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"Crer e Querer para Vencer"
Movimento Patriótico
OLIVENÇA e JUROMENHA: 750 Km2 do Alentejo, Portugal, estão iligítimamente e ilegalmente ocupados e colonizados pelos espanhóis desde 1801. Com Az(n)ar ou sem ele, ainda a Espanha insiste por uma estratégia universal de apoderar-se e desmembrar, como tentou fazer em 1807 pelo Tratado (hispano-francês) de Fontainbleu, todo o nosso país.
Não é isto realmente toda a verdade, ainda em 2004, sempre à moda castelhana, da política imperialista de Madri?
Notícias de Olivença Novembro 2004
25 de Novembro de 2004 VERGONHOSO!!
Jornal "ALENTEJO POPULAR" (Beja e Évora)
Pelos vistos, a versão "falsificada" do texto da C.I.A. sobre
Olivença está a ser "engolida" parolamente por muitos portugueses,
incluindo grupos de Teatro. Veja-se a incrível e preocupante notícia
do "ALENTEJO POPULAR", jornal progressista, de 25 de Novembro de 2004, que se segue, só um pouco diferente de do "DIÁRIO DO SUL")
EM SERPA E EM MÉRIDA
"TERRA DE NINGUÉM"EM CENA PELO BAAL 17 E LA PORTUÑOLA
(fotografia: um cartaz, com actores de teatro, segurando um mapa da península Ibérica, em que uma bandeira americana flutua sobre OLIVENÇA; lê-se, no cartaz, "Terra de Ninguém/Tierra de Nadie"; texto de Miguel Murillo e Cándido Gómez; encenação de Rui Ramos; Cenografia de Sara Machado; música de Álvaro Fernandez Carazo; Interpretação de Alfonso Blanco, Cándido Gómez, Cristina de Aldo, Marco Ferreira, Sónia Botelho, Telma Salão e Lourdes Murillo)
BAAL 17 Companhia de Teatro na Educação no Baixo Alentejo
(o texto que se segue mostra que estes cavalheiros não conhecem o texto ORIGINAL e INTEGRAL da C.I.A. de 2003 sobre OLIVENÇA; pior: vão caricaturar uma situação A PARTIR DE UM ERRO!!!)
Dois grupos de teatro, um de Serpa e outro de Badajoz, estreiam,
no próximo dia 30, na cidade alentejana, a peça de teatro "Terra de
Ninguém/Tierra de Nadie".
Algures na fronteira entre Portugal e Espanha existe uma pequena
(msemo muito pequena) república -- a República de Técula-Mécula.
(NOTA: a Técula-Mécula é um doce tradicional português de Olivença,
que, com um nome ligeiramente diferente, Téculo-Meco,se faz também no Crato; voltemos ao texto da notícia:)Neste estado soberano e independente reina o amor e a harmonia. Apesar das heterogeneidades culturais e das diferentes simpatias
pelos dois países vizinhos os habitantes desta República vivem
felizes -- ignoram o mundo e o mundo ignora-os. Mas certo dia,
não se sabe como, Técula-Mécula aparece representada nos ficheiros da C.I.A. como um estado agressivo susceptível de possuir armas de destruição massiva...
Estará Técula-Mécula preparada para a guerra...?
Mais... Estará o Mundo preparado para outra "guerra
preventiva"...?
Este o ponto de partida de "Terra de Ninguém/Tierra de Nadie"
que as companhias de teatro Baal 17 (de Serpa) e La Portuñola (de
Badajoz) apresentam nos próximos dias.
"Terra de Ninguém/Tierra de Nadie", uma COMÉDIA MUSICAL de
Miguel Murillo e Cándido Gómez, estreia a 30 de Novembro no Cine-
Teatro de Serpa, realizando-se também espectáculos também a 1,2, e 3
de Dezembro no Cine-Teatro Municipal, em Serpa, e a 17 de Dezembro
na Sala Trajano, em Mérida.O espectáculo tem encenação de Rui Ramos,
Cenografia e figurinos de Sara Machado da Graça, Música
de Álvaro Fernández Carazo , interpretação de Alfonso Blanco,
Cândido
Gómez, Cristina do Aido, Marco Ferreira, Sônia Botelho, Telma Saião
e Lourdes Murillo, iluminação de Mafalda Oliveira, direcção musical
de Erica Mandillo e edição de vídeo de Tiago Fróis..
FIM DO ARTIGO
(nota: é possível que a peça tenha alguma graça, e até pode
chegar a conclusões positivas; o que "irrita" é que, tudo o indica,
tenha por detrás uma leitura de um texto da C.I.A. que nunca
existiu, isto é, a C.I.A. NUNCA afirmou ser Olivença uma fonte de perigo, nem a comparou a Gaza e Caxemira; SÓ A PROPAGANDA ESPANHOLA CONVENCEU MUITOS QUE ASSIM TINHA SIDO, e, apesar das insistentes cartas e proptestos, NÃO FOI PUBLICADO AINDA, EM ESPANHA, O VERDADEIRO E ÚNICO TEXTO ELABORADO PELA C.I.A. EM 2003. Vergonhoso...)Fonte: Carlos Eduardo da Cruz Luna (Estremoz)
Ler ARTIGO RELACIONADO de 03 de Outubro de 2003 por Carlos Eduardo da Cruz Luna
Martins da Cruz NÃO NEGOU QUE EXISTIA UM DIFERENDO
Não gosto (minimamente) da C.I.A.. Convém esclarecer este ponto para que não haja confusões. E, consequentemente, não reconheço autoridade à C.I.A. para opinar sobre assuntos exteriores aos Estados Unidos. Todavia, há que analisar a recente referência à C.I.A. no seu contexto, e, principalmente, ler o QUE LÁ ESTÁ!!! Mentir (sim, mentir!) sobre isso não me parece um meio de se conseguir esclarecer seja o que for.
Em 14 páginas, a C.I.A. refere todas as disputas internacionais que
descobriu, incluindo algumas entre o Canadá e os próprios Estados
Unidos, e entre estes e o México, e mesmo o conflito sobre Gibraltar. Em parte nenhuma se compara Olivença a Gaza ou a Caxemira, apenas se refere (pela primeira vez) que há uma questão por resolver. " Um dia terá de se resolver esse problema", como disse Martins da Cruz, o Ministro dos Negócios estrangeiros de Lisboa em 4 de Setembro de 2003. NÃO NEGOU QUE EXISTIA UM DIFERENDO, embora não lhe dando muita importância. Afirmar que ele disse que não existia não corresponde à verdade.
O melhor é vermos o que a C.I.A. diz. Sobre Portugal, diz
apenas:"Portugal tem periodicamente reafirmado reivindicações sobre os territórios em redor da Cidade de Olivenza (Espanha)". Sobre Espanha, diz mais:" Os habitantes de Gibraltar votaram esmagadoramente em referendo contra o acordo de total partilha de soberania discutido entre a Espanha e o Reino Unido para mudar 300 anos de governo da Colónia; Marrocos protesta contra o controle espanhol sobre os enclaves costeiros de Ceuta, Melilla,
o Peñon de Velez de Gomera, as ilhas de Peñon de Alhucemas e as ilhas Chafarinas, e as águas circundantas; Marrocos rejeita também o traçado unilateral de uma linha média a partir das ilhas Canárias, em 2002, para estabelecer limites à exploração de recursos marinhos, e interdição de refugiados; Marrocos aceitou que os pescadores espanhóis pescassem temporariamente na costa do Sahará Ocidental, depois de um derrame de crude ter sujado bancos de pesca espanhóis; Portugal tem periodicamente reafirmado reivindicações sobre os territórios em redor da Cidade de Olivenza(Espanha)".É isto que se pode ler no relatório da C.I.A., que cita conflitos em
todas as partes do Globo, não sendo a esmagadora maioria minimamente violentos.
O que é incompreensível é que TODOS os jornais espanhóis tenham
noticiado que "A CIA inventou um conflito que ninguém conhece", ou que "A CIA compara Olivença a Gaza e Caxemira", ou que "A CIA pensa que há terroristas em OLivença". Pior do que tudo, é dizer que a discussão em torno de Olivença foi uma invenção e que ninguém tinha ouvido falar dela.
Francamente, só por piada de mau gosto, ou por má-fé, se pode dizer tal coisa. Que imprensa é esta? Que responsáveis políticos são estes? Não se lhes pede que concordem ou não com a justiça da disputa. É natural que opinem que não há razões do lado português. Dizer, mentindo, que a C.I.A. inventou tudo, ou que ninguém ouviu nunca falar disso, que é pouco ético!
*********************************25 de Novembro de 2004
Grupo dos Amigos de Olivença
Viva o 1.º de Dezembro!
No próximo 1.º de Dezembro comemoram-se 364 anos da Restauração da Independência.
Olivença foi das primeiras povoações a aclamar D. João IV como seu legítimo soberano, logo em 5 de Dezembro de 1640, identificando-se com a divisa que lhe fora outorgada pelos Reis de Portugal:
NOBRE, LEAL E NOTÁVEL VILA DE OLIVENÇA!
Ocupada militarmente por Espanha em 1801 e mantida sob o seu domínio, Olivença não pode hoje viver, com os demais portugueses, a sua Portugalidade.
A usurpação de Olivença, em violação da História, da Cultura, da Moral e do Direito, constitui alerta eloquente para todos os portugueses que querem um Portugal livre e independente.
Lembrando a ocupação estrangeira do território oliventino e apelando à participação cívica de todos na exigência da sua retrocessão, o Grupo dos Amigos de Olivença participará como habitualmente nas comemorações
nacionais do Dia da Restauração.
Convidam-se todos os associados e apoiantes a integrarem a Comitiva do Grupo dos Amigos de Olivença que se concentrará, no dia 1.º de Dezembro, às 15:30 horas, frente à sua sede, na Casa do Alentejo, dali saindo para
comparecer nas cerimónias públicas que terão lugar às 16:00 horas, na Praça dos Restauradores, em Lisboa.
Olivença É Terra Portuguesa!
Lisboa, 24-11-2004.
A Direcção
Rua das Portas de S. Antão, 58 (Casa do Alentejo) - 1150-268 Lisboa
www.olivenca.org olivenca@olivenca.org
Tlm: 967 431 769http://port.pravda.ru/portugal/2004/11/26/6626.html
http://www.venuscreations.ca/commentsview.asp
*********************************
15 de Novembro de 2004
http://jornal.publico.pt/publico/2004/11/14/EspacoPublico/O05.html
Um Novo Modelo de Segurança e defesa para o século XXI
LOUREIRO DOS SANTOS".....assim como situações absurdas de aparente submissão, como é o caso de Olivença."
