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Olivença - Portugal Livre

Movimento Patriótico

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Publicado desde 12 Setembro 2001

Notícias de Olivença Setembro 2007

 

"Crer e Querer para Vencer"

1. - Este serviço de informação foi iniciado em 2001 (somente em inglês) para  informar melhor os leitores da "Rede" em todo o mundo através de notícias actuais e eventos históricos, sobre os territórios de Olivença e Juromenha (margem esquerda) do Odiana (Guadiana).
2. - Contrapor as mentiras e arrogância de Espanha sobre o litígio desde 1801.
3. - Desmascarar o encobrimento espanhol e falência de cumprir as suas obrigações internacionais.
4. - Mostrar como as "boas relações" espanholas com Portugal são de facto hipócritas e falsas, sendo na verdade motivadas por intenções imperialistas já antigas.
5. - Ver como Portugal tem tentado superar a realidade da sua contínua humilhação.
6. - Envergonhar os líderes ilusórios e cobardes de Portugal, para reagir a Madrid e tomar acções positivas para recuperar os territórios de Olivença e Juromenha, e fazer o "reino espanhol" respeitar a integridade territorial de Portugal.

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710 Anos do Aniversário do Tratado de Alcanizes (1297-2007) 

Latest News últimas Notícias http://www.youtube.com/watch?v=B1exk6jpal0

 

25 de Setembro de 2007

Espanha obrigada a explicar voos rasantes nas Selvagens

O Ministério dos Negócios Estrangeiros pediu explicações à embaixada espanhola sobre um voo ilegal realizado a 15 de Junho deste
Um dos últimos incidentes relacionados com a soberania das Ilhas Selvagens, provocou um choque diplomático, entre Portugal e Espanha, e obrigou a embaixada espanhola a prestar esclarecimentos. Em causa está um voo rasante sobre as Ilhas Selvagens, noticiado pelo DIÁRIO na edição de 17 de Junho deste ano. Inicialmente a Marinha e o Governo Regional chegaram a minimizar a situação, mas o caso não passou em claro em Lisboa.

Em resposta a um pedido de esclarecimentos, apresentado pelo deputado Pedro Quartim Graça (Partido da Terra), o Ministério dos Negócios Estrangeiros enumerou as diligências efectuadas.

O MNE foi informado pelo Ministério da Defesa da ocorrência de um voo a baixa altitude, sobre as ilhas, realizado no dia 15 de Junho deste ano. O avião foi detectado pelos meios de vigilância do Parque Natural da Madeira que comunicou o facto ao Comando da Zona Marítima.

O Palácio das Necessidades convocou de imediato um representante da embaixada espanhola em Lisboa para prestar esclarecimentos. Ao diplomata terá sido transmitido que esta questão colocava, desde logo, um problema de princípio, uma vez que Portugal não admite o sobrevoo do seu território sem autorização.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros também alertou para as repercussões negativas na opinião pública, uma vez que há todo um histórico de episódios idênticos registados em anos anteriores. O MNE manifestou estranheza pelo sucedido, uma vez que considerava esta questão ultrapassada.

O representante de Madrid confirmou haver instruções claras para serem evitados este tipo de sobrevoos nas Ilhas Selvagens, tal como outro tipo de incidentes verificados no passado. A embaixada comprometeu-se a investigar o caso. No entanto, as autoridades militares espanholas garantiram não ter registos do voo em causa.

O incidente ocorreu num período sensível para a Reserva das Selvagens uma vez que cerca de 60 mil aves estavam a nidificar.

Os incidentes na Selvagens têm registado alguma regularidade, inicialmente devido às pretensões espanholas em relação à soberania do território. Mais recentemente, têm sido os pescadores de Tenerife a provocar situações complicadas que já obrigaram ao arresto de embarcações.

Jorge Freitas Sousa

http://www.dnoticias.pt/Default.aspx?id=040102

O JumentoGraças a um amigo da Madeira acedi a uma notícia do Diário de Notícias do Funchal que dá conta da realização de voos rasantes nas Ilhas Selvagens por parte ...

 

