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Olivença - Portugal Livre

Movimento Patriótico

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"Crer e Querer para Vencer"
 

Publicado desde 12 Setembro 2001

 

Notícias de Olivença  Março 2007

 

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«A Tomada de Olivença: português que é português tem de chatear um espanhol pelo menos uma vez»:

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NO LABIRINTO DE BABEL

24 de Mar de 2007,  "EXPRESSO",  Revista "ACTUAL",  Texto de Francisco Belard (4 páginas),  referencia a Olivença


"23 idiomas oficiais (por enquanto), 150 línguas regionais ou dialectos e um comissário que vê nisso uma oportunidade"

(...)Chame-se-lhe guerra ou concorrência, há sempre línguas que procuram dominar outras, através do prestígio social, do sistema de ensino, da legislação, da poibição, das migrações, da expulsão dos falantes, etc.. Velhos países como a França ou mais modernos como a Espanha recorreram a alguns desses métodos para impor a língua do Estado a milhões de habitantes que não a usavam (Portugal, com fronteiras mais antigas e a mesma língua em todo o território, não precisou de homogeneização forçada).

Estados ainda mais recentes (do século XIX) como a Alemanha e a Itália adoptaram um alemão-padão («alto alemão?») e um italiano com base no toscano e na linhagem literária de Dante a Manzoni (por exemplo), passando por cima de inúmeros "dialectos" frequentemente sem inteligibilidade recíproca. NA PEQUENA MAS IMPORTANTE PARTE DO ALENTEJO QUE A ESPANHA ANEXOU NO COMEÇO DO SÉCULO XIX, O PORTUGUÊS FOI PROIBIDO NA ESCOLA ATÉ AGONIZAR EM PLENO SÉCULO XX. A Espanha franquista proibiu línguas internas para afirmar o "espanhol" (castelhano).

(...) Portugal tem uma língua oficial em todo o país, e só no extremo nordeste existe outra, hoje reconhecida pelo Estado, o mirandês (não do grupo galaico-português, mas do asturo-leonês). Daí que a questão das línguas europeias diga pouco aos portugueses. (...)

 

DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 18-Março-2007  
(Pequena nota na pág. 48 /ARTES)


PATRIMÓNIO:   RAIA QUER SER PAISAGEM CULTURAL DA HUMANIDADE
Responsáveis portugueses e espanhóis reúnem-se a 23 e 24 de Março, em Badajoz, para pedir à UNESCO que declare a zona fronteiriça entre Prtugal e Espanha Paisagem Cultural da Humanidade. A raia central ibérica tem 1234 quilómetros e é uma "franja elástica" que precisa de ser inventariada, catologada e planificada. Trata-se da raia mais antiga consolidada na Europa desde o Tratado de Tordesilhas, de 1297 (*), e nela se sobrepõem estratos de civilizações de diversas épocas.
__________________________________________________________(NOTA PESSOAL: UM ERRO, AO SER COMETIDO, REPETE-SE...REPETE-SE...?)

(*) Confusão com o Tratado de Alcañices, esse sim, de 1297. O de Tordesilhas, que nada teve a ver com fronteiras luso-castelhanas, é de 1494; por outro lado, por causa da "Questão de Olivença", esta raia NÃO ESTÁ CONSOLIDADA. O que se pretende, com a ingénua cobertura da UNESCO, é que a fronteira do Guadiana seja reconhecida por Lisboa. Basta uma distracção, uma assinatura do Estado Português, e fica tudo "decidido". Esperteza. E há portugueses metidos nisto! Anjinhos ?


Esta notícia é uma reprodução simplificada da que se segue:
DIÁRIO DIGITAL, 16-Março-2007
UNESCO: Portugal pedirá que Raia seja Paisagem Cultural
Responsáveis portugueses e espanhóis reúnem-se a 23 e 24 de Março, em Badajoz, numas jornadas técnicas de preparação para pedir à UNESCO que declare a zona fronteiriça entre Portugal e Espanha Paisagem Cultural da Humanidade.
O director-geral do Património Cultural de Espanha, Francisco Pérez Urban, disse hoje que o pedido deve ser apresentado em conjunto por Portugal e Espanha, abrangendo as regiões situadas de ambos os lados da Raia.
O responsável espanhol indicou que vários especialistas em património cultural dos dois países se deslocarão a Badajoz para falar sobre a investigação e gestão do património em Évora, a paisagem cultural, o urbanismo e a arquitectura de Olivença e o património cultural de Badajoz e Elvas.
O professor catedrático de Análise Urbana e Regional da Universidade da Estremadura espanhola e director das jornadas, Antonio José Campesino, precisou que os estudos sobre o património da Raia Ibérica remontam a 1982.
Campesino, que também é vice-presidente do Instituto para a Conservação de Monumentos e Sítios Históricos, explicou que a Raia Ibérica tem cerca de 1.234 quilómetros.
«É a raia mais antiga, consolidada na Europa desde o Tratado de Tordesilhas, de 1297» e nela se sobrepõem estratos de civilizações de diferentes épocas, acrescentou.
Na sua opinião, a Raia Central Ibérica é uma «franja elástica», que precisa de ser inventariada, catalogada, conhecida, planificada e gerida.
 

