeira vista !
Poderemos ainda visitar as aldeias novas de São Francisco e São Rafael de Olivença, 7Km. a Norte de Olivença, a primeira, e 9 a nordeste, a segunda. Só existem desde 1954. Claro, por isso as suas características arquitectónicas são diferentes, mas há por lá umas chaminés não previstas nos planos iniciais, e a população também vai falando e compreendendo a lusa fala... em versão planície.
Já que andamos por estradas várias, visitemos a velha Ponte da Ajuda (10 Km. a noroeste da urbe transodiana), destruída desde 1709. Não foi reparada depois, e a ocupação espanhola de Olivença em 1801 veio dificultar ainda mais as coisas. É um impressionante Monumento Manuelino (mais um ! ), que tem cerca de 450 metros, 19 arcos, e um largo tabuleiro de quase seis metros... o suficiente para se cruzarem duas carroças. Não se sabe quando, ou mesmo se será reconstruída. O que se fez nesse sentido esteve e está envolvido em acesa polémica.
Mas... desde 11 de Novembro de 2000, a cem metros ao sul da ruína, temos uma nova Ponte. A tal que há quem queira que se chame "General Humberto Delgado". Construída depois de quase uma década de desntendimentos diplomáticos. Ela lá está, ligando directamente a Elvas ( e a mais lado nenhum ! ), sendo considerada como infra-estrutura local ou municipal, e não internacional. Aliás, o Estado Português pagou-a integralmente. Uma história que teve e tem tantos episódios e condicionantes estranhos, que deveria merecer um livro...
Claro que, para quem sai de Elvas e se dirige somente a Olivença, a Ponte constituirá o primeiro local a visitar quando entrar na Região...
Voltemono-nos para outras coisas... ou outros pontos de interesse. Por exemplo, na estrada para São Jorge de Alôr há a Quinta de São João, ou da Marçala, ou dos Marçais... que esconde um Convento de Frades Franciscanos do Algarve, fundado talvez em 1500.
Encontramos muitos "montes" rurais alentejanos. Em número superior a uma centena. Encontramos...
Vamos a deter-nos com as indicações. Quem quiser, vá a Olivença. Descubra mais coisas. Escreva sobre isso, ou relate aos amigos. Parece-nos que já demos pistas suficientes !
Não caia no erro de querer visitar coisas entre as catorze e as dezassete horas locais, pois, durante três horas, tudo fecha. É a inevitável "Siesta"... a Sesta, que já se usou no Alentejo. Agora, dizem que vai acabar. Esperemos, para ver.
Ah, e procure visitar as Igrejas de manhã, pois de tarde só por acaso estarão abertas.
Por aqui ficamos. Visitou o que procurava. Ou, se veio de Badajoz, talvez tenha feito menos compras do que esperava, ou pelo menos, não onde as pensava fazer. Seja como for, foi decerto interessante descobrir Portugal... a pouco mais de 20 Quilómetros ao Sul de Badajoz !
Estremoz, texto revisto em 25 de Fevereiro de 2006
Carlos Eduardo da Cruz LunaJornal de Alenquer (Digital), NOTÍCIAS DO ALENTEJO (Jornal Digital),
05 Mar 2006
A VENERÁVEL "SERVA" MARIA DA CRUZ (1558-1635)
Não é muito habitual, no Alentejo, o surgimento de figuras ligadas á ortodoxia católica pelo seu misticismo. E, nos poucos casos em que surgem, muitas vezes, pelo menos inicialmente, começam por estar em desacordo com as hierarquias.
Foi o caso da "Venerável Serva" Maria da Cruz, tecedeira, filha de Bento Álvares e de Isabel Rodrigues, nascida em 1585 e falecida em 1 de Janeiro de 1635. Desde muito nova era muito dada às coisas da religião, e tida por muito piedosa. Logo, as suas orações foram consideradas como capazes de produzir milagres. Segundo algumas fontes, professou em 1614. Foi ministra da Ordem Terceira de São Francisco. Muito caridosa, era idolatrada pelas gentes, não só da sua terra, Olivença, como de toda a Raia alentejana, e até da vizinha Espanha.