********************************14 de Novembro de 2004
O culto dos «souvenirs» da guerra peninsular
http://semanal.expresso.clix.pt/actual/outros.asp
.........
"Militarmente, foi uma vergonha e ainda hoje se chora a perda
de Olivença."****************************
10 de Novembro de 2004
ESTRANHOS APLAUSOS EM TORNO DE OLIVENÇA
O "24 HORAS" do dia 10 de Novembro de 2004 deu-me o prazer de ler um texto fabuloso, intitulado "Viva Olivenza". Um cidadão deste nosso Portugal, por ele classificado de "pindérico" País, ou, mais
simples mas depreciativamente, "este País", aplaude os acontecimentos, recentes de dois meses, nos quais um grupo de portugueses, "armados" de algumas bandeiras, quis saudar a passagem da Volta a Espanha em Olivença... ou "Olivenza", como ele diz. Esses portugueses foram enxovalhados, chegando algumas autoridades locais, reforçadas por contingentes mobilizados para o efeito, a tratar mal a Bandeira Portuguesa. Tudo isto acompanhado de alguma repressão a jornalistas portugueses. O Cidadão em causa diz que se riu muito, e que está já "aos pulos" para poder gozar a recepção que terá em
Olivença quando ali for pedir para NUNCA quererem ser portugueses.
Portanto, um grupo de portugueses é maltratado, símbolos nacionais são desrespeitados, numa localidade legalmente PORTUGUESA, e o cidadão acha graça. Presumo que terá achado graça à falta de reacção das autoridades portuguesas também. É de morrer a rir.
Este cidadão, que, numa opinião válida numa discussão própria de um País Democrático, tantas vezes se mostra apreciador da Espanha, tem nesta apreciação razão num ponto: se um grupo de cidadãos
espanhóis viesse a Portugal e lhe sucedesse algo parecido, logo Madrid, a Imprensa espanhola, e sabe-se lá quem mais, protestariam veementemente, nos jornais, em canais diplomáticos, por todos os
meios possíveis e imaginários. Viva España, sem dúvida.
Também num País menos "pindérico", que também o é porque há muitos cidadãos pindéricos, opiniões como estas seriam muito menos bem vistas do que por cá. É, de facto, necessário dizer mal do que
está errado, obrigatório, mesmo, mas nada se resolve com o pessimismo simplista e cómodo de que nada há a fazer por Portugal, e que portanto o melhor é esperar o fim, que está escrito no destino.
E esta estúpida e suicida atitude é considerada quase como a única possível num intelectual moderno! Intelectual, quase sempre, convencido de que o País é demasiado pequeno para o seu génio.
Infelizmente, tenho de concordar com o dito cidadão,que até manifesta algum respeito pela minha pessoa e pelo que faço, o que agradeço, quando ele diz que as nossas elites parecem apostadas em
entregar Portugal à administração espanhola.
A única diferença é que eu tento, sem raiva à Espanha que não faz mais do que lhe é permitido, lutar contra essa predisposição e essa catastrófica orientação. Não vejo interesse em que tal suceda, e
procuro contrariar tal político. Não ajo como se tal fosse o nosso destino colectivo, e procuro, evitando posições de pessimismo extremo ou de análise simplista, com humor simplório e fácil, pensar
em alternativas...dentro do respeito pela Democracia e pelo Direito Internacional. Não consigo achar graça a que se diga "Viva Olivenza"(como consegue um Português, lendo à portuguesa, pronunciar isto?), nem tampouco "Viva Oporto", ou "Viva Braganza". Tal como um espanhol não acha graça ao ouvir "British Gibraltar".
Carlos Luna, Estremoz*********************
Imprensa Nacional...
30 de Outubro de 2004
Jornal "REGIÃO SUL", AlgarvePrimeira Página > Actualidade > Notícia
A Questão de Olivença está pendente desde 1815: De quanto tempo mais é que precisam?
"Os direitos de soberania de Portugal são indiscutíveis", disse Carlos Consiglieri
Carlos Consiglieri, licenciado em Economia e Espelialização emEconomia Política Avançada e autor do livro "Olivença: Reflexões sobre a Usurpação e Aculturação" veio à Biblioteca Municipal de
Portimão, no passado dia 21 pelas 21:30 horas, falar sobre "AQuestão de Olivença".
Como membro do Grupo de Amigos de Olivença, Carlos Consiglieri insurgiu-se contra a ilegal ocupação espanhola do território de Olivença, dado que "os direitos de soberania de Portugal são
indiscutíveis e nenhum especialista em Direito Internacional os pode pôr em causa".
Fazendo um recuo do ponto de vista histórico, o orador relembrou que Portugal possuiu este território durante 500 anos e falou sobre os interesses de Espanha relativamente a Olivença.
Os oliventinos desconhecem as raízes portuguesas, mas vivem num território que, segundo a lei, é português
A questão Oliventina está pendente desde 1815, altura em que Espanha foi obrigada, através do Tratado de Viena, a devolver esta localidade a Portugal, no entanto, até hoje a situação continua irregular. É caso para dizer que se houvesse petróleo neste
território a lentidão do processo seria consideravelmente menor.
Actualmente, ainda não está definida a fronteira entre os dois países na região de Olivença, faltando colocar 100 marcos na delimitação fronteiriça entre os dois estados ibéricos.
Para além das questões geográficas, coloca-se o problema dos oliventinos desconhecerem o vinculo político, histórico e cultural que os une a Portugal, dado que apenas conhecem a história deste território pós-ocupação. No entanto, o orador deixou claro que o que está em causa não é uma decisão da população, mas sim um imperativo constitucional, porque "o Direito Internacional não caduca".
É necessária "uma revolução lenta da mentalidade da população", através do contacto com a cultura portuguesa em bibliotecas e em escolas, e da intervenção da comunidade europeia no sentido de
decretar uma administração comum do território de Olivença.
Uma pergunta impõe-se aos governos de Portugal e de Espanha: "Quanto tempo mais é que precisam para legalizar esta situação?"
Luísa Palma*****************************************************************
O PERIGO ESPANHOL E OLIVENÇA
Não pretende este trabalho analisar profundamente o problema do “Perigo Espanhol”, mas tão só reflectir sobre um caso concreto, muitas vezes relacionado com a problemática de se tentar “adivinhar” qual poderia ser o futuro de Portugal se, por qualquer motivo, ficasse sob o domínio de Madrid.
Antes, talvez seja de recordar as palavras de Jordi Pujol, dirigente da Catalunha, ao “Expresso” de 12 de Outubro de 2002: «...imagine que em 1640 a sublevação Portuguesa tinha sido derrotada, e que desde então até hoje Portugal estivesse incorporado (...) em Espanha; Portugal teria sofrido a supressão das Instituições Políticas, do poder Administrativo Português, a perseguição da sua cultura e a proibição do ensino do Português nas escolas, na administração, na comunicação social e, inclusivamente, durante muitas e muitas décadas, a proibição de que se editassem livros em Português ou até mesmo que se desse catequese em português. Imaginem (...) que hoje a Praça dos Restauradores se chamasse Praça Felipe III e a Alameda D. Afonso Henriques se chamasse Alameda Felipe I.»
Será interessante discutir se Jordi Pujol estará ou não a exagerar. Não nos é possível saber o que sucederia exactamente se Portugal tivesse perdido no conflito de 1640-1668. Ao fim ao cabo, só há um caso concreto, e é esse que aqui se vai analisar, de um território de cultura portuguesa unido com Madrid. Trata-se da região de Olivença.
Não é possível saber se, unido a Espanha, Portugal seria transformado numa Gigantesca Olivença. Talvez a dimensão de território e o peso da população não tivessem permitido tal. Todavia, mesmo sem se chegar à situação do “Território das Oliveiras”, causa alguma apreensão pensar simplesmente que se poderia chegar a uma situação intermédia, de tal forma negativa em certos aspectos ela se apresenta hoje em Olivença. É que... intermédia seria ainda bastante mau!
Já se sabe. Olivença foi conquistada por Espanha em 1801. Segundo a interpretação diplomática portuguesa, o tratado que se seguiu foi anulado em 1807, e tal anulação foi reconhecida pela Europa em Viena de Áustria em 1815, em documento assinado por Madrid em 1817.
O problema começa aqui. Mais de 80% dos Oliventinos desconhece tais factos, e acreditam que Olivença foi trocada por Campo Maior, ou que veio para Espanha no dote de uma Rainha, ou qualquer outra historieta sem fundamento histórico.
Mas há mais. Em nenhuma escola de Olivença se ensina a verdadeira História da região, mas tão só a História de Espanha. E isto desde há duzentos anos. O Oliventino cresce a aprender (e a lutar por) uma história que não é sua.
É verdade que se ensina português em Olivença actualmente. Mas só no Ensino Primário. No Secundário, tal não foi autorizado. E, claro, aprende-se o Português como algo de folclórico, algo de exterior à região. O velho português alentejano, falado pelos idosos, é desvalorizado. Não há continuidade geracional.
A nível de consciência colectiva, o Oliventino tem poucas referências. Os seus apelidos e a toponímia, sempre que possível, foram adulterados, traduzidos, mudados. E não vislumbram esforços no sentido de reverter tal situação.
Os apelidos “sobreviventes” são explicados das formas mais engenhosas possíveis. Por exemplo, a mais comum é dizer que se tem um antepassado vindo de Portugal. Após falar com vinte oliventinos, mais de metade afirma ser essa a origem do seu nome. Donde se conclui, com espanto, que das duas, uma: ou os locais não têm consciência de que os nomes eram quase todos portugueses na sua terra durante séculos e séculos, ou que vagas de imigrantes portugueses escolheram misteriosamente a região de Olivença para se instalarem... opção obviamente ilógica.
Como se imagina, é desconcertante ouvir dizer que nomes como “Vidigal” ou “Valério” são espanhóis... principalmente neste último caso, pois um dos heróis da resistência Lusófona em Olivença chamava-se Vicente Vieira Valério, que, por não querer escrever em castelhano, ficou sem recursos para sobreviver. Contam-se pelos dedos das mãos os oliventinos que conhecem este nome.
É chocante ouvir um professor de História de Olivença, de apelido Silva, dizer que os Portugueses não devem reclamar o território, tal como os espanhóis não reclamam Campo Maior...