  UM VELHO COMUNICADO (2003)

 4 de Mar de 2007  
( Este velho comunicado tem o seu interesse histórico, por recordar uma situação importante de 2003, e em especial algumas reacções de responsáveis espanhóis então, principalmente no "item" "A SITUAÇÃO ACTUAL (2003)(CHAUVINISMOS)". Há coisas que convém não esquecer...)

COMITÉ OLIVENÇA PORTUGUESA    COMUNICADO
ESTREMOZ, 30 de JULHO DE 2003

       
Perante o volume de notícias que têm surgido na Impprensa, nos últimos dias, sobre Olivença e a Velha Ponte Manuelina da Ajuda, entende o Comité Olivença Portuguesa tomar posição sobre alguns dos factos vindos a lume.
Não é possível compreender certos aspectos sem recordar alguns acontecimentos mais antigos, pelo que esta tomada de posição terá de recuar no tempo antes de tecer outras considerações.

O ACORDO DE 1994 (E SEU DESENVOLVIMENTO ATÉ 1999)

Em 24 de Agosto de 1994, noticiava um periódico (O PÚBLICO) que Portugal, após acordo difícil com Madrid, assumia a construção integral da Ponte da Ajuda sobre o Guadiana. Era referido que tal era feito para não "prejudicar a posição portuguesa sobre Olivença", e repetia-se tal: "isto porque se o investimento fosse partilhado por ambas as partes, a posição de Portugal, que não reconhece a soberania espanhola sobre Olivença, sairia enfraquecida, e poderia ser interpretada como um recuo relativamente a Madrid!"
O Jornal espanhol "Hoy", logo no dia 25 de Agosto, referia a notícia. E, no dia 26, o mesmo jornal, referindo-se a que no acordo se falava na construção de uma outra ponte, paga só por Espanha, precisava que ESTA NÃO FICARIA SITUADA EM OLIVENÇA, MAS SIM EM ALGUM LUGAR DA FRONTEIRA A DETERMINAR. Realmente, ainda recentemente, foi inaugurada uma ponte na Beira Baixa, construída só por Espanha, entre os dois países.
Mas... voltando ao passado... encontramos notícias sobre o acosdo em 10 de Dezembro de 1996 ("Notícias do Alentejo"), 12 de Dezembro de 1998 ("Público"), e, com menos pormenores, 9 de Junho de 1999 ("Visão"). Algumas frases repetem-se: "...qualquer protocolo seria encarado como o reconhecimento jurídico de uma situação de facto, ou seja, seria o reconhecimento por parte de Portugal de que Olivença é território espanhol. NENHUM GOVERNO QUER FICAR NA HISTÓRIA POR TER ASSUMIDO ESTA SITUAÇÃO"(1996). Ou outra: "o Estado português não se pode envolver em nenhum projecto QUE ENVOLVA O RECONHECIMENTO DO TRAÇADO DA FRONTEIRA NUM LOCAL EM QUE NÃO HÁ CONSENSO QUANTO A ELE."(1998)
A construção da nova Ponte da Ajuda começou em 1999, e decorria rapidamente, até que, em Agosto de 1999, foi subitamente interrompida (até Fevereiro de 2000), por razões nunca reveladas. Em 11 de Novembro de 2000, foi inaugurada a obra, sendo visível a preocupação de não dar ao evento qualquer cariz que o pudesse considerar "internacional".

UM INCIDENTE ESCONDIDO

Em 2000, e em 2001, avolumaram-se os rumores de que seria a Espanha a restaurar a velha Ponte dada, o que provocou alguma perplexidade. Coube ao "Linhas de Elvas", e à jornalista Ana Ferraz Pereira (11 de Maio de 2001), revelar a verdade, confirmada pelo espanhol "Hoy" de 20 de Maio seguinte, quando o ministro português Jaime Gama visitava Badajoz.
Assim, em Agosto de 1999, com a nova Ponte já a roçar a margem oliventina, a "Guardia Civil" espanhola, por ordem do Governador Civil de Badajoz, Oscar Baselga, tinha chegado ao local das obras e apreendido todo o equipamento da empresa portuguesa, em desrespeito total por tudo o acordado entre Lisboa e Madrid. Numa série de encontros, mantidos mais ou menos secretos, Mérida e Madrid tinham acordado deixar seguir a obra, e Lisboa e Évora aceitavam ser a Espanha a recuperar a Velha Ponte.
Pela parte que toca a Portugal, tal acordo violava o decidido antes, bem como o espírito da Constituição (Artigo 5.º), bem como as posições conhecidas da Diplomacia das Necessidades.
No jornal "Hoy" de 18 de Maio de 2001, citado, referia-se que seria a Junta da Extremadura a recuperar a Velha Ponte, e não Madrid, comentando um responsável, com assombrosa sinceridade, que "na realidade é o Governo (de Espanha) quem redige o projecto e que custeará as obras".
Perante protestos de grupos e cidadãos portugueses, vários responsáveis espanhóis, nomeadamente em artigos de opinião, atacaram o "nacionalismo" e "radicalismo" de sectores lusitanos, afirmando e reafirmando que no Espaço Europeu já não fazia sentido falar de fronteiras.
Sendo o silêncio (e o secretismo) uma constante em torno do assunto, resolveu um grupo organizado (Grupo dos Amigos de Olivença) conseguir uma decisão judicial que impedisse o Estado Português de cometer aquilo que se afigurava ser uma ilegalidade e um erro. E, já em Julho de 2001 (dia 18), um Tribunal deu-lhe razão. O próprio Ministério dos Negócios Estrangeiros eceitou, no dia 20, a decisão.