 ALGUMAS DÚVIDAS SOBRE A ANUNCIADA RECONSTRUÇÃO DA PONTE DA AJUDA (OLIVENÇA-ELVAS)
Noticiou alguma imprensa, a 19 de Setembro de 2007, que a velha Ponte manuelina da Ajuda, entre Elvas e Olivença, ia ser finalmente restaurada, com um projecto espanhol aprovado pelo IPPAR (português, claro).
Sabe-se que tal projecto tem provocado inúmeras polémicas e sofrido inúmeros atrasos. Sabe-se que o Estado Português continua a não reconhecer como legal a soberania espanhola sobre o território histórico de Olivença. Sabe-se que inúmeros subterfúgios têm sido usados para tornear este problema, nomeadamente na Convenção de Albufeira,em 12 de Janeiro de 2000, onde ficou escrito:"A construção e manutenção de Pontes de interesse comum para serviço ferroviário, rodoviário, e pedonal, bem como das respectivas acessibilidades,...não modificam a linha de fronteiras entre os dois países." Numa contestação judicial oficial(13 de Setembro de 2003), o Estado Português não hesita em reafirmar, sem equívocos, que mantém a sua posição de não reconhecimento da soberania espanhola sobre Olivença ( citando: "O Estado Português tem-se recusado a definir os limites fronteiriços entre Portugal e Espanha no troço que medeia a foz do Rio Caia à foz da Ribeira de Cuncos(...).(...) de forma a afastar a interpretação jurídica (...) se cedia na soberania sobre o território Oliventino, respectivos monumentos e demais património.").Nessa mesma contestação entre inúmeras considerações, afirma-se que "o Reino de Espanha se coloca em posição de fragilidade, porquanto se obriga a submeter, como já submeteu, o seu projecto, à apreciação do IPPAR."
Não se pode esquecer que Portugal, neste ponto, não pode ser "negligente", porque a posse da bacia do Guadiana e das águas do Alqueva têm uma relação importante com o problema de Olivença.
Agora afirma-se que nos últimos meses foram dados passos decisivos para ultrapassar esta situação, tendo o IPPAR aprovado o projecto definitivo da obra no final de 2006. Como se não bastasse, o governo espanhol incluiu nos Objectivos Gerais do Estado para 2007 uma verba de 750 000 euros destinada à reconstrução da ponte. A este montante junta-se um financiamento de 215 000 euros que serviu para pagar o projecto.
Existe, todavia, uma declaração do IPPAR, de Janeiro de 2007, em que, respondendo à questão de saber se haveria alguma autorização daquela instituição para recomeçar as obras na velha ponte, como se afirmava no Boletim Municipal de Olivença, e visto se encontrarem técnicos a fazer medições na mesma em Janeiro de 2007, se afirma textualmente: "para além do que se refere ao levantamento arquitectónico, esta [declaração de autorização] não tem qualquer fundamento objectivo uma vez que não existe actualmente em apreciação nos serviços do IPPAR qualquer projecto de intervenção ou recuperação para o referido monumento".
Uma dúvida subsiste: se o IPPAR autorizou o avanço da obra em 2006, se houve então um acordo, como pode afirmar, em 2007, que não há nenhum projecto de recuperação?
Estas são dúvidas que urge ver esclarecidas. Esperemos, atentos, o desenrolar dos acontecimentos... e os resultados de diligências, nomeadamente por parte dos jornalistas, que entretanto surgirão.
Estremoz, 19 de Setembro de 2007
Carlos Eduardo da Cruz Luna
(TEXTO INTEGRAL)


PERSISTEM DÚVIDAS SOBRE APROVAÇÃO DO IPPAR
Obras na Ponte da
Ajuda vão recomeçar
www.noticiasalentejo.pt - na.diario.pdf@gmail.com

 


Jornal "PÚBLICO", 19 de Setembro de 2007

PATRIMÓNIO: MONUMENTO MANUELINO VAI SER RECONSTRUDO 300 ANOS DEPOIS DA DESTRUIÇÃO
(Enorme fotografia da velha ponte, com a legenda:"A velha Ponte da
Ajuda tinha 19 arcos e um tabuleiro com quatro centenas de metros de
extensão")
OBRAS DA PONTE DA AJUDA VÃO SER RETOMADAS
-SUSPENSAS EM 2003 POR RAZÕES PATRIMONIAIS E AMBIENTAIS, AS OBRAS NA PONTE MANUELINA QUE LIGAVA ELVAS A OLIVENÇA E FOI DESTRUÍDA PELOS ESPANHÓIS EM 1709 JÁ TÊM LUZ VERDE DO IPPAR
Carlos Dias

As autoridades espanholas vão retomar em breve as obras de
recuperação da Ponte de Nossa Senhora da Ajuda, destruída pelo
exército castelhano em 1709, dando sequência ao acordo celebrado em
2000 pelos governos de Portugal e Espanha.
A reconstrução do monumento manuelino foi iniciada em 2003, mas
foi suspensa pouco depois, na sequência de uma providência cautelar
interposta pelo Grupo dos Amigos de Olivença (GAO). Na origem da
decisão judicial esteve, entre outras, a utilização de materiais
considerados impróprios para um monumento classificado. António
Marques, dirigente do GAO, recorda que o Ministério do Fomento
espanhol estava a utilizar betão nos trabalhos de restauro,
desrespeitando as orientações do Instituto Português do Património
Arquitectónico IPPAR).
O apárecimento na estrutura da velha ponte de uma espécie
vegetal, o "narcissus cavanillessii", que se encontra protegido por
normas internacionais, por se encontrar em perigo de extinção, foi
outro dos factores que determinaram o embargo judicial que ainda
hoje se mantém.
Nos últimos meses, porém, foram dados passos decisivos para
ultrapassar esta situação, tendo o IPPAR aprovado o projecto
definitivo da obra no final de 2006. Por outro lado, o governo
espanhol incluiu nos Objectivos Gerais do Estado para 2007 uma verba
de 750 000 euros destinada à reconstrução da ponte. A este montante
junta-se um financiamento de 215 000 euros que serviu para pagar o
projecto.
António Marques diz ter a garantia das autoridades portuguesas
de que as obras a cargo do Ministério do Fomento espanhol não vão
mexer nas«delimitações fronteiriças», nem «colocar em causa a
soberania portuguesa sobre Olivença».
No acordo celebrado entre os dois países em 2000 ficou assente
que competia a Portugal a construção, no local, de uma nova Ponte
sobre o Rio Guadiana, que foi inaugurada a 11 de Novembro de 2000,
poucas centenas de metros acima do monumento manuelino. Esta obra
veio restabelecer a ligação viária entre Elvas e Olivença,
interrompida em 1709, permitindo reduzir para menos de metade a
distância entre as duas cidades.