Muitos outros exemplos podiam ser dados, como o de se argumentar que o nível de vida é superior em Espanha (nunca se diz que já foi superior em Portugal; nessa época a Ditadura Franquista reprimia todo o sentimento português; e, claro, esquece-se que o nível de vida de Gibraltar é superior ao de Espanha), o de se dizer que Olivença só cresceu sob domínio espanhol (recorde-se que, em 1801, Olivença era comparável a Elvas e Badajoz, e que no século XIX decresceu... mesmo porque muita população foi obrigada a refugiar-se em Elvas, Alandroal, Vila Viçosa, etc. ), ou o de se dizer que entre 1297 (Tratado de Alcanizes ) e 1801 Olivença foi território espanhol ocupado por Portugal!!!
Apenas os Monumentos dão aos Oliventinos alguma noção de que algo não-espanhol existiu na localidade... e mesmo assim com algumas confusões. O casario, tradicionalmente igual ao meridional português, vai sendo demolido ou abandonado. As chaminés alentejanas vão desaparecendo... bem como as janelas estreitas e os “poiais”.
As autoridades locais, mais “abertas” em democracia que noutros tempos, não conseguem resolver tais contradições. Pelo menos os monumentos estão muito bem cuidados e aproveitados, e nesse campo só se pode aplaudir. Mas... são corpos sem “alma”!
Todavia, mantêm-se vivos inúmeros preconceitos antiportugueses, baseados em concepções “culturais” absurdas, falseadas, mesmo xenófobas. Que não nasceram do acaso. Houve uma “Desportugalização” intencional e legislada (não esquecendo a proibição da língua desde o século XIX), variando de intensidade mas sempre presente, e nunca esquecendo a repressão franquista, época em que tal política foi particularmente intensa.
È espantoso o que se pode encontrar em Olivença, se se aprofundar a análise Histórica aos aspectos sociais, culturais, económicos, ou outros. É toda uma destruição de uma cultura, uma negação da história, uma perversão das consciências.
Dir-se-á que Olivença é uma região de 454(sic) quilómetros quadrados, e um caso pontual. Como alguém já disse, uma “ Borbulha” nas relações Luso-Espanholas.
E, contudo, uma “ borbulha “ com duzentos anos, tratada com tanto desrespeito na sua substância, submetida a tantos atropelos, não permite encarar com optimismo uma eventual União de Portugal e Espanha.
Talvez Madrid ainda não o tenha compreendido, mas a sua persistência em não reconhecer dúvidas (diplomáticas) sobre a posse do território, em “calar” qualquer queixa portuguesa, alimenta, e muito, aquilo que alguns consideram um mito: o “Perigo Espanhol”.
Mas diga-se também, em abono da verdade, e quase a concluir, que o “Perigo Espanhol”, a existir, deverá ser também fruto do pessimismo português. O hábito de, por tudo e por nada, se descrer das capacidades portuguesas, de se considerar que o País “não vale a pena”, e que os portugueses são pouco inteligentes ou incapazes, não ajuda em nada à afirmação, saudável e não chauvinista, de Portugal.
Veja-se o caso de Olivença: há duzentos anos que se chora a sua ocupação, mas, para além do não-reconhecimento da presença espanhola, pouco se tem feito. Salazar, que tão nacionalista surge no pensamento de tantos, sabia o que o Franquismo estava a fazer na cidade: descaracterização total! E todavia, nunca interpelou Franco a tal propósito.
Políticos e élites (escritores, jornalistas, etc.) continuam a evitar falar de Olivença. Como se receassem um anátema. Continuam sempre a considerar que não é o momento oportuno. E há duzentos anos que pouco se faz. Porque é politicamente incorrecto. Porque é de direita. Porque é de esquerda. Porque as relações com Espanha são desfavoráveis. Porque as relações com Espanha são óptimas. Porque não devemos perseguir ilusões.
“Não. As ilusões nunca são perdidas” - dizia Bento de Jesus Caraça – “Elas significam o que há de melhor na vida dos homens e dos povos. Perdidos são os cépticos que escondem sob uma ironia fácil a sua impotência para compreender e agir; perdidos são aqueles períodos de história em que os melhores, gastos e cansados, se retiram da luta sem enxergar no horizonte nada a que se entreguem”.
Talvez o “Perigo Espanhol” esteja, afinal, nas limitações de cada um dos portugueses.
Estremoz, 21 de Outubro de 2002
Carlos Eduardo da Cruz Lunahttp://viriatos.blogspot.com/2003_11_02_viriatos_archive.html
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OLIVENÇA : UM COLONIALISMO ESQUECIDO
(Olivença: Duzentos Anos de Ocupação: 1801-2001)
Universidade Lusíada de Lisboa
17, 18 e 19 de Maio de 2001
Em 27 de Fevereiro de 1801, a Espanha, com o apoio francês, declarava Guerra a
Portugal. Logo em 20 de Maio, Olivença capitulava, sem combate, enquanto Campo
Maior resistiu com bravura dezoito dias, e Elvas não se entregou. Em 6 de Junho
de 1801, portanto após pouco mais de um mês de Guerra, era assinada em Badajoz a
paz, que punha termo à ironicamente chamada Guerra das Laranjas, nome que lhe
foi dado em virtude do Primeiro Ministro Espanhol, Manuel Godoy, ter enviado
para Madrid alguns ramos de laranjeiras ... que foi tudo o que conseguiu
arrebatar nos arredores de Elvas !
Nascia assim,. Há duzentos anos, a Questão de Olivença.
O Tratado de Badajoz, de que os Historiadores espanhóis só costumam citar o
Artigo 3º, desde logo foi violado por falta de concordância da França e,
igualmente, porque, prevendo a cedência de Olivença e do seu Termo, não
contemplava a entrega da aldeia de Vila Real a Espanha, apesar desta se situar
na margem esquerda do Guadiana, por esta pertencer ao Conselho de Juromenha. E,
contudo, foi o que se verificou.
Contavam muitos oliventinos e portugueses em geral que, à semelhança de Guerras
anteriores, tudo voltasse à situação anterior. Enganavam-se, desta vez...
Entre 1801 e 1807, pouco há a registar... salvo, em 1805, a adopção do
castelhano como língua na Câmara de Olivença... o que levou à demissão do
vereador Vicente Vieira Valério, que, segundo a tradição, morreria na penúria
por se negar a abandonar o uso do Português. Perante alguns protestos populares,
ocorridos nomeadamente em 1805, Godoy prometeu ir meditar sobre o destino final
de Olivença. Não o fez.
O ano de 1807, com a invasão franco-espanhola de Portugal e a violação do
preâmbulo e do Artigo 4º do Tratado de Badajoz, restituiu legalmente Olivença a
Portugal. Os liberais espanhóis, 1810, dispuseram-se a fazê-lo, em Tratado não
ratificado.
Em 15 de Abril de 1811, tropas luso-britânicas expulsaram os franceses de
Olivença. Todavia, Wellesley mandou devolvê-la a Espanha, comprometendo-se a
ajudar Portugal a recuperá-la em futuras negociações.
O Tratado de paris de 1814 declarou nulo o Tratado de Badajoz, mas sem
resultados práticos. Em 9 de Junho de 1815, em Viena de Áustria, e em, resposta
a um memorando português, era assinado um Artigo (o 105) em que se reconhecia a
pretensão portuguesa. Note-se que este artigo só pode ser totalmente
compreendido em função do Memorando português, que quase nunca é citado e muito
menos transcrito .
O governo espanhol só em 1817 (7 de Maio) aceitou sem reservas a Acta Final de
Viena, mas ainda assim, não abandonou a região de Olivença. E, em 1818, tentou
criar uma manobra de diversão, argumentando com a ocupação de Montevideu pelo
Brasil. Elaboram-se alguns projectos de tratados, nunca ratificados e, portanto,
sem valor. Em 1820, a força espanhola destinada a seguir para o Uruguay
rebelou-se.... e derrubou o Governo Absolutista espanhol. Montevideu
tornar-se-ia, em 1828, a capital dum estado independente.
As diligências portuguesas no sentido de recuperar Olivença chocavam-se sempre
com o silêncio de Madrid. Algumas excepções houve, como o chefe de Governo
Mendizabal, em 1835. Todavia, no mesmo ano era apeado do cargo !
Enquanto isso, em Olivença vivia-se alguma incerteza. Alguns locais foram-se
acomodando ao Poder. Outros refugiavam-se em Portugal. Outros ainda
mantiveram-se na expectativa.
Com um cinismo e uma sinceridade desconcertantes, encontravam-se no Arquivo
Municipal de Olivença instruções bem claras visando a imposição, pela força de
uma política, de uma educação, e de uma orientação económica, espanholas,
visando a ruptura violenta com a tradição lusa. Foram as medidas de carácter
económico as que mais minaram a moral portuguesa dos oliventinos, já que, em 26
de Janeiro de 1805, suspende-se o uso da moeda portuguesa em Olivença, e
comunica-se a vários ofícios, nomeadamente aos aguadeiros, a obrigatoriedade de
usar medidas espanholas (comprimento, peso, volume) .
No que se refere à educação, a vinte d fevereiro de 1805, decide-se suprimir
toda e qualquer escola portuguesa, bem como, logicamente, o ensino do Português.
Nesse mesmo ano de 1805, recorde-se, em 14 de Agosto, as actas da Câmara
Municipal deixam de ser escritas em Português. Um pouco antes, em 1802-1803,
Olivença, em termos religiosos, passava da jurisdição de Elvas para Badajoz.
Nomeadamente no campo do ensino, regista-se a oposição dos oliventinos a estas
medidas. As Escolas privadas continuam a ensinar Português, até que são fechada
a 19 de Maio de 1813, “com o objectivo de evitar qualquer sentimento patriótico
lusitano” (A.M.O.leg/Carp 7/2-18, 19-05-1813, nº 1324).
Eram, todavia, muitos os oliventinos que queriam que os seus filhos fossem
educados na língua materna, tentando encontrar professores particulares para
tal, o que obrigou o “Ayuntamiento” a tomar medidas restritivas,...
“proibindo-se as aulas particulares sob pena de multa de 20 Ducados” (A.M.O.
leg/Carp 8%1-171,7-10-1820, nº 1704) , ou impondo, uma e outra vez, a absoluta
obrigatoriedade de ensinar em Espanhol e não em português
Era crença geral em Olivença, em 1801 e anos seguintes, que, tal como se passara
no final da Guerra da restauração (1668), com a normalização da vida política,
social, e económica, e feita a Paz geral na Europa, o território voltaria para
Portugal .