A SITUAÇÃO ACTUAL (CHAUVINISMOS...)

As reacções espanholas foram imediatas. Responsáveis vários protestaram pelos mais diversos meios, falando em "monstruosidade", falta de espírito europeu, nacionalismo fora de moda... como se não fosse "nacionalismo" falar em termos tão indignados de ofensas à DIGNIDADE NACIONAL ESPANHOLA... para já não falar do nacionalismo colonialista evidente na ocupação há duzentos anos da região de Olivença, com todas as omissões históricas e repressão cultural respectivas. Políticos e comentaristas protestaram ruidosamente contra a falta de cumprimento de Tratados assinados por parte de Portugal...esquecendo...(para já não recuar até aos tratados de 1810-1814-1815-1817)... a operação da "Guardia Civil" no Guadiana em Agosto de 1999, já referida! Até se falou de reflexos da situação no projecto de comboio de Alta Velocidade (TGV), no seu traçado por Badajoz e Elvas ("Hoy", 27 de Julho de 2001)! Responsáveis houve que declararam querer fazer meia Ponte sobre o Guadiana, como meio de

dizer "até aqui chega o meu território" ("Periódico Extremadura", 27 de Julho de 2001)!... no que pode ser interpretado, ironizando, como uma forma "original" de reafirmar que as fronteiras já não têm importância na Europa Moderna e de se auto-excluírem de posições nacionalistas "fora de moda"!!!
A Câmara de Olivença, mostrando como o nacionalismo já nada lhe diz, declarou, por unanimidade, "personae non gratae" os membros do Grupo dos Amigos de Olivença e do Comité Olivença Portuguesa (25 de Julho de 2001), reafirmou o carácter plenamente espanhol de Olivença, recordou com toda a rotundidade (sic) a dita espanholidade, recordou a indissolúvel unidade da NAÇÃO espanhola, e o respeito absoluto pelas respectivas identridades nacionais decorrentes da União Europeia. E tudo por unanimidade, esquerda e direita (PP, PSOE, Esquerda Unida). Claro, tudo isto numa lógica de rejeição de velhos ideais ultrapassados... como salta à vista!
Há, em todo o exposto, um conjunto de contradições que não podem ser esquecidas... e factos que se pretende fazer esquecer. Não é, pois, casual o tom irónico deste comunicado... e isto omitindo outra constante da Imprensa espanhola dos dias citados, e que é o tom optimista e sensacionalista com que se anunciam progressos em Conversações com a Grã-Bretanha, a propósito do grande objectivo NACIONAL espanhol: a recuperação de Gibraltar, há quase trezentos anos impedida de se reintegrar na humilhada NAÇÃO ESPANHOLA... ( parece que, nesta situação, não existem manifestações de Nacionalismo! )
Voltemos, todavia, aos problemas ligados à Ponte da Ajuda... e, neste caso, talvez o último facto seja a notícia do "EXPRESSO" de 28 de Julho de 2001... segundo a qual o Estado Português vai recorrer da decisão do Tribunal que o proibiu de tocar ou de "deixar tocar" na Velha Ponte da Ajuda... apesar de o Ministério dos Negócios Estrangeiros ter anunciado antes o acatamento da mesma.
A coincidência desta decisão do Estado Português com as reacções espanholas mais extremadas lança mais um elemento de dúvida e de incompreensão sobre o que ainda se poderá esconder por detrás deste caso e sobre o que afinal se pretende fazer.
O Comité Olivença Portuguesa recusa-se a tirar conclusões precipitadas... mas reclama uma clarificação da posição do Estado Português diante de todos os acontecimentos tornados do domínio público, sob pena de se abrir caminho às mais variadas, precipitadas, e mesmo ofensivas posições e interpretações em face de tão rocambolescas alterações em torno do processo de recuperação da Velha Ponte da Ajuda.
Estremoz, 30 de Julho de 2001
O Presidente do Comité Olivença Portuguesa,
Carlos Eduardo da Cruz Luna

 

 RAZÕES PORTUGUESAS
A QUESTÃO DE OLIVENÇA: UMA VISÃO PORTUGUESA
por CARLOS EDUARDO DA CRUZ LUNA
Publicado na Revista "O Pelourinho",Badajoz, Abril 1999