TRAVESSIA PARA PEÕES

Se não se registarem mais contratempos poderá ficar brevemente
concluído o processo iniciado em 1990 na Cimeira Ibérica então
realizada na cidade do Porto. Nessa altura, o então Primeiro-
Ministro Cavaco Silva assinou com o seu homólogo de Espanha um
convénio para a reconstrução da Ponte de Nossa Senhora da Ajuda ou
Ponte de Olivença, uma obra que ficaria a cargo dos dois países
ibéricos.
O primeiro contratempo surgiu em Março de 1994, quando o
Ministério dos Negócios Estrangeiros, à época dirigido por Durão
Barroso, travou a reconstrução da Ponte pelos dois países, por
considerar que essa solução poderia implicar o reconhecimento do
Guadiana como sendo, naquele local, a linha de fronteira entre
Portugal e Espanha - coisa que o Estado português nunca aceitou.
Já em 2000 foi estabelecido um novo acordo que atribuía às
autoridades portuguesas a responsabilidade da construção da nova
ponte rodoviária, que já está em funcionamento, e às espanholas o
encargo de reconstruir a Ponte Manuelina - por razões históricas e
patrimoniais -, apenas para circulação de peões.
É esse acordo que parece estar agora em vias de se concretizar,
uma vez ultrapassados os novos precalços que, mais uma vez,
evidenciaram a animosidade que a questão de Olivença continua a
suscitar entre os dois países ibéricos.

OS CUSTOS DA OBRA

19 arcos, um torreão a meio, e um tabuleiro com 450 metros de
comprimento era a antiga estrutura da ponte mandada construir por D.
Manuel I entre o final do século XV e o princípio do século XVI.

1709 é a data da destruição da estrutura fortificada que ligava Elvas a
Olivença.

750 000 euros é o valor previsto do investimento para a obra de reconstrução da ponte manuelina, ao qual terão ainda que se juntar 215 mil euros para pagar o projecto.
 

 Boletín Informativo Municipal de Olivenza/Octubre-Noviembre-Dieciembre-2006
PUENTE AJUDA SERÁ RECONSTRUIDO ESTE AÑO

(fotografia da velha Ponte da Ajuda)
El viejo Puente de Ajuda será finalmente reconstruido en el 2007. El Ministerio de la Vivienda, que dirige M.ª Antonia Trujillo, tiene previsto invertir 5,7 millones de euros en diversas actuaciones para la salvaguardia del patrimonio EXTREMEÑO*. De esa cantidad, 750 000 ¤ (cási 125 millones de Pts.) se destinan a la tan anunciada reconstrución del histórico puente.
LAS DISCUSIONES ENTRE LOS TÉCNICOS PORTUGUESES Y ESPAÑOLES PARA fijar el proyecto definitivo han sido largas, en parte por la presencia en la zona de una especie endémica que era preciso proteger: el "Narcisus Humilis". PERO FINALMENTE SE HA PODIDO LLEGAR A UN ACUERDO SATISFACTORIO PARA AMBAS PARTES.
El Alcalde de Olivenza ha declarado publicamente que el Puente, destruído como se sabe en 1709, volverá con toda seguridad a ser transitable sólo para peatones antes de que acabe el año.
Una empresa OLIVENTINA (ATIC SA) será precisamente la que lleve a cabo EL LEVANTAMIENTO TOPOGRÁFICO PREVIO DEL PUENTE Y SUS ALREDEDORES.
 

*erro grossseiro. Na sua total integridade a Ponte Nossa Senhora da Ajuda, sendo Património Arquitectónico  Português. Liga as duas margens do rio Odiana (Guadiana), que ficaram reconhecidas pela Espanha já em 1952 como portuguesas no encontro da Comissão de Limites entre os dois países.

 

 

 

Domingo, Setembro 16, 2007

Olivença - Boa Oportunidade para Exigir a sua Devolução

Estão expostos na Assembleia da República os originais vários tratados celebrados por Portugal.

O de Alcanises - de 12 de Setembro de 1297 e celerado no Reinado de D. Dinis - que definiu as nossas fronteitas com Espanha; o de Windsor , que é um tratado de aliança com Inglaterra; o de Tordesilhas, que dividiu as zonas de influências e descobrimentos entre Portugal e Espanha e os tratados de adesão à agora designada União Europeia.

A Assembleia da República não pode fechar os olhos a uma realidade: Para as fronteiras definidas pelo Tratado de Alcanises estarem correctas ,falta Olivença e seu Termo, que desde 1801 está nas mãos de Espanha.Ilegalmente.

Desde 1815 que Espanha está obrigada internacionalmente a devolver a Portugal a soberania sobre Olivença e seu termo, na sequência da derrota de Napoleão.

Portugal não pode fingir que nada se passa.

É tempo , e é esta uma boa oportunidade para Portugal , de exigir a devolução.

Como Espanha exige do Reino Unido a devolução da soberania sobre Gibraltar.

É bom recordar que Portugal cumpriu o Tratado que obrigou a devolver a Espanha várias terras conquistadas por Portugal a Espanha , e devolver à França a Guiana Francesa, que os portugueses conquistaram a Napoleão ,depois da primeira invasão francesa.

Falta Espanha cumprir.

E falta Portugal exigir a devolução, sem tibiezas nem medos e muito menos. É tempo de acabarem as manobras de bastidores da maçonaria ,que tem sido o grande entrave a uma posição firme de Portugal.