De qualquer forma a Tradição Lusitana manteve-se entre as gentes que, apesar das
proibições, continuavam a usar os pesos e as medidas portuguesas, bem como as
suas relações com Portugal, sobretudo no momento de importar cereais e outros
produtos, e ainda no uso de impostos tradicionais (“Terça”; “Impozição”, etc.)
O tempo ia passando. E, por motivos vários (crises, guerras, lealdade nacional),
vários oliventinos foram emigrando, principalmente a partir de 1815. Foi um
movimento mais selectivo que massivo . De qualquer forma, só a partir da Segunda
Metade do Século XIX se regista um ligeiro crescimento demográfico em Olivença.
É também nesta época que se acentua a chegada em maior número de família
procedentes do Norte de Espanha (principalmente de La Rioja, região de Camero),
da Extremadura Espanhola, e até alguns portugueses, interessados na exploração
de Grandes Propriedades , o que contribuiu para ir alterando a composição
“étnica” da região.
Em 1840, o uso da Língua Portuguesa é proibido em todos os lugares de Olivença,
incluindo as Igrejas. E, procurando dividir para reinar, o Estado espanhol dá a
São Jorge de Alôr o estatuto de Concelho independente (1843). Perdê-lo-ia em
1862, enquanto Táliga (ou Talega), emancipada em 1850, não mais seria
reintegrada em Olivença, passando a partir de 1871 a ter registos totalmente
separados e próprios.
Algumas das pessoas vindas para Olivença no século XIX tiveram importância em
Trabalhos Históricos de relevo sobre a “terra das oliveiras”. Cite-se, como
exemplo, Victoriano Parra Garcia (Cádiz, 23-03-1808; Olivença, 07-02-1869), que,
em 1844, escreveu “Ensayo sobre la topografia e História de la plaza de
Olivenza”, publicada em 1909 somente, este trabalho contém muitos dados de
interesse, historicamente correctos. Naturalmente pró-espanhol, Victoriano Parra
conseguiu escrever um texto de inegável valor .
O ano de 1855 veria grandes mudanças na posse da terra. As leis de
desamortização alteraram de vez a realidade. Forasteiros castelhanos, riojanos,
e leoneses, e mesmo três família portuguesas, chamaram a sii imensas
propriedades, abandonadas, vendidas, ou expropriadas, algumas desde logo a
partir de 1801. Também se sucederam os matrimónios de recém-chegados com a
população local. E, contudo, quem pouco beneficiou foi o trabalhador oliventino,
que sem terra continuou .
A Rainha Isabel II, entretanto, concederia em 1858 o Título de Cidade a
Olivença. Em 1868, num gesto popular, ofereceu uma túnica para cobrir a Estátua
do Senhor dos Passos à qual os oliventinos manifestavam tradicionalmente grande
devoção. Esse ano, todavia, assistiria ao Pronunciamento de Cádiz (30 de
Setembro), cujos reflexos em Olivença se traduziram na destruição do Arquivo
Municipal, perdendo-se importante documentação da Época pré-espanhola .
Antes, em 1864, a Comissão de Limites Hispano-portuguesa não logrou colocar
delimitações internacionais no troço do Guadiana diante de Olivença, por a
parte portuguesa não o consentir, atitude que se repetiria em 1923 e 1952...
continuando a não existir hoje em dia fronteira legal na Região.
Entre 1820 e 1895, teve a sua existência um Professor destinado a desempenhar um
importante papel na castelhanização de Olivença: Francisco Ortiz López.
Descendente de espanhóis de Valverde de Leganés e homem de indiscutível cultura,
dedicou-se a alfabetizar o povo oliventino, tendo todavia o cuidado de o fazer
só e arrogantemente em castelhano. Combateu denodadamente a língua portuguesa,
criando com isso o incrível paradoxo de a instrução popular em Olivença
corresponder a uma acentuação duma situação colonial . Mais, os conflitos de
geração tornaram-se muito importantes. Os jovens escolarizados, falando
castelhano e tendo aprendido como sua a História de Espanha, defrontavam-se com
as suas famílias, falando uma língua considerada inferior, incorrecta em termos
sociais, nada útil, antes pelo contrário, em termos profissionais, por outro
lado, as referências históricas, orais e difusas, da população, perdiam solidez
perante o Ensino organizado da História do Ocupante... pa
ra já não falar nas falsidades históricas que, consciente ou inconscientemente,
iam sendo divulgadas!
Ainda no século XIX, era evidente que o Estado Espanhol jogava com o factor
tempo. Quando Lisboa referia a Questão de Olivença, chegando a falar-se (até
cerca de 1930) em plebiscito, Madrid não respondia ou ostensivamente ignorava a
existência de um diferendo. Assim foi em 1903, quando, em Vila Viçosa, num
encontro entre os Soberanos Ibéricos, se falou no problema, bem como da
possibilidade da Reconstrução da Ponte da Ajuda sobre o Guadiana.
Em 1910, o Presidente Teófilo Braga respondeu a insinuações espanholas sobre o
reconhecimento da legitimidade espanhola (em troca, consta, do reconhecimento do
Regime Republicano por Madrid) com ironia, propondo a anulação do Tratado de
Alcañices de 1297 e o regresso, por exemplo, de Aroche e Aracena à posse
portuguesa. O episódio é muito referido, mas deve-se ter algum cuidado, pois não
está documentado, em aceitá-lo, sem reservas, como verídico.
Na assinatura da Paz de Versalhes, em 1919, Olivança esteve presente, já que a
delegação portuguesa, presidida por Afonso Costa, tentou incluir a questão de
Olivença, em vão, no texto do Tratado .
Acrescente-se que chegou a Olivença a notícia das diligências portuguesas em
1919. alguns intelectuais oliventinos pronunciaram-se com entusiasmo perante a
acção da Delegação Portuguesa. Logo as autoridades oliventinas, preocupadas,
produziram um texto que, não respeitando minimamente os factos históricos,
circulou como abaixo-assinado . A burguesia espanhola ou espanholizada, bem
apoiada pelas autoridades, esforçou-se por conseguir o máximo de assinaturas.
Em 15 de Abril de 1880 nascera, em Badajoz, Jesús Rincón Giménez. Filho adoptivo
de Olivença, escreveu duas obras de indiscutível valor sobre a cidade (Memorial
Oliventino, 1916; Menudenciais históricas de la Muy Noble, Notable y siempre
Leal Ciudad de Olivenza, 1920), sendo, depois de Victariaça, numa visão que, não
sendo imparcial, não deixa de ter méritos, pelos cuidados e tentativa de rigor
científico. Faleceu em 1937 .
Em Portugal, refugiara-se o oliventino Ventura Ledesma Abrantes (1883-1956),
homem que, em vida, encarnou o ideal de reintegração daquela parcela de
território em Portugal. Chegado a Lisboa, tudo o indica, em 1903, para não
cumprir serviço militar em Espanha, integrou-se na vida intelectual portuguesa,
e, para além de ser o fundador do Grupo de Amigos de Olivença (1945) que não foi
o Grupo Conservador que alguns julgam, esteve ligado, à primeira Feira do Livro
de Lisboa.
Sabe-se que no início do Século XX existia em Olivença um grupo pró português,
com homens como Manuel Gonçalves Verão, Firmino Martins Rui, Manuel Justo
Gonçalves, António Ramos, e Francisco Lemos, entre outros.
A castelhanização de Olivença prosseguia. A Guerra Civil de Espanha (1936-1939)
veio acelerar o processo. Muitos oliventinos içaram bandeiras portuguesas nas
suas casas, mas Salazar nada fez por eles. Apenas a G.N.R. tinha ordens de
deixar ficar em Portugal refugiados da Guerra que provassem ser oliventinos.
Quando regressaram a Olivença (1939-1940), foram vítimas da Repressão
Franquista... que, no seu caso, apenas chegou com três ou quatro anos de atraso.
Refira-se ainda que, em 1938, o Coronel Rodrigo Botelho se propusera avançar com
tropas de Elvas sobre Olivença, sendo disso impedido por ordem de Salazar.
A atitude portuguesa de então, de nem sequer se aproveitarem as semelhanças
entre os Regimes de Franco e Salazar, para já não falar do triste apoio deste ao
ditador espanhol, foi muito sentida em Olivença, cuja população, agora mais
reprimida, se sentiu abandonada.
O Franquismo continuou as tendências anteriores, dando-lhes um carácter mais
repressivo e eficaz. É significativo, e vem na sequência de intenções e
procedimentos anteriores, que o diplomata Franquista José Ibañez-Martín
escrevesse, em 16 de Setembro de 1959, no final de uma informação para Madrid:
(...) “a nossa preocupação no interior da Espanha deve ser, como é de facto,
cuidar ao máximo da Cidade de Olivença para que ninguém possa objectar no
sentido de que, se fosse portuguesa, estaria melhor cuidada, e, no que respeita
ao interior de Portugal, ESPERAR QUE O TEMPO VÁ, A POUCO E POUCO, VARRENDO O QUE
RELAMENTE NÃO É OUTRA COISA SENÃO UM PROBLEMA ARTIFICIAL .
Alguns dos oliventinos que defendiam Portugal tiveram problemas. Manuel
Gonçalves Verão acabou por vir para Portugal, e outros o fizeram também, sendo
quase sempre ajudados por Ventura Ledesma Abrantes. Os que ficaram, tiveram de
se calar. Um deles, Francisco Lemos, ceramista, imitador da cerâmica
“vegetalista” das Caldas da Rainha, foi “chamado” a Madrid na década de 1950,
falecendo, amargurado e silenciado, em 16 de Setembro de 1963, em Olivença.
Não é por acaso que aumenta na época o número de oliventinos que se refugiaram
em Portugal, principalmente na zona raiana e em Lisboa.
A pressão franquista, mais ou menos constante, recorria tanto às ameaças como ao
desprezo.
O Português foi considerado a Língua dos inclusos, um “chaporreo” (“patois”)
anacrónico... que mais não era que o Português Alentejano. O prestígio e o
status social predominante estavam nas mãos de quem se exprimia bem em
“espanhol”. Os apelidos, os nomes das ruas, dos lugares, das localidades, tudo
foi profundamente castelhanizado. A História, completamente esquecida,
falsificada, proibida.