Confesso que me sinto um pouco apreensivo ao começar a escrever esta visão portuguesa sobre a tão discutida "Questão de Olivença". Isto porque os preconceitos e, vamos lá, os disparates e medo que rodeiam esta problemática a tornam de difícil análise sem suscitar risos de troça, entusiasmos, ou gestos de raiva.
Talvez um artigo como este, desassombrado e directo, seja o melhor caminho para se discutir esta questão com mais respeito e menos agressividade, o que não quer dizer que se acabem com os argumentos, nem com a paixão posta neles. Antes pelo contrário !!!
Vou mesmo citar alguns dos argumentos e opiniões mais despeitados. Peço que me leiam como um Português Médio, conhecedor da Questão Oliventina segundo os Argumentos Portugueses, irritado com algumas das afirmações espanholas mais ouvidas e que mais considera erradas. A frontalidade, nestes casos, é, às vezes, uma boa forma de cura!
Falar de Olivença é falar de algo que dói. O Português, em geral, teme a Espanha, e desconfia das intenções desta em relação a Portugal. Olivença é a expressão mais sentida desses receios.
Os disparates não tardam. Muita gente crê que Olivença foi trocada por Campo Maior. Isso é uma falsidade histórica, alimentada pela Ditadura. Olivença e outras localidades passaram para Portugal em 1297, pelo Tratado de Alcanizes. Outros povoados passaram então para Castela-Leão.
Depois, há quem afirme que Olivença é tipicamente espanhola e os seus habitantes puros espanhóis. Evidentemente que, face às autoridades espanholas, isso assim será. Contudo, consultar uma Lista Telefónica e ler a enorme quantidade de apelido portugueses em Olivença, ou ir à Localidade e encontrar quase só Monumentos Portugueses, construídos entre os Séculos XIII e XVIII, não contribuem para convencer um Português. Pelo contrário, convence-se que algo, nessa história, não bate certo.
Impressiona o esforço de alguns para inventar uma Olivença na História de Espanha. Ora, ela não existiu, a não ser em conflitos, na História da Maior Nação Ibérica. Toda a História de Olivença faz parte da História de Portugal, nas suas glórias e fraquezas. Olivença e o oliventino são, em Espanha, segundo uma visão portuguesa, uma presa de guerra. Claroque um oliventino não é discriminado. Mas sabe-se que já o foi e, de qualquer forma, o que é, actualmente, não o pode transformar num descendente de antigos espanhóis, porque ele é, e sempre, um descendente de Portugueses.
Diz-se que o Português falado em Olivença é um "chaporreo", um mau português. Só que, como essa forma de falar é comum a meio milhão de Portugueses do Alentejo, está-se a chamar errada à maneira de falar de muita gente. Em Portugal, não se fala só Português de Lisboa!
Ouve-se que em Espanha se vive melhor, e que o oliventino não quer ir de cavalo para burro. Esse rgumento, para além de ser uma forma interesseira de patriotismo, não tem em linha de conta que as situações económicas de Portugal e Espanha têm variado ao longo dos séculos, e que ninguém sabe, dentro de vinte ou trinta anos, como estará esse equilíbrio. E não digam a um Português que a Espanha, sendo maior, tem mais desenvolvimento! A Suíça, a Holanda, a Bélgica, a Áustria, são países menores que Portugal mas mais avançados do que a Espanha. Também esta, um pouco maior que o Japão, está bem atrás deste!
Entre outros argumentos, diz-se que, em 1815, as poucas linhas dedicadas pelas grandes potências à questão de Olivença não obrigam claramente a Espanha a devolver o Território. Só que as poucas linhas dão, inicialmente, razão a um outro documento, onde se conclui ser ilegal a ocupação espanhola. Só a leitura completa dos documentos permite compreender o alcance das tais poucas linhas. E, não esqueçamos, a Espanha assinou as resoluções de então, ainda que só em 1817 por causa de questões italianas.
Talvez o que mais indignação cause em muitos portugueses sejam os argumentos simplistas, quase primitivos, e a dualidadede critérios, usados por alguns estudiosos e políticos espanhóis. Vejamos alguns.
Ouve-se dizer que Olivença é espanhola porque fica na margem esquerda do Guadiana. Ora, também o ficam as localidades portuguesas de Mourão, Moura, Serpa, e Barrancos, e isso não constitui óbice a que sejam reconhecidamente portuguesas. Por outro lado, sendo este argumento simplista, é tentador fazer um pouco de humor, e lembrar que ficam na margem DIREITA do rio em questão (e, portanto, pela lógica apresentada de que a Portugal cabe só a margem DIREITA do Guadiana) muitas localidades espanholas. Mérida, por exemplo. Levar este raciocínio às últimas consequências poderá levar a conclusões absolutamente hilariantes.
Também se diz que Olivença era um enclave português em terra espanhola, esquecendo-se que há outros territórios em igual situação. Barrancos, vila Portuguesa, ou Cedillo ou Baroncelli, vilas espanholas. Além disso, como um enclave muitas vezes subentende um enclave correspondente do lado contrário, resta provar se Olivença era um enclave Português ou se, em alternativa, eram Alconchel e Cheles um enclave espanhol entre as localidades portuguesas de Olivença e Barrancos. Será que as fronteiras entre Portugal e Espanha deveriam ser traçadas em linha recta? Ou, se os enclaves devem ser eliminados, o que vai suceder à catalã Llívia, encravada no Rossilhão francês? Como é possível, com seriedade, aceitar argumentos destes?
Discutir problemas com alguma racionalidade é uma coisa. Outra coisa é troçar da inteligência de cada um.
Alguns exemplos de dualidade de critérios? Também os há. Diz-se, por exemplo, que o Tempo resolveu o problema, desde 1801 até hoje (1999). Como pode um Português levar isto a sério, sabendo que a Espanha reclama Gibraltar, ocupada desde 1704? Estamos claramente diante de uma dualidade de critérios... acrecendo ainda que, considerando o Tempo como legimitador de ocupações, correremos o risco de assistir a anexações por todo esse mundo fora, bastando apenas que a anexação se prolongue no tempo para a tornar legal. Que campo favorável fica assim aberto a todos os imperialismos deste planeta!!!
O plebiscito em Olivença é muitas vezes proposto para resolver a questão. Aparentemente democrático, não o é porque se verificaram cerca de 170 anos de colonialismo. Até à década de 1930, Portugal propôs plebiscitos em Olivença. O Estado Espanhol nem sequer resposta dava. Entretanto, uma educação exclusivamente espanhola moldava as mentalidades. Na época franquista, ser pró-português era inviável. Em mais de cem anos, castrou-se cultural, histórica, e linguisticamente um povo, ao ponto de membros deste povo se envergonharem de si mesmos e da língua ancestral. Actualmente, depois da castelhanização desenfreada de muitos e muitos anos, já se considera aceitável o plesbicito. É evidente que, sem um período de informação/formação de algumas dezenas de anos, e sem estarem claramente garantidos os níveis de vida e Assistência Social adquiridos entretanto pelas populações, um plesbicito não pode ser considerado válido.
Mas ainda há mais! Ouçamos Abel Matutes (Ministro espanhol dos Assuntos Exteriores), a propósito de Gibraltar, em 26 de Setembro de 1997, não esquecendo que naquela colónia britânica 99% da população votou por continuar a ser governada por Londres: "Gibraltar é uma situação colonial por resolver (...); supõe um atentado contra a integridade territorial espanhola e não lhe é aplicável o Direito à Autodeterminação (...). O Território de Gibraltar era parte integrante de Espanha(...). (Prometo aos gibraltinos...)...uma oferta muito generosa que, depois da integração de Gibraltar em Espanha, permitiria aos actuais habitantes desta colónia conservar nos aspectos fundamentais a sua actual situação económica e jurídica."
(Note-se ainda que, se a anexação de Gibraltar foi, e infelizmente, mais ou menos legal, Olivença é vista como estando ILEGALMENTE ocupada desde 1807, ou 1815-1817. Todas as administrações em Olivença desde, pelo menos, 1817, são consideradas pelo Estado Português como ilegais!)