Tanta fama de santidade, e mesmo de milagreira, pelo carácter pouco ortodoxo e quase fanático que apresentava, levou o Bispo de Elvas a interrogá-la, disposto até a entregá-la à Inquisição, em 1627, ano em que, festivamente, Olivença recuperava a sua Igreja de Santa Maria do Castelo, totalmente renovada... talvez infelizmente à custa de um edifício original templário do século XIII.
Todavia, pelas suas palavras e pela sua atitude, Maria da Cruz convenceu o Bispo da sua imaculada catolicidade, e foi pois deixada em completa liberdade. O Bispo em questão, D. Sebastião de Matos e Noronha, dirigindo-se à multidão que aguardava Maria da Cruz, terá dito: "Esta mulher é Santa, sem dúvida, porque tal foi a alegria que a minha alma recebeu ao falar com ela que não posso descrevê-la. E quando os efeitos são semelhantes a estes, não pode deixar de ser verdadeira a causa que os produz: este assunto é de Deus !"
Da mesma opinião foram os restantes membros do Clero e Autoridades que interrogaram Maria da Cruz.
Durante mais oito anos, até à sua morte, ninguém mais a incomodou. Antes a sua popularidade cresceu, e engrossou a fama de Santidade. O Bispado de Elvas orgulhava-se dela. A Rua onde nasceu (Rua de Santa Ana) passou a chamar-se Rua Madre Maria da Cruz.
O sentimento popular tocava as raias da idolatria, e a sua fama alargava-se. A sua morte, em 1635, não significou o fim da devoção. Continuou a ser recordada, até hoje, ainda que de forma progressivamente mais vaga.
Recordá-la é não deixar cair no esquecimento uma mulher que se destacou na sua época, e que foi muito querida dos seus conterrâneos, de muitos alentejanos em geral, e de pessoas de outras regiões.
Estremoz, texto revisto em 05 de Março de 2006
Carlos Eduardo da Cruz Luna
04 Mar 2006
OS IRMÃOS COUTO NA REVOLTA DO "MANUELINHO" DE ÉVORA (1637)
Entre os vultos de destaque do nosso alentejo, alguns há que são tão raramente lembrados que dir-se-ia que algum tipo de maldição os persegue.
Estão neste caso dois irmãos, de apelido Couto, de nomes Estêvão (1554-1638) e Sebastião (1567?-1639), ambos originários de Olivença, onde viveram na Rua da Pedra... hoje denominada, com pouco respeito pela História, "Calle Cervantes".
Estêvão do Couto formou-se na Universidade de Évora em 24 de Junho de 1539, doutorando-se em Teologia, na mesma Instituição, em 1596. Foi, aliás, Cancelário e Lente na mesma Universidade. Autor de vários textos e trabalhos, manuscritos, sobre Física e Metefísica, assim como de uma obra intitulada "Retórica", é mencionado na "Biblioteca Lusitana" de Barbosa Machado. É em geral considerado um dos grandes cérebros jesuítas do Século XVII, sendo muitas vezes citado elogiosamente.
Sebastião do Couto, tal como o irmão, entrou na Companhia de Jesus. Tinha então apenas 15 anos. Formou-se na Universidade de Évora em 23 de Janeiro de 1605. Foi Lente da Prima de Teologia em Évora e em Coimbra. Muito afamado, há notícias de ter pregado no Auto de Fé de 19 de Junho de 1619, em Évora... algo que hoje não se considerará muito elogioso, antes pelo contrário.
Parece que os dois irmãos se mantiveram sempre muito próximos, intelectual e fisicamente, excepto por pequenos períodos. Por isso, não causa espanto encontrá-los juntos em 1637, por ocasião da Revolta do "Manuelinho" em èvora. Ambos tiveram nela papel de destaque, em especial Sebastião.