José Maria Martins

 

 

Mapa de Portugal de Jure 1801

12 de Setembro de 2007
VIRIATO SOROMENHO MARQUES, PROFESSOR CATEDRÁTICO
«Deixar a Espanha dirigir o combate à ETA em Portugal poderá expor-nos a riscos desnecessários»
(...)
"FALTA DE SENTIDO DE ESTADO"
P-As estratégias contra o terrorismo têm fracassado?
VSM-Quando existe capacidade de compreender as diferenças, as causas e os enquadramentos sistemáticos, podem ocorrer sucessos. Tal é, sem dúvida, o caso da Irlanda (IRA), e em certa medida da própria Espanha (ETA), embora a situação se tenha agravado recentemente.
P-E falando especificamente de Portugal e das alegadas ligações de células da ETA no nosso país, qual o verdadeiro risco que pode representar a presença de "eterras" em território português?
VSM-A existência de estruturas recuadas da ETA em Portugal, identicamente ao que ocorreu em França, é uma possibilidade, mas está ainda por demonstrar. Apesar de Portugal e a Espanha serem dois países da União Europeia, há que ser claro no facto de que as questões de polícia e segurança interna continuarem a ser uma clara reserva de soberania («o terceiro pilar» da construção europeia é ainda, em grande medida, uma fantasia facultativa).
A ETA é um problema espanhol, e não um problema português. As reuniões entre polícias, a haver, deverão realizar-se em Espanha, e não em Portugal. É a Espanha que precisa da nossa cooperação, e não o contrário. A investigação em território nacional deverá ser feita e conduzida por agentes portugueses.
P-O que não tem acontecido?
VSM-O que tem transparecido na imprensa, a ser verdade, revela falta de sentido de Estado e uma completa ausência de bom senso. Já basta o modo disparatado como está a ser gerido o «caso Maddie», onde não é só a polícia britânica, mas dois pais irresponsáveis, e a imprensa sensacionalista inglesa que parecem estar a conduzir a investigação, omo se o Algarve fosse Gibraltar. Deixar a Espanha dirigir o combate à ETA em Portugal não só não iria ajudar a resolver o problema do País Basco e de Madrid, como poderia expor Portugal a riscos desnecessários.
"O DIABO", 11 de Setembro de 2007
 

O PENSADOR EDUARDO LOURENÇO E A IBÉRIA DE SARAMAGO
11-09-2007
"TODA A HISTÓRIA CONTRARIA A HIPÓTESE POSTA POR SARAMAGO"
«Portugal é o espaço histórico e político mais exemplar da Península Ibérica. O que seria mais interessante era que a Ibéria se potugalizasse. Saramago tem uma visão ficcionista da questão»
(...)
R-Portugal está hoje melhor ou pior?
Eduardo Lourenço-Actualmente temos um Portugal que não é muito diferente daquilo que as pessoas imaginam que era: um Portugal que escrevia um pouco em francês. Hoje escreve em inglês. Ou melhor, em americano.
P-Saramgo defendeu recentemente a criação de uma União Ibérica - a Ibéria - e disse que Portugal caminha para a integração em Espanha. Subscreve esta «ideia absurda» como lhe chamou o Presidente Cavaco Silva?
Eduardo Lourenço-Podia ser uma questão a tratar com algum interesse, mas a maneira tão radical como José Saramago a pôs tornou o assunto inútil de ser abordado. Saramago pode pensar que há um apetite para Portugal se iberizar mais do que já é, mas toda a História portuguesa contraria esta virtual deriva de fascínio pra Portugal se integrar em Espanha. Mas o problema não é nosso, quem tem problmas é Espanha. U problema identitário, forte e mais grave do que se possa imaginar, tem a Espanha. O QUE NÒS PODEMOS IMAGINAR É EXACTAMENTE A HIPÓTESE CONTRÁRIA DA QUE PÔS SARAMAGO.Portugal é o espaço histórico e político mais exemplar da Península Ibérica e o que põe menos problemas. O que seria mais interessante era que a Ibéria se potugalizasse. Saramago tem uma visão ficcionista da questão.
P- (...)
in "O DIABO", 11-Setembro-2007

 

 

11 de Setembro de 2007
 
    Grupo dos Amigos de Olivença
                                    11 de Setembro de 2007
800 Anos do Tratado de Alcanices

Na sequência de esclarecida política diplomática, o Rei D. Dinis assinou com
o Rei de Castela, em 12 de Setembro de 1297, o Tratado de Alcanices, pelo
qual se fixou a fronteira entre os dois Estados peninsulares, sendo
reconhecida a soberania portuguesa sobre os territórios e povoações de
Riba-Côa, Ouguela, Campo Maior e Olivença.

Os limites então estabelecidos mantiveram-se até hoje, assim se constituindo a mais antiga e estabilizada fronteira nacional da Europa.

Todavia, o Estado vizinho, que sob variadíssimos pretextos e em diversas
ocasiões questionou a existência de tais limites, ocupou a vila portuguesa
de Olivença em 1801. Situação esta que permanece, indignamente, apesar das determinações e acordos internacionais (designadamente o Tratado de Viena de 1815), apesar dos próprios compromissos assumidos pelo Estado espanhol, apesar do Direito Internacional.

Na passagem de 800 anos sobre o Tratado de Alcanices, o Grupo dos Amigos de Olivença, denuncia - como sempre o fez desde a sua fundação por Ventura Ledesma Abrantes, oliventino refugiado em Portugal, há mais de 70 anos - a ocupação daquela parcela de Portugal.