As palavras de Abel Matutes deixam muitos portugueses estupefactos, pois está-se perante o que consideram uma escandalosa, quase hipócrita, dualidade de critérios. Penso que não será preciso explicar detalhadamente porquê...
Há responsáveis que dizem que Olivença não tinha importância nos tempos portugueses. Isto é uma falsidade histórica, pois Olivença era a décima terceira cidade portuguesa no século XVI. Basta ver o Património Monumental Português em Olivença para se compreender que tal afirmação não pode ser verdadeira. E, como diz a História de Extremadura da Bibl. Pop. Extr. de 1993, "Em 1801, o território extremenho ver-se-ia repentinamente aumentado com a IMPORTANTE cidade de Olivença - ENTÃO TÃO GRANDE E POVOADA COMO BADAJOZ - conquistada a Portugal (...)". (trad. do espanhol)
Ouve-se também o argumento de que Olivença já tinha sido espanhola antes de ser portuguesa em definitivo em 1297. Ora, esta povoação e o seu termo (que incluía mais ou menos Táliga) tinham então pouca importância, como aliás outras povoações castelhanas e portuguesas, em virtude da indefinição de fronteiras. Só depois de 1297 as povoações então tornads de vez portuguesas e castelhanas foram de facto verdadeiramente povoadas e organizadas.
Este argumento dá a entender que a anexação espanhola de 1801 foi uma "recuperação de território". Ora, e dentro da LEGALIDADE, a Olivença de então era totalmente diferente da de 1297, quando seria uma aldeia, talvez fortificada em tempos, com quiçá duzentos habitantes. Após quinhentos anos de vivência LEGAL portuguesa, falar em recuperação é um contra-senso. Aliás, os apelidos oliventinos, mesmo nos nossos dias, são esmagadoramente portugueses... mesmo após a espanholização administrativa geral que sofreram.
Aprofundemos um pouco este aspecto. Imaginemos que Portugal ocupava Valença de Alcántara, que foi sua antes de 1297, e que, apesar de por um qualquer tratado ter de a devolver a Espanha, mantinha a localidade sob o seu domínio dizendo que tinha sido portuguesa até 1297! Como toda a vida organizada de Valença , bem como o seu povoamento, foram leoneses/castelhanos/espanhóis, mesmo porque em 1297 houve troca de populações, este argumento pecaria por ridículo ! LEGALMENTE espanhola desde 1297, Valença de Alcántara não podia ser alvo de uma tal argumentação, por ser absurda!
Também se diz que Olivença foi fundada, não por Templários Portugueses, mas sim por Templários Leoneses (o mesmo se aplicando a Táliga). Aqui, de facto, há mais dúvidas que certezas. Um excelente livro ("Oliveza y el Tratado de Alcañices", de Manuel Martínez Martínez, Ayuntamiento de Olivenza, 1997) equaciona as origens possíveis dos Templários que fundaram Olivença e Táliga, e, em minha opinião, conclui que, mais do que portugueses ou Leoneses, eram mais simplesmente Templários, fazendo um pouco o seu próprio e quase exclusivo jogo. Contudo, após alguns problemas em Castela-Leão, os Templários começaram a ser vistos como servindo os interesses dos Reis de Portugal. Afastados da Região Oliventina, terão influenciado o Rei Português (D. Dinis) a incluir o território dentro das fronteiras lusas, já que tinham sido eles os seus primitivos "reconquistadores" aos muçulmanos. Uma vingança, de certo modo.
Este autor argumenta com todo o cuidado, e o seu trabalho parece ser o mais completo e honesto publicado até ao momento.
Já não constitui um argumento muito válido considerar que a ocupação terá sido primitivamente leonesa pela posição geográfica e pela proximidade de Badajoz. Na corrida luso-"espanhola" de reconquista ao longo do Guadiana, tentaram os reis portugueses, contra até acordos já assinados, cortar o caminho aos seus vizinhos, ocupando as duas margens do Guadiana. Até Ayamonte foi ocupada pelo Rei Português Sancho II ! Nos territórios a Leste do Guadiana, vários povoados, hoje andaluzes ou extremenhos, tiveram origem portuguesa (casos de Arouche e Aracena). Com honestidade, poderá dizer-se que a situação na fronteira foi confusa no século XIII, até à assinatura do Tratado de Alcanizes em 1297. As fronteiras então definidas foram mantidas até durante a União Ibérica de 1580-1640, com excepção de São Feliz dos Galegos, que leonesa-castelhana ficou, deixando Portugal de a reclamar, de vez, no século XV.
Ao longo do tempo, sempre políticos e organizações portugueses, para além do próprio Estado, têm reclamado Olivença e tentado resolver o problema. No geral, concordam todos num ponto: a ocupação espanhola é ilegal, pelo que há que estudar maneira de acabar com ela.
Não resisto a citar um argumento já ouvido mais de uma vez: Portugal não tem reclamado Olivença com força suficiente. Ora, isto pode significar que o Direito só é válido se puder ser imposto. Não há obrigações éticas, e, portanto, noções de honra ou de deveres de cumprimento de obrigações. Isto significa, em última análise, que se não é obrigado a cumprir o que se assina como correcto se a isso não se for obrigado pela força. O que leva qualquer pessoa a perguntar, algo estupefacto, se o que Portugal deveria ter feito era invadir a Espanha, em vez de esperar que esta cumprisse o que se considerava ser sua obrigação. Melhor ainda, não é honrado cumprir deveres, mas é honrado perpetuar uma ilegalidade! Será que os autores deste argumento têm consciência da lógica absurda em que caiem?
Voltando às tentativas de recuperação por parte de Portgal... o que choca é vê-las classificar como demagógicas, isoladas, loucas, esquerdistas, fascistas... esquecendo SEMPRE que o próprio ESTADO PORTUGUÊS MANTÉM ESSA REIVINDICAÇÃO ! Aliás, usa-se uma técnica de estigma pela classificação política em polos diferentes. Assim, e só para nos ficarmos pelos tempos mais recentes, as autoridades espanholas franquistas classificavam como equerdistas as posições dos grupos portugueses que reclamavam Olivença, nomeadamente o Grupo dos Amigos de Olivença; e, de facto, em alguns movimentos, estavam opositores ao Salazarismo. Noutros, estavam alguns salazaristas. Muito honestamente, pode-se dizer que tai movimentações tinham pessoas de vários quadrantes.
Em 1975, os portugueses que reclamavam Olivença eram de extrema-esquerda, dizia-se em Espanha. Já em 1976 e 1977, eram classificados de salazaristas e saudosistas. Grandes contradições, na verdade!
Concretamente, o preconceito e o desprezo eram anota dominante. Por preconceito, chegou-se a classificar o Presidente do Grupo dos Amigos de Olivença em 1977 como Salazarista, num livro publicado na década de 1990, a partir duma informação de uma revista de 1975 ou 1976. O ridículo disto é que se tratava do Professor Hernâni Cidade, um dos maiores e mais populares opositores a Salazar, que, pelo seu prestígio internacional, e nacional português também, o ditador sempre teve de libertar logo após tê-lo mandado prender (deter). Assim, neste tipo de argumentação, chega-se ao grotesco, à difamação.
A Guerra Civil de Espanha tem sido também usada para denegrir Portugal na Questão de Olivença. É evidente que o papel de Salazar no conflito, ao entregar aos franquistas os refugiados espanhóis que sabia irem quase todos serem fusilados, e o apoio que deu ao ditador espanhol, são uma vergonha para Portugal e para os Portugueses. Não tenho pejo em afirmar que assumo como reprovável uma tal actuação, e que certamente os modernos democratas portugueses (porque os de então pouco puderam fazer) estão comigo, bem como o Povo Português em geral. E, todavia, as autoridades portuguesas, no meio da barbárie, tinham instruções para protegerem aqueles que provassenm ser oliventinos, através da correcta pronúncia de algumas palavras em Português. Com excepções pontuais, isso foi feito. Claro, o regresso de muitos oliventinos a casa foi cruel, já que as autoridades franquistas, receosas que alguns "comunistas" tivessem escapado graças à tolerância portuguesa, os perseguiram sem piedade