Como é sabido, a Revolta do "Manuelinho" foi um protesto generalizado com algumas manifestações de violência à mistura ( queima de Arquivos, por exemplo ). Constituíu a primeira ameaça séria de revolta contra o Governo Filipino. Opressão fiscal, miséria social, falta de um governo próprio com efectiva capacidade de decisão, e outros, foram os motivos variados que levaram a tal levantamento, particularmente dinâmico no Alentejo e no Algarve, que abrangeu com poucas excepções ( Elvas, Moura, e pouco mais ), assolando ainda partes do Ribatejo e da Beira Baixa, e uma ou outra localidade fora dessas áreas (Guarda, Bragança). Só na Região de Évora, em sentido lato, ergueram-se Évora (centro do movimento), Montemor-o-Novo, Alandroal, Vila Viçosa, Borba, Canha, Vimieiro, Sousel, Avis, Olivença, Mourão, Viana do Alentejo, Alcáçovas, Vila Nova da Baronia, Alcácer do Sal, e outras localidades ainda.
As classes possidentes portuguesas, dado o carácter eminentemente popular da Revolta, hesitaram no procedimento a ter. Acabaram por ajudar a reprimir o levantamento, muitas vezes procurando ser elas próprias a fazê-lo com um mínimo de interferência de Madrid. Curiosamente, os Jesuítas apoiaram maioritariamente os rebeldes, apesar do reconhecido pendor ultracatólico do Rei de Espanha. Foram mesmo acusados de estarem entre os principais instigadores.
Seria interessante tentar compreender todas estas tomadas de posição, mas tal foge ao âmbito do presente trabalho. Para este. interessa, isso sim, que os dois irmãos Couto estiveram envolvidos na rebelião. Pela palavra e pela escrita, ambos, principalmente Sebastião, incitaram ao levantamento, percorrendo várias localidades. O próprio Duque de Bragança ( futuro rei D. João IV ) assinalou a presença do mais novo e activo dos irmãos, relatando estar "escondido na Igreja de Jesus". Nada há a estranhar na posição do duque, que se colocou contra os revoltosos, mesmo porque algumas das zonas rebeladas eram domínios seus.
A repressão obrigou Estêvão e Sebastião do Couto a esconderem-se, julga-se que principalmente em Conventos, vários porque não podiam estar muito tempo no mesmo sítio. Estêvão faleceu logo em 1638, sem nunca ter sido apanhado.
O Conde-Duque de Olivares, espécie de Primeiro Ministro espanhol, imaginou entretanto uma artimanha. Convocou a Madrid algumas individualidades portuguesas, para que lhe explicassem em detalhe o que ocorrera durante a Revolta. A artimanha estava em querer proceder à prisão dos suspeitos de instigação em Espanha, já que entre os Portugueses convocados estavam conhecidos opositores a Madrid, com especial realce para... Sebastião do Couto !
Parece que este saíu de Portugal com aparente normalidade, mas não chegou ao seu destino. Porque tinha uma idéia do que o esperava, desapereceu. As buscas em Portugal não resultaram. Faleceu em 21 de Novembro de 1639, ao que parece de morte natural. Estava sob disfarce num Convento... mas em Espanha, onde Olivares nunca sonharia procurá-lo... e muito menos encontrá-lo !
Afinal, nenhum dos dois irmãos vivia já no Primeiro de Dezembro de 1640, o que foi de facto lamentável, pois teriam decerto sentido uma imensa alegria. A História tem destas ironias. E foi o próprio Duque de Bragança que, com outros elementos das elites portuguesas, se pôs à frente duma nova e maior revolta, desta vez vitoriosa. A História ainda hoje se interroga se terão compreendido os sentimentos populares, se terão agido por interesse próprio, ou se terão tentado antecipar-se a uma nova revolta plebeia tomando a direcção do movimento em vez de serem ultrapassados. Talvez tudo um pouco. Mas esta discussão não cabe aqui.