Tornou-se comum, em Olivença, haver gente a falar português entre si, mas a
falar só em castelhano para os filhos... e até a proibirem estes de se
expressarem em Português!
Salazar, tão chegado a Franco, nada fez para influenciar o Ditador Espanhol.
Tolerava o Grupo de Amigos de Olivença, mas nunca o deixou legalizar-se.
Permitiu mesmo que a Espanha proibisse, a partir de 1954, a deslocação de
crianças de Olivença à Colónia Balnear Infantil d’O Século. Nada disse quando,
em 1960 foi proibido aos portugueses tirar fotografias a oliventinos. Apenas se
negou, sempre, a reconhecer a posse do território por Madrid.
Os relatos da polícia Política Espanhola dessa época surpreenderam os estudiosos
. Por exemplo, o grupo de Amigos de Olivença é classificado como maçónico, sob
influência inglesa, e liberal. Chega-se a identificá-lo como próximo do partido
Comunista Português . E sem dúvida que o seu presidente à data do 25 de Abril de
1974, o Professor Hernâni Cidade, não era de forma nenhuma afecto a Salazar.
Curiosamente, após 1975, vários círculos espanhóis passam a classificar o Grupo
como... Salazarista!
Também o General Humberto Delgado esteve ligado ao Grupo de Amigos de Olivença.
É mesmo possível que tenha sido atraído ao local do seu assassinato na Ribeira
de Olivença (e não, como costuma pensar-se, em Villanueva del Fresno) com uma
qualquer promessa de insurreição a planear em Olivença. Note-se que, ainda na
década de 1970, era impossível encontrar professores, polícias, funcionários
vários, em Olivença... que tivessem nascido na cidade!
A Democracia em Espanha aliviou a pressão sobre as gentes de Olivença.
Todavia, o processo de espanholização não foi verdadeiramente posto em causa.
Não foi publicada nenhuma obra com a versão integral dos tratados de 1801-17. A
população não começou a aprender a sua História, antes continuou a saber apenas
a História de Espanha. Não foram substancialmente alterados topónimos ou
apelidos, que mantiveram as formas castelhanizadas. O Português, ensinado como
uma Língua Estrangeira muito especial, não se tornou língua, no mínimo,
co-oficial, e só desde 1999-2000 o seu ensino se generalizou ( com excepção de
Táliga). E de forma nenhuma se procurou contrariar, na fundamental, os traumas
psicológicos, as inibições, e os preconceitos criados.
O oliventino continua a seu alguém muito dividido. Por um lado, depois de
duzentos anos, as suas referências são quase só espanholas. Por outro lado, os
seus apelidos, a presença monumental portuguesa, a reacção que vê os espanhóis
das localidades vizinhas ter perante as suas afirmações de “espanholidade”,
algumas vagas tradições colectivas e familiares que não sabe explicar, fazem-no
sentir-se de alguma forma diferente, reagindo, todavia, muitas vezes, como foi
ensinado: com um nacionalismo espanhol agressivo e não fundamentado, facilitado
pelo facto de o nível de vida espanhol ser, actualmente, um pouco superior ao
português.
Note-se que este drama foi muito bem equacionado, poeticamente, por um autor
local, em 1989 (Narciso de la Torre-Velver y Banco), um descendente de agentes
de La Rioja, que, tal como a maioria dos outros, se integrou perfeitamente na
realidade oliventina, cantando-lhe a “alma” com discernimento:
"DOS LEALTADES"
“A Mui Nobre, Notável e sempre leal vila de Olivença”
Olivenza, ciudad noble
reducto de dos alientos
silencio de dos verdades
para un solo sufrimento
Olivenza, por notable,
te dueles en monumentos
que amurallan dos mitades
de un único desaliento.
Hija de dos voluntades
y esposa de un rompimiento,
Olivenza, dos lealtades
desgarron tu sentimiento.
Ninguém informa também o oliventino de que não se pretende agredi-lo, já que uma
reintegração em Portugal respeitaria os seus níveis de vida e privilégios
administrativos. Por outro lado, diz-se-lhe que não é Portugal que reclama
Olivença, mas sim alguns grupos de “loucos”.
Na verdade, o Estado Português não abdicou de Olivença. Ainda recentemente ( 11
de Novembro de 2000) foi inaugurada uma Nova Ponte da Ajuda sobre o Guadiana,
feita exclusivamente por intermédio do estado Português, e que não é uma Ponte
Internacional... o que é no mínimo insólito, pois, oficialmente, e Estado
Espanhol finge ignorar a situação... e o Estado Português não tenta levar esta
posição de relativa força mais além, às Nações Unidas, por exemplo, como faz
Madrid em relação a Gibraltar!
Por outro lado, as autoridades espanholas estão a tentar que seja Madrid a
restaurar a Velha Ponte Manuelina da Ajuda, de forma a contrariar o efeito do
impacto diplomático que teve a construção portuguesa da Nova. Espera-se que as
autoridades portuguesas estejam atentas.
Entretanto, Madrid prossegue na orientação que data do Século XIX. José Maria
Aznar, em entrevista no Diário de Notícias de 28 de Janeiro de 2001, e depois de
reclamar com vemência Gibraltar (pág. 8), declarava, a propósito da Questão de
Olivença, “uma maneira de solucionar os problemas é deixar sempre a solução para
o ano que vem... Portugal não é um problema para Espanha, e gostaria que o
inverso também fosse verdade. É certo que são precisas muitas décadas para mudar
as mentalidades, e poderemos aproveitar a Europa para resolver problemas como
estes (pág. 9)”. Até que ponto terá significado histórico tal declaração é
discutível, mas não pode deixar de se reparar como ela se assemelha às palavras
de José Ibañez-Martin de 16 de Setembro, de 1959, e já referidas (...”...
esperar que o tempo vá, a pouco e pouco, varrendo o que realmente não é outra
coisa senão um problema artificial”). Pelo menos, esta foi uma das poucas vezes
em que um chefe de Estado Espanhol falou do ass
unto!
É urgente que não mais se faça silêncio sobre a Questão de Olivença, e que este
colonialismo esquecido seja, pelo menos, colocado ao mesmo nível das ainda
muitas situações coloniais que quase diariamente são denunciadas um pouco por
todo o mundo.
Após Duzentos Anos de Aculturação Forçada, que em muitos dos seus aspectos se
mantém, não é possível manter o silêncio por mais tempo!
Estremoz, 13 de Maio de 2001
Carlos Eduardo da Cruz Luna
OLIVENÇA NA IMPRENSA ESTRANGEIRA (1954-2001)
a) Introdução
Poucas vezes tal é referido, mas Olivença e o litígio que a rodeiam têm sido
noticiados na imprensa Europeia, e mesmo dos Estados Unidos e no Brasil (para já
não falar de Hong-kong).
As referências a este assunto assumem um valor histórico indiscutível. O
objectivo deste trabalho é dar a conhecer três artigos sobre tal problemática,
de entre vários possíveis.
A ordem é cronológica. O primeiro artigo (alemão) é de 1954. O segundo (inglês)
é de 1966. O terceiro (francês) é de 2001.
São documentos, no mínimo, curiosos.
b) Olivença na imprensa Alemã (1954) (publicado em oito jornais Alemães; o texto
é quase totalmente idêntico em todos eles)
O lado “oposto” de Gibraltar
(A outra “Face da Moeda” de Gibraltar)
A Espanha não tem direito
A Olivença (5 - Março - 1954)
(Jornal STUTTGARTER ZEITUNG)
Desde que Napoleão ocupou 600 Km2 ilegalmente - 20 000 portugueses querem
voltar para Portugal.
As demonstrações de estudantes madrilenos em Madrid, no que respeita à
devolução de Gibraltar a Espanha, são comentadas em Portugal por um ditado
popular: “Quem tem telhados de vidro não atira pedras ao vizinho”. Há mais de
150 anos que “arde” na fronteira Luso-Espanhola um conflito parecido com o
escândalo de Gibraltar.
Em Lisboa defende-se a opinião de que a ocupação dos 600 Km2 do território
português (de Olivença) é muito mais grave do que a questão de Gibraltar, porque
os britânicos receberam em paz e legalmente Gibraltar pelo Tratado de Utrecht
em 1704 , através de documentos, com a ajuda da França e da Holanda.
Compreende-se perfeitamente o desejo da Espanha a propósito de reaver Gibraltar,
mas a espada Espanhola também fere a carne portuguesa.
Durante 600 Anos Portuguesa
Em Lisboa diz-se que Madrid só terá direito moral a Gibraltar desde que decida
acabar com a injustiça de Olivença.
Olivença foi fundada no século XIII por cavaleiros portugueses que pertenciam a
uma ordem religiosa de cavalaria, e desde então pertenceu sempre a Portugal até
1801, quando então foi ocupada por espanhóis e franceses, mandados por Napoleão
para forçar os portugueses a fechar os portos à Inglaterra. Depois de 1815, foi
decidido no Congresso de Viena de Áustria que Portugal deveria voltar a receber
Olivença juntamente com o seu território e os seus 20000 habitantes. Os
espanhóis assinaram o Tratado do Congresso em 1817, e desde então já prometeram
várias vezes cumpri-lo.
Todavia, ainda hoje os espanhóis lá estão (em Olivença) apesar do povo estar do
lado de Portugal e não ter esquecido a língua-mãe portuguesa. Olhando para as
boas relações actuais Luso-Espanholas, é totalmente incompreensível a situação.
O grupo de Amigos de Olivença sabe que Salazar não poderá pôr em risco as suas
relações com o Caudillo (Franco) ameaçando-o com uma guerra através dum
“ultimato”, mas ninguém pode negar que a antipatia “instintiva” dos portugueses
contra uma colaboração entre espanhóis e portugueses recebe constantemente mais
razões para se manifestar através da presente ilegalidade nas suas fronteiras.
Nenhuns Poderes (competências, autorizações) de Madrid
Se alguém tripartir a fronteira Luso-Espanhola, Olivença ficará a norte da parte
mais meridional, perto das cidades de Elvas e Badajoz. Quando em 1952 uma
comissão constituída por portugueses e espanhóis se ocupou da delimitação de
fronteiras nos (referidos) 50 quilómetros em que há litígio, a declaração
(declarou que) não tinha poderes (competências, autorizações) oficiais para
tratar do caso. Em contrapartida, vieram grupos de crianças de Olivença para
Lisboa para festejarem a sua pátria e a fidelidade à mesma . Os espanhóis
encontram-se numa “casa com telhados de vidro” e deviam primeiro cumprir os seus
tratados e obrigações antes de reclamarem da Grã-Bretanha que esta desista dos
seus tratados.