Esta associação de cidadãos que não abdicam do exercício dos seus
inalienáveis direitos de intervenção pública - continuando o testemunho de
tantos vultos que pugnaram pela portugalidade de Olivença, como Fernando
Pessoa, Hernâni Cidade, Jaime Cortesão, Queiroz Veloso, Torquato de Sousa
Soares, Humberto Delgado, Miguel Torga, Ricardo Rosa e Alberty - reclama-se, muito simplesmente, daquela que é a posição jurídico-política portuguesa, consagrada constitucionalmente: Portugal não reconhece legitimidade na ocupação de Olivença por Espanha, considerando que o território é português de jure.

Sabida a delicadeza da Questão de Olivença no relacionamento peninsular,
como ponto de fricção e causa de desconfianças e equívocos, o GAO entende
que só a assunção frontal, pública e desinibida do diferendo, colocando-o na
agenda diplomática luso-espanhola, permitirá ultrapassá-lo e resolvê-lo com
Justiça.

Todavia, desde já e como primeiros passos, as Autoridades nacionais deverão assumir e levar por diante uma política de defesa e salvaguarda da Cultura Portuguesa em Olivença, contra a qual, decerto, não serão levantadas obstruções pelo Estado espanhol.

O Grupo dos Amigos de Olivença, exorta os portugueses, detentores da
Soberania Nacional, a exigirem e sustentarem o reencontro com Olivença,
repudiando dois séculos de alheamento e dando satisfação à História, à
Cultura, ao Direito e à Moral.

Lisboa, 12-09-2007.

SI/GAO

www.olivenca.org

 

 

Olivença - Portugal Livre

12 de Setembro de 2007 - Aniversário do Tratado de Alcanizes

Feitos 6 anos a levantar a voz de apoio à retrocessão de OLIVENÇA a Portugal, denunciamos novamente:

a apatia e negligência criminosa por parte do governo português Socialista de José Sócrates

o silêncio inadmissível do Presidente da República Anibal Cavaco Silva

a intolerável hipocrisia e imperialismo por  Espanha contra outro membro e país vizinho da União Europeia, Portugal.                                                                 

Rui A M da Silva 

 

5/Set/2007

 UMA QUESTÃO DESPROPOSITADA
Em Estrasburgo, um jornalista da EFE, agência de notícias espanhola,preparou uma pergunta. Hesitou, mas não resistiu, disparando: "O que pensa o Presidente português das idéias de José Saramago, defendidas este Verão, defendendo a união ibérica,e profetizando que Portugal caminha em direcção a uma integração em Espanha?"
Cavaco Silva respondeu : «Basta conhecer a História de Portugal para saber que essa hipótese é um total absurdo».
Esta parece ser apenas uma inocente notícia. Mas não é. Não é muito correcto que um jornalista espanhol coloque um tal tipo de questões a um Presidente de um Estado Soberano, em visita de Estado, longe de Portugal ou Espanha.
Como reagiria Madrid se um jornalista português interrogasse, em França, um representante do Estado espanhol, em missão pre-definida, sobre a possibilidade de Madrid dar a independência ao País Basco, ou à Catalunha (para já não falar da Questão de Olivença...)? Imagino as reacções dos jornais espanhóis, bem como dos poderes constituídos em Madrid.
Há, em tudo isto, uma "ligeireza" assustadora, e alguma falta de respeito. Imagino que, se algum jornalista alemão perguntasse a um chefe de Estado holandês se a Holanda se iria integrar na Alemanha, choveriam protestos de indignação. Principalmente na Holanda.
Como se explica, afinal, a serenidade com que os órgãos de Imprensa encararam uma tão bizarra pergunta? Será normal colocar este tipo de questões?
Penso que não se pode deixar de manifestar alguma indignação... o tal direito que (ainda) nos resta...
Carlos Eduardo da Cruz Luna,
Estremoz, 05 de Setembro de 2007

 

5/Set/2007

«um total absurdo»

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva classificou hoje como
um «absurdo» a ideia de uma federação ibérica entre Portugal e
Espanha, defendida em Julho último pelo Nobel da Literatura José
Saramago.

«Basta conhecer a história de Portugal para dizer que essa hipótese é
um total absurdo», respondeu Aníbal Cavaco Silva a uma questão de um
jornalista da agência de notícias espanhola EFE.

O Chefe de Estado falava durante uma conferência de imprensa no
âmbito da sua visita ao Parlamento Europeu, reunido em sessão
plenária, em Estrasburgo, França, a primeira das Instituições
Europeias que visitou, seguindo ainda hoje para Bruxelas.

Saramago defendeu, em Julho numa entrevista ao Diário de Notícias, a
fusão entre Portugal e Espanha, sugerindo que daí poderia resultar um
país designado Ibéria.

O escritor de 84 anos, que reside há 14 na ilha espanhola de
Lanzarote, considera que Portugal, «com dez milhões de habitantes»,
teria «tudo a ganhar em desenvolvimento» se houvesse uma «integração
territorial, administrativa e estrutural» com Espanha.

 http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia

 

 5/Set/2007
1)EDITORIAL  DIÁRIO DE NOTÍCIAS (só SEGUNDA PARTE)
(...)
Há um mês e meio, quando o jornalista João Céu e Silva conseguiu de José Saramago a entrevista que agitou os meios políticos portugueses (e espanhóis...), o DN não emitiu qualquer opinião sobre a ideia de federação ibérica lançada pelo escritor. Deixámos que a polémica decorresse sem explicitarmos o que o jornal pensa. Nestes casos, e como o leitor entenderá, respeitámos o facto de a entrevista ter sido publicada nas nossas páginas - e acresce que José Saramago é, além de uma personalidade relevante da cultura portuguesa, um homem com história no DN, onde em tempos exerceu o cargo de director adjunto.