. E o ditador Salazar nada fez contra isso, já que ele próprio era ferozmente anti-comunista, e a Polícia Política Portuguesa também não conhecia a palavra piedade. Todavia, e criticando sempre e sem perdão o ditador português, há que dizer muito claramente que quem desencadeou a Guerra Civil, quem praticou massacres, quem matou e perseguiu, foram as autoridades espanholas, que, neste caso, foram mais carrascos que autoridades... como o povo espanhol deve saber muito melhor do que eu! E digo tudo isto porque, na crítica que se faz a Portugal relativa à Guerra e a Olivença, por vezes, julgar-se-ia que Salazar teve mais culpas que Franco! Ora, sem esconder responsabilidades, o que é de assinalar é que tanto Portugal como Espanha estiveram sob o Domínio de ferozes Ditaduras, que não podem ser esquecidas nem, muito menos, repetidas. O caso espanhol foi mais grave, pois o totalitarismo nasceu após uma Guerra, situação em que o humanitarismo, muito mais do que em outras situações, é esquecido.
Talvez o argumento mais traiçoeiro utilizado seja o de que Portugal não deve reclamar Olivença porque agora, na União Europeia, "já não há fronteiras"!
Antes de ser traiçoeiro, é falso: não há fronteiras enquanto BARREIRAS, mas elas existem administrativamente. Um Espanhol paga impostos a Madrid, um Português a Lisboa. Vive-se dentro dos limites de um País, de um Distrito, de um Concelho.
Mas... e voltando ao argumento de que agora "já não há fronteiras", ... se, de facto, as fronteiras já não têm o antigo significado e o peso nacionalista de outros tempos... por que diabo se insiste em colocá-la no Guadiana, diante de Olivença? Por que não colocá-la nas ribeiras de Olivença, Táliga, e Alcarrache? Aliás, a integração na União Europeia é até uma garantia para as populações de que o seu nível de vida, direitos, leis, não serão afectados. Nem sequer haverá problemas com trocas de nacionalidades, ou outras burocracias! Tudo mais fácil! A fronteira não tem importância? Tudo bem! Vamos colocá-la onde legalmente Portugal acha que ela se situa! A dizer-se não a isto, qualquer português pode pensar que, para a Espanha, só lhe interessa desprezar a fronteira quando isso lhe é favorável...
Creio já me ter alongado muito, mas espero ter dado uma idéia dos argumentos que mais causam alguma indignação em Portugal a propósito da Questão de Olivença.
O que magoa, mais do que tudo, é talvez o preconceito. Olivença é um assunto "tabu". Informação minimamente objectiva, é quase inexistente. Em compensação (?), demagogia, frases grandiosas, propaganda, indignação, Xenofobia, Chauvinismo, não faltam.
Não será tempo de se poder discutir este assunto, mesmo apaixonadamente, sem se cair em histerias nem atitudes ofensivas? Não se poderá dialogar, mesmo discordando?
Carlos Eduardo da Cruz Luna / Estremoz, 3 de Fevereiro de 1999
 