(fim)
c) Olivença na Imprensa Britânica (este texto, com várias alterações sem grande
significado, foi reproduzido em quatro jornais britânicos, um de Hong-Kong, e
dois Americanos)
Jornal Times
21- Outubro - 1966
PORTUGUESES QUE LUTAM PARA RECUPERAR UMA CIDADE
- A Espanha acusada de violação de direitos - do nosso correspondente - Lisboa
A imprensa portuguesa continua a dar relevo à disputa Anglo-Espanhola sobre
Gibraltar. Os comentários editoriais tendem a favorecer Espanha .
Um grupo de entusiastas que se auto-intitulam “Os Amigos de Olivença”, contudo,
chamam a atenção para o facto de “haver na Europa outra colónia”. Trata-se de
Olivença, um enclave de 600 quilómetros quadrados projectado pela Espanha
adentro exactamente abaixo da cidade fronteiriça espanhola de Badajoz.
Este, insistem eles, é “uma região portuguesa legítima, que no conflito de
Reconquista Cristã da Península Luso-Castelhana os Templários Portugueses
arrebataram aos Mouros em 1228, lá construindo o seu castelo original e fundando
a primeira igreja de Santa Maria Madalena, levando a cabo portanto a fundação de
Olivença actual” .
Subsequentemente, em 1297, ficou estabelecido por acordo entre Portugal e
Espanha que Olivença deveria para sempre à coroa Portuguesa. Os portugueses
traçaram as ruas e as praças da pequena cidade, construíram casas, conventos,
igrejas e palácios, e fundaram quintas e aldeias nas áreas circundantes.
Tudo continuou na normalidade, e Olivença cresceu e floresceu, uma sossegada
região agrícola e uma parte integrante de Portugal, até 1801. Então, dizem os
Amigos de Olivença, através do seu secretário, o senhor Luís de Souza Guedes,
“uma guerra traiçoeira que nos foi imposta pela Espanha e pela França,
forcou-nos a assinar o injusto Tratado de Badajoz, pelo qual elas usurparam
Olivença, o seu distrito, e aldeias para além do Rio Guadiana”.
Em 1814, depois da derrota dos franceses na Guerra Peninsular, as nações
europeias reuniram-se em Paris, e declaram nulos e sem efeito todos os tratados
concluídos antes da guerra, incluindo o que se referia a Olivença.
No Congresso de Viena (de Áustria) em 1815, os estados Europeus confirmaram uma
vez mais a anulação do tratado de Badajoz, e comprometeram-se a fazer tudo o que
estivesse ao seu alcance para verificar se a Espanha devolvera Olivença a
Portugal. A Espanha foi uma signatária deste compromisso, mas até agora não o
executou (cumpriu).
Os Amigos de Olivença acusam a Espanha de “permitir que a área caísse em ruínas”
com o objectivo de apagar a História de Portugal”. Eles protestam contra o facto
de as autoridades espanholas terem apagado os escudos de armas portuguesas em
edifícios públicos e privados, e mesmo em pedras tumulares.
Eles revelam que as ruas e as praças estão quase impraticáveis e cheiras de
buracos, e que não há adequados abastecimento de água ou um sistema de esgotos.
Uma edição referente de “Olivença”, a revista do grupo, defendeu que se a
Espanha pediu correctamente às Nações Unidas que lhe devolvesse Gibraltar, “como
pode ela (Espanha) recusar-nos... esta terra que só teve existência graças aos
esforços, perseverância e cuidados do povo Português” .
A mesma revista também defendeu o seguinte: “É espantosamente óbvio que em
Gibraltar, se o solo é espanhol, a cidade e a fortaleza são ingleses, enquanto
em Olivença, ambos a cidade e o solo são portugueses, tão longe quanto os seus
monumentos são típicos. A língua é a portuguesa, apesar dos esforços da escola e
da polícia para transformarem tudo em castelhano” .
Efectivamente, o visitante, hoje, é confrontado com o carácter português de
Olivença em todos os aspectos. Todos os antigos edifícios existentes são no
estilo nacional (português), mas as ruas arruinadas e as fachadas descuidadas
não mostram nada da limpeza usual e manutenção prodigalizadas pelos portugueses
em qualquer cidade ou aldeia ao seu cuidado .
A igreja de Santa Maria Madalena é no puro estilo português Manuelino, e nela se
encontra o túmulo de Frei Henrique Coimbra, que celebrou a primeira missa
portuguesa no solo brasileiro quando ele aí desembarcou com o seu descobridor,
Pedro Álvares Cabral.
A fala de 20000 habitantes na área é basicamente portuguesa. A geração mais
velha usa uma linguagem próxima do dialecto do vizinho Alentejo, província de
Portugal do outro da fronteira.
Ela encontra-se, todavia, entremeada com palavras espanholas. Mesmo aqueles da
geração mais nova que falam espanhol usam uma entoação portuguesa, e a sua fala
está cheira de palavras e frases portuguesas.
O governo português não parece inclinado no momento presente de relações
próximas Luso-Espanholas a apressar o seu “caso” (litígio) a fim da retrocessão
de Olivença. Só os Amigos de Olivença continuam a lutar valentemente .
d) Olivença na imprensa francesa (texto, na “Internet”, do Jornal “Courrier
International”, de 29 de Novembro de 2001)
Portugal:
É preciso saber acabar uma guerra napoleónica
Há dois séculos, Portugal pediu à Espanha a restituição da pequena cidade
fronteiriça de Olivença. As últimas vítimas deste conflito esquecido ? Uma ponte
e algumas irmãs de caridade.
Era uma vez uma cidadezinha nos confins de Portugal e Espanha. Situada ao sul de
Badajoz, em plena Estremadura, a Olivença espanhola teria sonhado com um destino
tão tranquilo como as oliveiras que a cercam. Isso seria esquecer a História,
três guerras pelo menos e outros tantos tratados entre os dois países. Pois
Olivença, de Espanha só tem o “z”, proclamam os portugueses. Para Lisboa, a
cidade 25000 almas escreve-se com um “ç”! À portuguesa! Não se põe a hipótese de
reconhecer a soberania da Espanha sobre os 740 km2 , da cidade e da sua região.
A história deste conflito fronteiriço sempre vivo remonta a 1297. O diário
português “Diário de Notícias” dedica-se a contar os episódios aos seus
leitores, por ocasião do bicentenário da anexação da cidade.
Em 1297, então, nos termos do Tratado de Alcañices, as fronteiras entre os dois
países foram traçadas duma vez por todas... salvo para Olivença. O acordo dava
claramente a cidade a Portugal. Mas os espanhóis sempre consideram esta
atribuição como uma anexação. Segundo eles, a cidade teria sido concedida sob a
pressão regente de Castela na época, Maria de Molina .
A Espanha nunca devolveu a cidade e a sua região
Já complicada, a história de Olivença iria cruzar-se com a das Guerras
Napoleónicas. Em 1801, a Espanha ocupa Olivença numa campanha relâmpago
denominada “Guerra das laranjas”. Em 1804, o Tratado de Badajoz reconhecia a
soberania espanhola. Mas em 1808, o rei de Portugal, João VI, denuncia o dito
Tratado. Por uma razão bem simples: a França e a Espanha, tornada “Napoleónica”,
começaram um ano antes o desmembramento em partes iguais de Portugal. Seria
preciso esperar a queda do Império (Napoleónico e o Tratado de Viena de 1815
para que João VI recuperasse o seu trono e que fossem reconhecidos, em teoria,
os direitos portugueses sobre Olivença. Depois, mais nada.
A Espanha nunca devolveu a cidade e a sua região, argumentando que o Tratado de
Badajoz ainda se aplicava. Portugal, impotente, continua a reclamar o pequeno
enclave, com base no Tratado de Viena. Para garantir a sua conquista, contra o
“Diário de Notícias”, a Espanha não foi avara em usar a coacção em 1840, Madrid
proibiu o uso do português “sob pena de prisão” e todos os sacerdotes da região
foram substituídos por bons padres espanhóis. Mais ainda, a pequena região foi
judiciosamente (manhosamente) enredada num distrito administrativo duas vezes
maior que ela.
A resistência portuguesa, ao longo dos dois séculos decorridos, tomou diversas
formas. A ocupação (invasão) primeiramente e por duas vezes: em 1811 e em 1981.
A primeira foi militar, a segunda “pacifica” e organizada pelo dirigente
social-democrata, conotado com a direita, Pinheiro de Azevedo. Madrid respondeu
enviando para o local um esquadrão de Guardas Civis. Enfim, o protesto oficial,
em 1809, 1817, 1903, 1952, e mesmo em 1994. Neste último ano, o “Primeiro
Ministro Português”, Durão Barroso impedia definitivamente a reconstrução da
Ponte de Olivença, entre as duas margens do Rio fronteiriço, o Guadiana, para
evitar um reconhecimento tácito da anexação .
Generosas freiras substituídas por funcionárias da segurança...
O último episódio data de algumas semanas. Há cento e quinze anos, as freiras de
São Vicente de Paula de Olivença ocupavam-se de obras sociais. Com o decorrer
dos anos, as freiras tinham obtido uma espécie de concessão de serviço público
que lhes permitia administrar os serviços locais de segurança social. Ora, estas
freiras estavam ligadas desde sempre a uma federação de congregações portuguesas
denominada União das Misericórdias. Estes laços seculares foram formalmente
rompidos no dia 11 de julho de 2001 e as generosas freiras substituídas por
funcionários da Segurança Social Espanhola. Sem outra forma de processo.
Para os portugueses, os dados estão lançados. É verdade que há alguns quilómetros de fronteira a tracejado nos mapas portugueses, para que se não esqueça. Há também esta saudade tão portuguesa pelas “raparigas (mulheres) de Olivença”, que são
simultaneamente “filhas de Espanha e netas de Portugal”. E um pouco de ironia
provocante, ao fim e ao cabo, quando o Diário de Notícias”, para dar uma ideia
da extensão destas terras perdidas, especifica que elas são “150 vezes maiores
que Gibraltar”, esse outro enclave, Britânico neste caso, reivindicado há
lustros por Madrid.