Hoje, a propósito da reacção do Presidente da República, Cavaco Silva, é tempo de escrever que o DN não partilha das convicções de José Saramago.

Um País é muito mais do que uma convergência de mercados e a lógica, estranhamente liberal, do Nobel escritor português faz sentido num espaço mais amplo, o da Europa, e sem perda de autonomia política. É na Europa, e não na Ibéria, em absoluto pé de igualdade com todos os outros países desta aventura comum chamada União Europeia, que Portugal deve procurar novos caminhos - e, porventura, se for considerado de interesse comum, abdicar de alguns símbolos, como já aconteceu com o caso da moeda única.

Na tal Ibéria de Saramago a lógica seria a de um País grande ter conquistado um pequeno. Esta ideia seria o rastilho para uma guerra que poderia levar à balcanização da Península Ibérica. Acabaria, com certeza, com a excelente relação entre os dois povos e ainda teria efeitos perversos sobre os conflitos existentes no interior de Espanha.

Saramago teve uma visão, mas essa visão, como diz Cavaco Silva, "é absurda".|

2)Notícia: "CAVACO SILVA PRESSIONA APROVAÇÃO DO TRATADO"(nota "em caixa")
"IBÉRIA DE SARAMAGO É UM ABSURDO"(chamada de atenção na Primeira Página)
O jornalista da EFE, agência de notícias spanhola, estava a preparar a pergunta há já algum tempo na conferência de Imprensa. sperou uma vez e outra. No fim, a adida de imprensa do presidente do PE, declarou a sessão fechada, mas uma jornalista italiana fez mais uma pergunta e, logo a seguir, o jovem disparou: o que pensa o Presidente português das idéias de José Saramago, defendidas este Verão numa entrevista ao DN. Entee outras coisas, o Prémio Nobel disse que era adepto da união ibérica, a Ibéria, e que Portugal caminha em direcção a uma integração em Espanha. Já este fim de semana, Saramago disse que se viesse a estar com Cavaco não o cumprimentaria. Perante tudo isto, Cavaco respondeu assim ao jornalista: «Basta conhecer a História de Portugal para saber que essa hipótese é um total absurdo». Ao DN, Saramago não quis comentar.

3) CARTAS (DUAS)
«IBÉRIA? A continuidade de Portugal e Espanha tem motivado, ao longo de séculos, atritos "entremeados" com relações de amizade. Acções da ETA deste lado da fronteira e a atitude do País para com Saramago são aqui evocadas»
(uma carta)Depois de se terem descoberto automóveis com matrícula portuguesa ao serviça da ETA, temos ouvido notícias sobre a possível colaboração entre os serviços secretos portugueses e espanhóis para o combate à organização basca. É da história dos povos da Ibéria que Espnha sempre os tentou subjugar a todos. É também da História da Ibéria que Portugal se tornou independente da Espanha em 1640 devido à luta que na altura se travava na Catalunha entre os espanhóis e os independentistas catalães. Se a tentativa de Espanha de tentar incluir Portugal na luta contra a ETA se consumar, será contrária a essa história e é uma intromissão na política interna basca. Portugal ajudar spanha contra a ETA é um acto contrário à nossa constituição.
Mário Pires Miguel, Reboleira
(outra carta)Muito se tem falado e escrito sobre Saramago. Nós, portugueses, somos mesquinhos e traiçoeiros. Adulamos o que importamos, muitas vezes de péssima qualidade, e desprezamos um escritor, Nobel como Saramago, que devia ser um orgulho nacional. Está no estrangeiro porque foi maltratado pelos politiqueiros portugueses que nos governam. A verdade ´que não se esqueceu de lançar o último livro, «Pequenas Memórias», na sua terra natal, a aldeia de Azinhaga. Um homem que veio de gente humilde, trabalhou no duro, lutou sem andar atrás de cunhas e não atropelou ninguèm, devia ser acarinhado e amado pelos portugueses, e é esquecido, odiado e desprezado pela maioria da população. Será por ser comunista? Ou inveja?
Maria do Amparo Martins, Trofa
 

 

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31/Ago/2007  SEMANÁRIO (Jornal),
Um Exército de Libertação Português...
por Paulo Gaião

Os portugueses são muito mais sensíveis à questão
da ETA, talvez porque se imaginam facilmente na pele dos bascos caso Portugal tivesse perdido a independência em 1580, do que à invasão económica dos "nuestros hermanos".