Estremoz, texto revisto em 04 de Março de 2006
Carlos Eduardo da Cruz Luna
4 Mar 2006
Rei Carlos da Roménia entra em Portugal por Olivença
Rei Carol: a sua entrada no nosso país fizera-se por um local simbólico, Olivença
http://arquivodassombras.blogspot.com/2006/03/o-rei-carol-nosso-senhor.html
O Rei Carol, Nosso Senhor
Retido em Espanha, num exílio dourado, o rei Carol teria congeminado a eventualidade de se mudar para Portugal.Para tanto, o Ministro da Roménia em Lisboa avistara-se em quatro de Outubro de 1940 com o Embaixador Vianna, do MNE.Receoso e evasivo, o diplomata confiou ao papel a nota de conversa.
Nesse fugidio apontamento, o Embaixador deu conta de que o representante romeno, que então recebera, havia-se encontrado em Barcelona com o monarca do seu país e por causa disso «desejaria pedir o apoio do Governo português
a fim do rei poder vir para Portugal, visto achar-se retido, para não dizer detido, em Espanha a pedido do governo alemão, que recearia que de Portugal saísse para Inglaterra», razão pela qual Carol estaria «pronto a comprometer a sua palavra em que não sairia de Portugal» [AOS/CO/NE-1A,pt.18,fl. 316].Salazar leu o papel no dia 9 e o seu espírito geométrico e frio percebeu o essencial: o pedido da vinda de Carol para Lisboa tinha lógica e
fundamento.A descrição que lhe servia de envelope tinha todos os ingredientes para poder ser aceite. Era um caso humano e um pedido moral.Nesse plano das realidades aparentes, duas eram as razões que o fundamentavam. Primeiro, porque Espanha era, no contexto, a pior de todas as soluções para permanência do rei.A estadia de Carol no país vizinho, tendo toda a comodidade possível para a situação, estava, de facto, agravada pela situação de liberdade vigiada, pois todos os seus movimentos eram espiados pela «Seguridad» e Portugal oferecia todo o ar apetecível de uma terra de liberdade de movimentos.Além disso, alegadamente a Portugal uniam-no laços ditos «sentimentais», que se não verificariam em relação a Madrid.E é aqui que surgem as sombras da suspeita. Salazar, rápido, intui e compreende. O pedido tinha de ser deixado aqui no rol dos esquecidos. Aceitar o monarca
era bem pior do que agravar as tensões com os alemães, era reabrir o armário dos esqueletos da questão dinástica, que estava morta e enterrada, «entre naus e armaduras».Carol podia vir a por em crise já não a neutralidade internacional, mais até do que segurança interna mas, pior do que isso, ele atentava contra os próprios fundamentos do regime republicano, porque
corporizava a eventualidade de restauração monárquica, interrompida com ofalecimento de D. Manuel, II.Ele era o homem que podia ser rei.Para Salazar, para quem D. Manuel «falecera sem herdeiros nem sucessores», isso seria demasiado complexo. Carol era assim um problema a evitar.
A situação viria, entretanto, para o domínio público, através de um artigo que tinha todo o ar de haver sido plantado num jornal da periferia política, para o efeito de futura circularização da informação.Na sua edição de 07.11.41 o jornal de esquerda grego NEA publicara, de facto, um artigo
curiosamente assinado de Paris com o seguinte texto [AOS/CO/NE-2 pt. 47, fl. 320] no qual se faziam como picantes revelações que «O ex rei da Roménia, Carlos, que há pouco tempo chegou a Lisboa com a sua mulher a ex senhora Lupesco (sic), pode em breve, se o quiser, candidatar-se ao trono de Portugal, que permanece vago desde a morte do rei D. Manuel II. Com efeito Carlos é e o ante neto da Rainha Maria de Portugal que pelo seu casamento com o príncipe alemão Fernando teve três filhos: Pedro V, que morreu quando da peste, Luís I, herdeiro de Pedro e uma filha D. Maria Antónia. Maria
Antónia casou com Leopoldo de Hoenzollern e teve dele um filho, Fernando da Roménia, pai de Carlos. Dado que o ex rei Carlos é o descendente do ramo da dinastia portuguesa que permaneceu fiel à Constituição, ele tem, de acordo
com certos historiadores mais direitos do que o actual pretende D. Duarte Nuno que é descendente do ramo que se opôs à Constituição e foi por isso expulso de Portugal. Por isso vários se perguntam em Lisboa se no fim Carlos
irá reivindicar a Coroa portuguesa sobre a qual tem tantos direitos ou se, pelo contrário, preferirá ser restaurado no trono da Roménia, porque correm rumores de que Carlos está em vias de substituir o seu filho Miguel, que não
goza da simpatia dos comunistas romenos».Era dossier arrumado.Só que o que se não queria que entrasse pela porta, apareceu-nos pela janela.Em 3 Março de 1941 ressoou o alarme: Carol fugira de Sevilha e surgira, inopinado em Portugal, na companhia da senhora Lupescu.