Courrier International, versão da Internet 29-11-2001
e) Epílogo
Aqui temos, pois, um “passeio histórico” pela “questão de Olivença”, observado
não por Portugal ou Espanha, mas pelos jornais (e jornalistas) da Europa, que
tiveram algum eco no continente Americano e, curiosamente, na Ásia (Hong-Kong)
Espera-se, com a divulgação destes textos, contribuir para o conhecimento da
história nas suas várias perspectivas, no que à raia Alentejana-Extremenha diz
respeito!
Seguem-se os documentos.
Estremoz, 16 de Janeiro de 2002
Carlos Eduardo da Cruz Luna
TEXTO
(A QUESTÃO DE OLIVENÇA NUMA PERSPECTIVA DEMOCRÁTICA (à Esquerda)
UM LITÍGIO FRONTEIRIÇO SEMI-ESCONDIDO PELO ESTADO PORTUGUÊS HÁ ... QUASE 200 ANOS!!!
A ROMANIZAÇÃO E O COLONIZADO
(...) os mais propensos há pouco a rejeitar a língua de Roma ardiam agora em
zelo para a falar eloquentemente. Depois isto foi até ao vestuário que nós
temos a honra de trajar, e a toga multiplicou-se, progressivamente, chegaram a
gostar dos nossos próprios vícios, do prazer dos pórticos, dos banhos e do
requinte dos banquetes, e estes iniciados levavam a sua inexperiência a chamar
civilização ao que não era senão um aspecto da sua sujeição.
Tácito, político e historiador (sécs I-II d.C.). Vida de Agrícola
(Tácito, Sécs. I - II n.E.)
Carlos Eduardo da Cruz Luna
Rua General Humberto Delgado, 22 R/C
(Telf. 268-322697) 7100-123 Estremoz
LITÍGIO FRONTEIRIÇO ESCONDIDO...COM O “RABO” DE FORA !
PREÂMBULO
Poucas histórias terão sido tão mal contadas, vilipendiadas, e ridicularizadas
como a que toca ao chamado “Litígio de Olivença” (ou “Questão de Olivença”). Os
dados do problema estão tão baralhados, os juízos de valor são tão díspares e
disparatados, que manter a cabeça “fria” ao tentar-se estudar VERDADEIRAMENTE o
problema é uma tarefa quase hercúlea.
Falar na questão de Olivença é provocar muitas vezes o riso. Se se fala nela a
uma pessoa de Esquerda, ela tenderá a considerá-la uma polémica alimentada, se
não criada, pelo Salazarismo, e, portanto, uma provocação ou um motivo de
chacota. A este propósito, basta ver o filme “O Barão de Altamira”, obra (?) do
mais absurdo preconceito, para se entender esta afirmação. Aliás, por regra, a
Esquerda considera tal assunto indigno, classificando-o mesmo como manifestação
de uma pretensão colonialista, o que, historicamente, não tem pés nem cabeça,
pois o colonialismo, aqui é exercido CONTRA um território que deveria ser
Português. Se se fala da Questão de Olivença a uma pessoa de Direita, ela dirá
que Portugal já perdeu Angola, Moçambique, ... sabe-se lá que mais, e que já não
há vontade, nem necessidade... nem um chefe à altura. Aqui, cita-se Salazar como
modelo.
A maior parte das pessoas tem ideias muito confusas sobre a Questão , ou
considera-a desprovida de qualquer interesse, ou ainda manifesta um extremo
pessimismo. A ideia de que é um assunto anedótico surge mesclada com
praticamente todas as anteriores opiniões citadas.
É no meio de todo este pântano desinformativo que alguém honestamente
interessado no assunto se vê mergulhado. Rareia a informação objectiva.
NÃO HÁ FRONTEIRA !
E, todavia, há algo estranho em tudo isto. Na verdade, A POSIÇÃO OFICIAL DO
ESTADO PORTUGUÊS NÃO MUDOU DESDE 1808-1814/15 ATÉ HOJE (2000): Olivença é
considerada TERITÓRIO “DE JURE” PORTUGUÊS, ESPANHOL “DE FACTO”. Haverá afinal
algo, neste caso, que não seja conhecido ?
Na verdade, há. Qualquer pessoa poderá verificar, em mapas OFICIAIS (Mapas
Militares, por exemplo), que não há fronteira Internacional no Guadiana entre as
Ribeiras de Olivença e Táliga (ou de Alconchel). Ela existe, mas não TRAÇADA,
entre as Ribeiras de Táliga e Cuncos (próximo de Mourão), pois o Estado
Português nega-se a aceitar qualquer fronteira na Região sem se resolver, de
acordo com o Direito Internacional, a “Questão de Olivença”.
Não se trata de uma posição de meia dúzia de indivíduos. É a POSIÇÃO OFICIAL do
ESTADO PORTUGUÊS. Ela é muito pouco conhecida, porque pouco divulgada... ainda
que não seja propriamente um Segredo!
Para além dos Mapas, há alguns exemplos concretos e recentes. Vejamos!
Em 1988, o Presidente da Comissão Internacional de Limites da época (Dr. Carlos
Empis Wemans) afirmava, em entrevista ao Diário de Lisboa, que a Região de
Olivença obedecia legalmente à Bandeira Portuguesa, não sendo o Guadiana
fronteira Internacional na Região. Portuguesa “de jure”, Olivença era espanhola
por administração (ilegal), “de facto”.
Em 1994, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português vetava uma ponte
“internacional” no Guadiana, entre Elvas e Olivença, no lugar da Ajuda, por
considerar não poder considerar “internacional” uma ponte legalmente NACIONAL
pelo facto de as duas margens do Guadiana serem consideradas território
Português. Após alguns incidentes (com muita Xenofobia de algumas autoridades
espanholas), o mesmo Ministério, então sobraçado por Durão Barroso, assumia a
construção INTEGRAL POR PORTUGAL da Ponte (Agosto de 1994).
Em 1995, vários jornais lembravam que, POR CAUSA DA QUESTÃO DE OLIVENÇA, a
Espanha não punha grandes reservas ao ALQUEVA. No mesmo ano, o jornal “Expresso”
noticiava que o Estado Português, nos relatórios de Impacto Ambiental enviados
para Bruxelas a propósito do mesmo Alqueva, NÃO RELACIONAVA NUNCA OLIVENÇA COM A
SOBERANIA ESPANHOLA, antes a DISTINGUIA!!!
Em 1996, assinava-se um acordo para a construção de uma Ponte no já referido
Lugar da Ajuda (Guadiana; entre Elvas e Olivença), de carácter MUNICIPAL e
INTEGRALMENTE PAGA POR PORTUGAL, por, disse-se, NÃO PODER PORTUGAL ENVOLVER-SE
EM NENHUM ACORDO QUE IMPLICASSE RENÚNCIA DE SOBERANIA SOBRE OLIVENÇA!!!
Em Outubro de 1999, o Instituto Geográfico do Exército publicava um Mapa de
Portugal onde a fronteira, no Guadiana, ostensivamente NÃO está traçada. O
presidente da Comissão Internacional de Limites, Dr. Júlio Mascarenhas,
esclareceu a Imprensa, dizendo que a Questão de Olivença não era uma prioridade
portuguesa, mas que a Região era TERRITÓRIO PORTUGUÊS ILEGALMENTE OCUPADO POR
ESPANHA, e que Portugal considerava válidos os Tratados de 1815 (Viena de
Áustria), decorrentes da situação criada em 1801 (Tratado de Badajoz: cedência
de Olivença à Espanha) e 1807 (anulação, pela Espanha, do Tratado de Badajoz,
por agressão não justificada a Portugal, em conjunto com os exércitos de
Napoleão), bem como o de 1817 (aceitação total, pela Espanha, do estipulado em
1815 em Viena de Áustria).
Muito honestamente, todas estas posições, declarações, e malabarismos, levam a
duas conclusões: a primeira, é a de que existe, de facto, um problema
fronteiriço por resolver; a segunda, é a de que há muito secretismo, e,
portanto, hipocrisia, em torno do facto.
DIREITA OU ESQUERDA ?
Antes de se passar, porque é necessária, a uma História da “Questão de
Olivença”, há, talvez, que responder desde já a uma angústia que pode assaltar
neste momento um militante/activista de Esquerda: afinal, a polémica em torno de
Olivença é alimentada por Democratas ou Salazaristas? A resposta nem é difícil:
pelos dois... e por nenhum.
Em 1910, os revolucionários republicanos viram-se confrontados com o problema.
Diplomatas espanhóis insinuaram que a aceitação da Soberania Espanhola sobre
Olivença poderia facilitar o Reconhecimento do Novo Regime, o qual não se
prestou a tal capitulação.
Em 1919, em Versalhes, a delegação portuguesa, dirigida por Afonso Costa, tentou
que, no Tratado de paz que concluíu a Primeira Guerra Mundial, se incluísse uma
cláusula a obrigar a Espanha (que nem beligerante fôra) a devolver Olivença a
Portugal, o que se gorou. Entretanto, o estado Português acenava com a
alternativa de um referendo na Região disputada... a que o Estado Espanhol não
se dignava responder.
Nas décadas de 1920 e 1930, tanto pensadores (e políticos) democráticos como
conservadores protestaram contra a situação de Olivença, nomeadamente
oliventinos refugiados, com destaque para o Intelectual Ventura Ledesma
Abrantes, o fundador do Grupo de Amigos de Olivença.
Ora, este grupo NÃO ERA SALAZARISTA. Pela sua Direcção passaram, de facto,
algumas pessoas afectas ao Regime (que diligenciavam para que a sua actividade
fosse reduzida ao mínimo...), mas também oposicionista! O presidente do Grupo em
1974 era, nem mais menos, que o PROFESSOR HERNÂNI CIDADE !!!
O Grupo de Amigos de Olivença encontrava sempre uma barreira intransponível:
desde a vitória de franco em Espanha, Salazar negava-se a pressionar o Estado
Espanhol, exercendo mesmo repressão sobre os que se atreviam a ser demasiado
veementes em relação à Questão de Olivença.
A Associação protestava, indignada, contra a colonização e a repressão exercidas
em Olivença, mas o Estado Novo nunca lhe deu ouvidos, mesmo porque a sua
Política Colonialista em África não lhe permitia ser... anti-colonialista em
Olivença!
É curioso ver, nos relatórios da Polícia Espanhola da década de 1950,
classificando como “mação, judeo-maçónico, de inspiração inglesa (Questão de
Gibraltar), oposicionista”, o Grupo de Amigos de Olivença. Diz-se mesmo que por
trás da reivindicação da Cidade andam elementos próximos do... Partido
Comunista!!!