Se em 1580 a Espanha tivesse tido uma vontade profunda e uma estratégia bem delineada para ficar com Portugal, hoje certamente que não estaríamos aqui. Talvez tivesse bastado um êxodo de população, com centenas de milhares de portugueses transferidos para o norte de Espanha, bem longe das fronteiras lusas, talvez, por ironia, o País Basco e Navarra, com a consequente ocupação de Portugal por gentes castelhanas, incentivadas com vários benefícios monetários a fazê-lo, procriando rapidamente, para que Portugal tivesse mesmo deixado de existir.
Hoje, cinco séculos depois, a história do Estado português daria, porventura, direito a um pequeno capítulo dos programas escolares impostos por Madrid e pela comunidade autónoma Portucalense, seríamos todos espanhóis, talvez vívessemos melhor face às sinergias da Ibéria mas também teríamos, certamente, enfrentado muito mais guerras porque o poder de Madrid teria sido mais cobiçado.
Contudo, apesar do peso esmagador dos castelhanos e do seu pensamento dominante na província portucalense, teria sido quase inevitável que tivesse sobrado um punhado de portugueses, escapando miraculosamente ao êxodo de 1580, que geração, após geração, na penumbra e no medo, tivesse mantido acesa a chama do país que fomos, das nossas memórias, do nosso Afonso Henriques que lutou contra a própria mãe para fundar Portugal e afastá-lo das mãos leonesas, do nosso D. João I, com a coragem de trespassar o conde de Andeiro e "comprar" uma guerra de desfecho complicado com Castela, do nosso prior do Crato, que podia ter vivido no fausto e na riqueza mas preferiu enfrentar Filipe II, lutando contra a perda de independência. Dos nossos gloriosos Infante D. Henrique e D. João II, certamente esquecidos por Madrid, de forma a engrandecer mais os reis católicos e, claro, o nosso Camões, premonitoriamente falecido quando as tropas do duque de Alba entravam em Portugal, também ele ostraciza
do, de forma a engrandecer Miguel de Cervantes e não alimentar, através da língua portuguesa, qualquer ligação com o passado.
Apesar da dominância e repressão castelhanas, teria sido também quase inevitável que surgisse nas gerações mais novas, habituadas a ouvir os seus avoengos contarem as histórias dos heróis portugueses, uma semente de revolta, e que essa semente de revolta germinasse, na forma de uma qualquer organização, por exemplo um Exército de Libertação Português...
Tudo isto para lembrar que, sem prejuízo da condenação formal do terrorismo, é preciso lembrar as especificidades portuguesas quando se lida com o Estado espanhol e a ETA, como aconteceu esta semana nos encontros luso-espanhóis. Já se percebeu, também, que os portugueses são muito mais sensíveis à questão que tem a ver com a ETA e ao que ela implica, talvez porque conseguem imaginar-se na pele dos bascos se a história portuguesa tem sido diferente, do que à invasão económica dos "nuestros hermanos" ou às declarações mais ou menos inconsequentes de Mário Lino, de que na Península Ibérica se fala a mesma língua, ou de José Saramago, que põe a hipótese de um dia Portugal se integrar na Espanha.

Ainda o "Verde Eufémia"

Os miúdos do "Verde Eufémia" continuaram a levar pancada de todo o lado durante mais uns dias. Tratados como fascistas, nazistas, verdugos. Num país pindérico e provinciano, o país da Europa onde se mata mais por causa da disputa de terrenos e galinhas, o país da Europa com gente mais desqualificada e de vistas mais curtas mas onde há mais segundas residências, a propriedade privada é absolutamente sagrada. Os "Verde Eufémia", muitos deles estrangeiros, certamente habituados a serem uma espécie de animadores para quebrar a monotonia dos nórdicos sobre o que hão-de fazer com o excesso dinheiro, actuando em muitas cimeiras dos ricos por esse mundo fora, devem ter levado que contar de Portugal. Não é só a questão de Portugal ser o país com mais assimetrias da Europa, onde se assistem aos maiores desmandos e às maiores arbitrariedades mas onde ninguém é capaz de partir um prato, engolindo e calando. É a questão de o país ser de brandos costumes para umas coisas, onde era preciso
reagir com sangue na guelra, mas ser mesquinhamente trauliteiro para coisas menores. Como aconteceu precisamente com o ataque ao campo de milho transgénico, gritando acudam, acudam, à primeira maçaroca pisada. Coisas de gente pobre e bisonha. Era bom que a sanha contra os "Verde Eufémia" estivesse, ao menos, alicerçada em razões ideológicas, era sinal de que o país podia não estar mais arejado mas tinha andado a trabalhar os neurónios nas últimas décadas. Infelizmente, quase tudo o que está por detrás da defesa acérrima do milho, se liga ao mais recôndito da mente portuguesa, cioso das suas árvores de fruto, das suas galinhas, dos seus marcos no terreno, vivendo para eles cada dia e tendo uma profunda desconfiança por tudo o que é novo. Quinhentos anos depois de Camões ter escrito os Lusíadas, continua a haver um bocado do Velho do Restelo em cada um de nós.
Em 1975, o gonçalvismo acabou por acentuar a existência deste mandamento religioso ao direito à propriedade. Os comunistas estavam convencidos que o povo estava tão mudado que não só gritava pelas ocupações e pelas nacionalizações mas que também era capaz de votar legalmente no PCP, dando 40 ou 50 por centos de votos aos comunistas nas primeiras eleições para a Constituinte. Quando se fez prova de que o PC era um tigre de papel, os portugueses ainda se tornaram mais fundamentalistas na defesa do direito à propriedade e, de caminho, de tudo o que mexesse que tivesse a marca da conservação de costumes. Foi como se à mentalidade conservadora se juntasse um clique político. Em quase quarenta anos de democracia impressiona que os portugueses nunca tenham reagido intempestivamente contra a forma como foram muitas vezes tratados, por governos, empresas, instituições, estando em causa a violação ou discriminação de direitos. Como impressiona que um dos países mais centralistas da Eu
ropa tenha rejeitado a regionalização em referendo, com partes de Portugal a viverem hoje totalmente asfixiadas pelo poder de Lisboa.
PS. Pôr um grupo de tchetchenos como suspeitos do assassinato de Anna Politvskaia, como fez a PGR russa, é digno dos melhores argumentos da comédia negra.