 

 

Revista "ATLÂNTICO", Março-2007
Pág. 64
DESTE MUNDO E DO OUTRO
O MARIALVA
A ALDEIA MAIS PORTUGUESA DE PORTUGAL
-Rodrigo Moita de Deus-
(uma gravura que representa uma criança entre um cavalo e um touro)
Foi há poucas semanas. O "31 da Armada" (31daarmada.blogs.sapo.pt) produziu um vídeo em que dois aventureiros se passeavam nas ruas de Olivença e deixavam uma bandeira portuguesa no alto do castelo. Graçola. Mas a graçola deu polémica, valeu protestos, discussões em fóruns e até reportagens no jornal. A caixa de comentários do YouTube, onde está o vídeo, parece Aljubarrota com os espanhóis fazendo de cavalaria e alguns patriotas fazendo de padeira. Até o alcaide da vilória, publicamente vexado, foi obrigado a explicar-se. Disse ele qude a graçola só foi possível porque o edifício da polícia "estava em obras".
Julgava que já ninguém queria saber de Olivença? Desengane-se. De um lado e do outro da fronteira, o tema dura ainda. Perdura. Sobreviveu à monarquia, à queda da monarquia, à primeira república, ao estado novo e à democracia. Sobreviveu a governos de extrema-esquerda, de extrema-direita, moderados, centristas, liberais, conservadores e socialistas. Nem no auge do regabofe abrileiro algum comunista se lembrou de reconhecer a soberania espanhola sobre Olivença. Do império feito e desfeita não há memória de qualquerr outro conflito territorial que tenha durado tanto.(NOTA À MARGEM DO TEXTO: não é totalmente verdade, pois o conflito de Gibraltar dura há 300 anos; FIM DA NOTA) E já lá vão mais de duzentos anos. A secular teimosia política em não reconhecer a soberania espanhola é dos poucos dogmas de um país que já passou por quase tudo. E porquê? Por um estranho desígnio pessoano? Para chatear os espanhóis? Ou por simples caturrice?
Mas se é verdade que não deixamos que Olivença seja espanhola, também não fazemos nada para que seja portuguesa. Sabemos que não podemos, sabemos que não conseguimos, sabemos que não nos deixam. Mas teimar obstinadamente que reconhecer a impossibilidade. É por isso que há nesta nossa birra algo de profundamente romântico e de genuinamente português. Um misto de mau perder, esperança e honradez de pobre. Olivença é nossa? OLIVENÇA SOMOS NÓS.

 

Barragem de Alqueva

 

 "DIÁRIO DO SUL", 28-Fevereiro-2007
AlentejoAgroRural  e a PÁTRIA

A Pátria ,como a saúde , a liberdade e outros, é um bem cuja grandeza só é entendida,,em toda a sua plenitude ,depois de perdida .Daí que aqueles que tenham passado pela desdita de dela ter precisado , como ultimo recurso, para manter a dignidade senão mesmo a integridade física, têm o dever de alertar os seus concidadãos para a sua superior valia .. Podem até certas pessoas alegar que a sua pátria é o mundo. Será, para eles, até os factos lhe demonstrarem o contrario. Não o é certamente para o comum cidadão que moureja , emigrado por aí, que exulta embevecido ao referir-se à sua pátria e sente na carne o facto da sua integração, em terras estranhas, ser sempre relativa.