Afinal, onde está a tradição Salazarista na História do Grupo?
Em 1974/75, os Serviços de Informação espanhóis começam a deixar de chamar
“mações” aos Amigos de Olivença, e, num volte-face surpreendente, começam a
classificá-los como... saudosistas, velhos salazaristas, conservadores! E,
porque era uma intenção política e um preconceito que estava por de trás de tais
afirmações, houve mesmo um Historiador Comunista Oliventino que, quiçá
entusiasmado, citou vários antigos salazaristas do Grupo, mesmo quando o não
eram, não hesitando, por manifesta ignorância, por neles incluir... o Professor
Hernâni Cidade!!!
Em Portugal, as Movimentações Anti-colonialistas acabaram por cair numa
armadilha, talvez ajudadas por insinuações espanholas: em vez de levarem o seu
colonialismo até ao fim, coerentemente, passaram a considerar a Questão de
Olivença como derivada do Imperialismo/Colonialismo Salazarista, INVERTENDO A
REALIDADE HISTÓRICA E POLÍTICA, já que, como veremos, se estava perante um caso
em que uma “parcela” genuinamente (e legalmente) portuguesa fôra (e continuava a
ser) VÍTIMA DE COLONIALISMO!
Entretanto, na Direcção do Grupo de Amigos de Olivença, passavam a predominar
elementos conservadores... ainda que nem sempre Salazaristas. De qualquer forma,
o problema, como veremos, não reside aí, mas em saber se, de facto, EXISTE
ALGUMA RAZÃO PARA A “QUESTÃO DE OLIVENÇA” SE MANTER, APESAR DE TUDO, COMO ALGO
CONCRETO PARA O ESTADO PORTUGUÊS, AINDA QUE POUCO CONHECIDO!!!
È isso que vamos tentar analisar!!!
OLIVENÇA COLONIZADA (1801? - 1936)
Após a ocupação espanhola de Olivença (1801), iniciou-se um processo de
“aculturação”, que ainda mais se pareceu acelerar a partir de 1815, data em que,
segundo Portugal, o território foi de novo reconhecido como legalmente
Português. Em 1840, foi proibido o uso do Português, nomeadamente nas Igrejas.
Uma das maiores ironias verificou-se nas décadas de 1880/1890, quando um
Professor Espanhol, após o falecimento de uma velha Mestra que ensinava a ler e
a escrever em Português, tomou a seu cargo escolarizar o maior número possível
de crianças oliventinas. E fê-lo. Só que, às mães que, em Português, lhe
entregavam os filhos, dizia que na escola só se ensinava espanhol, e que se
quisessem ensino em Português se dirigissem a Juromenha, a onze quilómetros em
linha recta, do outro lado do Guadiana, onde Guardias espanhóis lhes impediram a
passagem! Deste modo, ao alfabetizar-se, Olivença colonizou-se.
Nos finais do Século XIX, surgem alguns movimentos pró-portugueses no
território, logo desarticulados. Alguns dos seus mentores preferiram vir para o
Alentejo ou para Lisboa, vindo-se a destacar, nesta cidade, a figura de Ventura
Ledesma Abrantes.
Nas décadas de 1910 e 1920, começa a circular em Olivença uma história falsa,
destinada a ter muito sucesso: a de que Olivença passara para Espanha por troca
com Campo Maior. Aliás, paralelamente, começou-se a propalar que a região viera
para Espanha como Dote de uma Rainha. A confusão vai-se estabelecendo!
Entretanto, Táliga ou Talega, uma antiga aldeia oliventina, torna-se Concelho
Autónomo.
OLIVENÇA COLONIZADA (1936-1975)
A Guerra de Espanha abriu um novo capítulo na descaracterização/colonização de
Olivença. Maioritariamente progressista e Republicana, a população, logo em
1936, ficou sob domínio franquista. Alguns oliventinos forma fuzilados em
Badajoz. Muitos refugiaram-se em Portugal, onde, criminosamente, as autoridades
salazaristas “devolviam” os fugitivos espanhóis, sabendo condená-los assim à
morte. Os oliventinos escaparam quase totalmente a esta sorte, se podiam provar
a sua origem pronunciado correctamente algumas palavras em Português (a mais
usada “cinza”). Em 1939/40, regressaram a Olivença, sendo então vítimas de
repressão... perante a impassividade de Salazar, que proibira mesmo a um oficial
português entrar em Olivença com o seu Regimento, em 1938!!!
O Franquismo levou a castração cultural de Olivença ao seu auge. Mudaram-se
apelidos, topónimos, referências históricas. Falar Português era um anátema,
sinal de atraso, vergonha, ignorância. As classes possidentes, muito
comprometidas com o franquismo, salvo honrosas excepções, “espanholizaram-se” ao
máximo, procurando estender tal atitude a toda a população. Não havia
professores, funcionários, polícias, quadros, em Olivença... que nela tivessem
nascido. Suspeita-se que houve mesmo algumas emigrações intencionais, embora 80%
da população, mais ou menos, seja de raiz portuguesa ainda hoje. Estimulou-se o
chamado “auto-ódio”. Os oliventinos passaram a orgulhar-se duma História que não
era a sua, e na qual não passam afinal de presas de Guerra. Passaram mesmo a
considerar a sua maneira de falar Português como um “chaporreo”, um Português
incorrecto... atitude reforçada pelo facto de se tratar do falar alentejano,
diferente do Português ouvido na Rádio, primeiro, e na Televis
ão, depois.
Quando economicamente a Espanha ultrapassou Portugal, reforçou-se a rejeição a
tudo o que era Português. Por via das dúvidas, criaram-se imagens
ultra-preconceituosas sobre o Português (miserável, pobre, bruto, agressivo em
relação ao pacífico e “genuinamente” espanhol burgo oliventino, que queria
roubar (!!!) a Madrid). Em resumo: um típico processo de colonização!
CONCLUSÃO/SOLUÇÃO (?)
A Democracia em Espanha (1975) permitiu “abrandar” a pressão sobre Olivença. E,
todavia...
Todavia, não se ensinou aos oliventinos a sua verdadeira História, antes se
continuou, persistentemente, a Ensinar apenas a História de Espanha. Todavia
continuou-se a ensinar só o idioma castelhano. Mesmo quando se passou a ensinar
algum Português, foi sempre enquanto opção, mais ou menos sentimental ou
exótica, e enquanto língua estranha à região , pois não se recuperou o “falar”
tradicional alentejano que ainda e teimosamente sobrevive falado principalmente
nos meios rurais e por pessoas idosas... e muitas vezes “clandestinamente”...
Todavia... os textos sobre o problema da posse de Olivença estão só ao dispor de
alguns, longe do Ensino... e ainda assim truncados, na versão “censurada” que a
Polícia Espanhola recebia, habilmente elaborada por um pseudo historiador...
ainda que, actualmente, impressa em papel de muito boa qualidade, a patrocinada
por altas instâncias.
Pior ainda... toda esta “actuação” tem sido ajudada por Responsáveis
portugueses, democratas e de esquerda, quase sempre de boa fé, mas que , ao
caírem na armadilha de considerar a “Questão de Olivença” como um tema
salazarista, fazem coro com uma administração que não descoloniza, ainda que se
diga democrática, e coro também (mais irónico ainda!) com os velhos e novos
franquistas!
Isto perante um Estado que se reclama anti-colonialista em Gibrlatar, mas é
colonialista em Ceuta e Melilla,... e em Olivença, claro. Um Estado que agora já
aceita um plebiscito em Olivença... depois de não aceitar o resultado do
plebiscito de 1967 em Gibraltar (99% de votos a favor da Grã-Bretanha; 12.138
votos contra 44!)!
O que pode levar certos políticos e Estados a considerar injustos casos de
colonialismo como os de Gibraltar, Malvinas, Timor-Leste, Hong-Kong, Curdistão,
Tibet... e justos casos de colonialismo em Olivença, Ceuta e Melilla, Chipre...
?
Como pode um Estado (o Português!) manter um litígio, que se prolonga desde
1815, sem nunca o considerar prioridade? Como pode ao mesmo tempo protestar... e
pactuar? Como pode aceitar uma solução mediante “aceitação de facto consumado”
ao pé da porta... e negar tal tipo de “soluções” em todo o resto do mundo?
Por esta lógica (a do facto consumado...), por quanto tempo terá um agressor de
ocupar um território para ser “desculpado” e para ser considerada válida a
ocupação? Que diabo de Direito Internacional é este?
Por que razão, aproveitando a tão propalada democraticidade e abertura dos
regimes “civilizados” da Europa, nomeadamente da Europa Comunitária, bem como o
facto de as fronteiras não serem barreiras “físicas”, se não avança com um
projecto pacífico, por exemplo, de administração conjunta da Região Disputada,
com a generalização do Ensino da História e Língua autóctones e a salvaguarda de
privilégios adquiridos, nomeadamente no que concerne ao nível de vida,
administração conjunta durante um prazo a definir, dando-se depois resolução
final ao litígio... a exemplo do que o Estado Espanhol propôs para Gibraltar?
Irão os homens e mulheres de Esquerda continuar a defender posições
historicamente erradas, politicamente “correctas”, socialmente (?) apreciadas...
pactuando com uma situação colonial e de desrespeito pelo Direito Internacional,
ao lado, nomeadamente, de pensadores franquistas? Ou terão a coragem de, pela
primeira vez, tentarem enquadrar correctamente uma solução viável para este
diferendo?
Não bastará de hipocrisia? Ou não será verdade que “SÓ A VERDADE É
REVOLUCIONÁRIA”?
Estremoz, 14 de Janeiro de 2000
Carlos Eduardo da Cruz Luna (Prof. História)**************************************************************
Olivença portuguesa defendida na França por meio de:
http://www.portugalmania.com/saviez-vous/lesaviezvous20.htm
http://www.lusitanie.net/modules.php?name=News&new_topic=8
http://www.alquimista.net/htm/public2.htm
**************************************************************O Litígio de Olivença...Arquivo 2004 & 2003
Informação sobre Olivença noutros sítios:
Enciclopédia "Kiwi"
http://www.wikipedia.org/wiki/Portugal
http://www.odci.gov/cia/publications/factbook/geos/po.html#Issues
http://www.odci.gov/cia/publications/factbook/geos/sp.htmlPortugal e Espanha http://www.portugal-e-espanha.blogspot.com
Valadares & a Cidadehttp://www.valadaresemfoco.com/mnu792.php