Ainda por cima a entrada no nosso país fizera-se por um local simbólico.
De facto, o percurso do rei Carol na sua precipitada fuga de Sevilha para Portugal faz um curioso itinerário, simbólico para os independentistas portugueses. Seguido à vista pela «Seguridad» espanhola, o monarca prevalece-se da potência do automóvel, que conduzia, e pretextando visitar a cidade de Llerena avança direito a estrada que de Santa Olalla por Fregenal de la Sierra, Gerez de los Caballeros e Almendral se dirige a Olivença.
Perto da fronteira «o Rei e Madame Lupescu abandonaram o automóvel em que se tinham transportado e auxiliados pelas pessoas que os aguardavam, entre os quais o português Carlos Estebam Reynolds, que tem propriedades em Évora e Estremoz, internaram-se em Portugal, através de uma propriedade atravessada pelo Guadiana que naquele local serve de fronteira aos dois países»
[AOS/CO/NE-1A, pt. 18, fls. 335/336]. Reynolds era um homem ligado ao «intelligence service» inglês.
A princípio, ninguém conseguia compreender.Em Sevilha a polícia secreta espanhola supostamente perdera-lhe o rasto.Os termos em que tudo se passara aumentavam a confusão reinante.Ainda por cima, as primeiras suspeitas
estavam a ser «sopradas» contra a PVDE, a antecessora da PIDE, suposta ter feito a partida, para efeitos internos.A 5, pela tarde, autorizados a falar e amigos como sempre, os jornais de Madrid insinuavam que em Lisboa já se saberia da fuga.Agostinho Lourenço, o capitão de infantaria director da PVDE, desmultiplica-se em investigações com o refinado propósito de «sacudir água do capote».E, abre fogo em todos os azimutes.Primeiro demonstra, com
pormenores, como e em que medida a segurança espanhola foi lentamente abrandada, em termos de a veloz máquina real poder galopar as planícies de Castela sem vigilância à vista de espécie alguma, Sua Majestade, exímio no acelerador.Depois atira a doer sobre os ingleses. Os indícios comprometiam.Perante isso, é todo um dossier que se abre agora.Se de facto não foram os ingleses quem exfiltraram o Rei Carol, bem se riram eles do sucedido. O Embaixador Sir Samuel Hoare, futuro Visconde Templewood, então chefe da diplomacia britânica em Madrid confiaria às suas memórias «Ambassador with a special mission, 1946»: «Serrano Suñer, depois de lhe
prometer um refúgio seguro, internou-o em Sevilha, onde ele e a senhora Lupescu ficaram em confinanamento. O infeliz rei constantemente apelava para a minha pessoa, particularmente quando se tornou claro que os espanhóis
pretendiam entregá-lo aos alemães. Havia pouco que eu pudesse fazer. De facto, tendo em vista o passado do rei, tinha bons motivos para ignorar o seu apelo. Mas ele era filho de um príncipe inglês e, além disso, fugia à Gestapo. Estas razões levaram-me a protestar contra a vigarice e
desumanidade do Governo espanhol ao mantê-lo prisioneiro. Fiquei deliciado quando ele fugiu para Portugal».
O Rei Carol morreu em Portugal em 1953, os seus resto mortais foram transladados em 2003 para a sua Pátria de origem.