PARA QUE SERVE ? interrogam-se aqueles ,porque a têm , nunca sentiram a sua verdadeira finalidade . Interiorizei isto ,por amarga experiência vivida , aquando de uma fuga dramática do ex-ultramar. Tamborilava na minha cabeça a repetitiva cantilena: --" vai-te embora branco colono explorador que esta não é a tua terra ". Terra, pátria, valores que, a partir desse momento ,assumiram, em mim, uma grandeza até então não sentida. E no meio da debandada , de milhares de pessoas em desvairada corrida, interrogávamo-nos:-- aonde está a nossa pátria que nos entrega ,sem apoio , á barbárie ? Soubemos , mais tarde, que a nossa pátria estava doente , com tal gravidade , que ainda hoje não se recuperou .
Foi assim que, no verão de 1975 , chegamos ,com vida , cerca de cem mil portugueses , aos campos de concentração de refugiados , de Cullinann ,arredores de Pretória ,Africa do Sul .Connosco vinham estrangeiros ,predominantemente agricultores alemães ,residentes em Angola desde antes da ultima guerra e alguns com origem no ex-Sudoeste Alemão , agora Namíbia . Esses , mal chegavam, eram visitados e recolhidos pelos respectivos cônsules aos quais as autoridades sul-africanas prestavam uma invejável deferência .Contrastando connosco e representantes do nosso pais , em relação aos quais eram arrogantes e sobranceiros .Nós ,para eles ,éramos os poltrões que fogem sem dar luta e a nossa pátria resvalava para o comunismo .Para eles , porque duros senão mesmo violentos ,ser cobarde ou comunista são comportamentos desprezíveis .Esta estranha atitude não invalidava o apreço que tinham pela nossa história ,tida de homens determinados e valentes . Daí
manterem um elevado respeito pelo padrão implantado por Bartolomeu Dias assim como a gruta do correio de Vasco da Gama .Para eles mais do que um lugar de turismo , é uma espécie de culto . Até mesmo as duas melhores avenidas da cidade do Cabo , tinham os nomes desses nossos navegadores .O que ,francamente , nos embevecia mas, por outro lado , nos colocava uma interrogação ;- como foi possível termos caído tão baixo ? .

MAS O QUE È A PÀTRIA ?- Convêm abordar esta seriíssima questão , agora que há alguns portugueses para quem a Pátria não ocupa o lugar cimeiro na sua hierarquia de valores. Antes sim permitem-se sondagens que mais não são do uma denuncia da baixa moral de quem as produz .A pátria não se discute ,dizia Salazar ,o ditador que errou , excessivamente , nos mais variados domínios , mas não neste .
Mas ,em suma , o que é a nossa pátria ? É este espaço físico sobre o qual se exerce a nossa nacionalidade ,se fala uma língua própria e se foi construindo uma história .A língua e a história são , porem , valores adquiridos que só perduram enquanto este espaço territorial for nosso .Isso deixa de acontecer , tal como COM OLIVENÇA, se o perdermos O espaço territorial ( a terra ) , esse sim constitui a essência da pátria e congrega , em si , esses e muitos outros valores . Daí haver alguma estranheza ouvir responsáveis defender que as empresas ,tidas por estratégicas (tanto quanto os conheço não se referem ao mundo rural ) , devem permanecer em mãos nacionais ,sem que tenham uma postura , tanto ou mais determinada , quando se trate do nosso espaço territorial já que o somatório de todas as explorações agrícolas corresponde exactamente ao tamanho da nossa pátria

O ÂMAGO DA PATRIA é o mundo rural .Porem , nesse campo ,somos a mais absoluta negação em termos de eficácia Defendi , há vinte anos ,sem resultados visíveis , que o estado , através da Caixa Geral de Depósitos , deveria apoiar a aquisição de terra própria ,nos moldes em que o faz para casa própria .Com isso aproveitávamos os abundantes recursos financeiros , disponibilizados pela PAC, para o efeito . Aliás era uma antecipação do que agora faz o banco Santander na aquisição do Alentejo por parte dos espanhóis Não há ,pois , entre nós, uma visão estratégica para o nosso mundo rural Há antes sim uma inépcia agrícola gritante .A prova-lo esta o despovoamento mais parecendo um vazio humano ; a falta de produção devida ao sequestro da terra ; o facto da maior parte da região ser detida por quem não exerce a actividade ; a incapacidade das gentes rurais defenderem o seu espaço e os seus valores É uma inépcia que já deixou de surpreender . Agora, que nã
o consigamos fazer a interacção entre agricultura e pátria , já é surpreendente porque displicente .
Francisco Pândega (agricultor ) /// e-mail-fjnpandega@hotmail.com //// blog-alentejoagrorural.blogspot.com

 

 

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Fazer parte da Espanha?  O que fazem na Galiza, fariam os espanhóis em Portugal!!

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http://www.biologydaily.com

/biology/Olivenza(gives an excellent description about Portugal's claim to Olivença (in English)

Enciclopédia "Kiwi"
http://www.wikipedia.org

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http://www.odci.gov/cia/

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