José António Barreiros
03 Mar 2006
VICENTE VIEIRA VALÉRIO ( 1770?-1818? ), UM DEFENSOR DA LÍNGUA PORTUGUESA
Há nomes e atitudes que a História, injustamente, vai esquecendo. Os tempos mudam, bem como as motivações. É a roda da História, inexorável, a fazer evoluir a Humanidade... nem sempre de forma inquestionável.
Não é fácil julgar com exatidão uma atitude do longínquo ano de 1805. Mas esquecê-la, e a quem a protagonizou, é o pior procedimento possível.
Estava-se no dia 14 de Agosto de 1805. Luís Dias presidia a uma sessão, muito especial esta, da Câmara Municipal de Olivença. Após serem tratados vários assuntos, o "Presidente" comunica que, a partir de então, as actas seriam redigidas em castelhano, coforme ordens superiores. O secretário, de nome Vicente Vieira Valério, protesta. A tradição diz que terá afirmado: "Esta é a última acta que escrevo. As outras, em língua estrangeira, não as faço. A minha mão nega-se a escrevê-las, e eu não as farei. Só sei escrevê-las na minha língua."
Ninguém o conseguiu demover. E escreveu: "Salla das sessões em Olivença, aos 14 Dyas do mez dagosto de 1805".
Era o fim. Vicente Vieira Valério deixava o seu cargo.
A tradição conta que naquele dia, por ironia suprema aniversário da Batalha de Aljubarrota, chovia, e que Vicente Vieira Valério, depois de ir a casa, terá percorrido a pé os dez quilómetros a que distava a destroçada Ponte da Ajuda. Ao voltar, amigos, parentes, e vários populares ter-lhe-ão oferecido os seus préstimos, no sentido de o ajudar. Orgulhoso, tudo rejeitou: "Obrigado, mas não quero viver de esmolas!"
Transformado em pária, Vicente Vieira Valério terá acabado por morrer à míngua de recursos... afinal, pelo simples facto de se negar a trair a sua cultura. Mesmo que haja algum exagero quanto a alguns factos, parece assente que morreu em situação de pobreza.
Pode-se discutir o que é o patriotismo, e que valos tem. Mas...principalmente hoje, em que tanto se fala da importância da Língua Portuguesa no Mundo e na necessidade de a defender, não se pode esquecer gente com esta determinação. Seria uma "distrcção" indesculpável.
Estremoz, texto revisto em 03 de Março de 2006
Carlos Eduardo da Cruz Luna
«A Segunda Missa no Brasil», quadro do pintor brasileiro Victor Meirelles, reproduzido em Carlos Malheiro Dias (org.), História da Colonização Portuguesa do Brasil, 1923, vol. II. Reprodução fotográfica de Isabel Rochinha.Jornal de Alenquer, 28-Fevereiro-2006 (Digital)
Fr. Henrique de Coimbra
(?-1532)
Na armada que se constituiu para a segunda viagem à Índia seguiam vários religiosos, entre os quais sete franciscanos tendo por guardião Fr. Henrique de Coimbra e que tinham por missão estabelecer uma comunidade religiosa no Oriente. Fr. Henrique fora desembargador na Casa da Suplicação, professara no Convento de S. Francisco de Alenquer, dos Frades Observantes, e, posteriormente, fora mestre espiritual e confessor das freiras fundadoras do Mosteiro de Jesus em Setúbal, onde D. Manuel o conheceu e, tendo apreciado o seu saber e as suas virtudes, o escolheu para esta missão, para a que obtivera aprovação papal.
A descoberta do Brasil durante a viagem, chamou-o à celebração de duas cerimónias relevantes deste acontecimento: a primeira, no Domingo de Pascoela, missa com pregação, e a segunda na chantadura de uma cruz de madeira com as armas e divisa de D. Manuel, símbolo de posse da terra descoberta, missa com pregação seguida da distribuição de crucifixos pelos índios. Em virtude deste desempenho, Maria Adelina Amorim entende que ele deve ser considerado como o «primeiro