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1.2. SEMANÁRIO (Jornal), 31-Agosto-2007 (opinião interessante, em b
Enviado por: "carlosluna@iol.pt" carlosluna@iol.pt comiteluna
Sex, 31 de Ago de 2007 10:15 am
SEMANÁRIO (Jornal), 31-Agosto-2007 (opinião interessante, em bora discutível, contra o Iberismo)
Um Exército de Libertação Português...
por Paulo Gaião
2007-08-30 23:26

Os portugueses são muito mais sensíveis à questão
da ETA, talvez porque se imaginam facilmente na pele dos bascos caso Portugal tivesse perdido a independência em 1580, do que à invasão económica dos "nuestros hermanos".

Se em 1580 a Espanha tivesse tido uma vontade profunda e uma estratégia bem delineada para ficar com Portugal, hoje certamente que não estaríamos aqui. Talvez tivesse bastado um êxodo de população, com centenas de milhares de portugueses transferidos para o norte de Espanha, bem longe das fronteiras lusas, talvez, por ironia, o País Basco e Navarra, com a consequente ocupação de Portugal por gentes castelhanas, incentivadas com vários benefícios monetários a fazê-lo, procriando rapidamente, para que Portugal tivesse mesmo deixado de existir.
Hoje, cinco séculos depois, a história do Estado português daria, porventura, direito a um pequeno capítulo dos programas escolares impostos por Madrid e pela comunidade autónoma Portucalense, seríamos todos espanhóis, talvez vívessemos melhor face às sinergias da Ibéria mas também teríamos, certamente, enfrentado muito mais guerras porque o poder de Madrid teria sido mais cobiçado.
Contudo, apesar do peso esmagador dos castelhanos e do seu pensamento dominante na província portucalense, teria sido quase inevitável que tivesse sobrado um punhado de portugueses, escapando miraculosamente ao êxodo de 1580, que geração, após geração, na penumbra e no medo, tivesse mantido acesa a chama do país que fomos, das nossas memórias, do nosso Afonso Henriques que lutou contra a própria mãe para fundar Portugal e afastá-lo das mãos leonesas, do nosso D. João I, com a coragem de trespassar o conde de Andeiro e "comprar" uma guerra de desfecho complicado com Castela, do nosso prior do Crato, que podia ter vivido no fausto e na riqueza mas preferiu enfrentar Filipe II, lutando contra a perda de independência. Dos nossos gloriosos Infante D. Henrique e D. João II, certamente esquecidos por Madrid, de forma a engrandecer mais os reis católicos e, claro, o nosso Camões, premonitoriamente falecido quando as tropas do duque de Alba entravam em Portugal, também ele ostraciza

do, de forma a engrandecer Miguel de Cervantes e não alimentar, através da língua portuguesa, qualquer ligação com o passado.
Apesar da dominância e repressão castelhanas, teria sido também quase inevitável que surgisse nas gerações mais novas, habituadas a ouvir os seus avoengos contarem as histórias dos heróis portugueses, uma semente de revolta, e que essa semente de revolta germinasse, na forma de uma qualquer organização, por exemplo um Exército de Libertação Português...
Tudo isto para lembrar que, sem prejuízo da condenação formal do terrorismo, é preciso lembrar as especificidades portuguesas quando se lida com o Estado espanhol e a ETA, como aconteceu esta semana nos encontros luso-espanhóis. Já se percebeu, também, que os portugueses são muito mais sensíveis à questão que tem a ver com a ETA e ao que ela implica, talvez porque conseguem imaginar-se na pele dos bascos se a história portuguesa tem sido diferente, do que à invasão económica dos "nuestros hermanos" ou às declarações mais ou menos inconsequentes de Mário Lino, de que na Península Ibérica se fala a mesma língua, ou de José Saramago, que põe a hipótese de um dia Portugal se integrar na Espanha.

Ainda o "Verde Eufémia"

Os miúdos do "Verde Eufémia" continuaram a levar pancada de todo o lado durante mais uns dias. Tratados como fascistas, nazistas, verdugos. Num país pindérico e provinciano, o país da Europa onde se mata mais por causa da disputa de terrenos e galinhas, o país da Europa com gente mais desqualificada e de vistas mais curtas mas onde há mais segundas residências, a propriedade privada é absolutamente sagrada. Os "Verde Eufémia", muitos deles estrangeiros, certamente habituados a serem uma espécie de animadores para quebrar a monotonia dos nórdicos sobre o que hão-de fazer com o excesso dinheiro, actuando em muitas cimeiras dos ricos por esse mundo fora, devem ter levado que contar de Portugal. Não é só a questão de Portugal ser o país com mais assimetrias da Europa, onde se assistem aos maiores desmandos e às maiores arbitrariedades mas onde ninguém é capaz de partir um prato, engolindo e calando. É a questão de o país ser de brandos costumes para umas coisas, onde era preciso

reagir com sangue na guelra, mas ser mesquinhamente trauliteiro para coisas menores. Como aconteceu precisamente com o ataque ao campo de milho transgénico, gritando acudam, acudam, à primeira maçaroca pisada. Coisas de gente pobre e bisonha. Era bom que a sanha contra os "Verde Eufémia" estivesse, ao menos, alicerçada em razões ideológicas, era sinal de que o país podia não estar mais arejado mas tinha andado a trabalhar os neurónios nas últimas décadas. Infelizmente, quase tudo o que está por detrás da defesa acérrima do milho, se liga ao mais recôndito da mente portuguesa, cioso das suas árvores de fruto, das suas galinhas, dos seus marcos no terreno, vivendo para eles cada dia e tendo uma profunda desconfiança por tudo o que é novo. Quinhentos anos depois de Camões ter escrito os Lusíadas, continua a haver um bocado do Velho do Restelo em cada um de nós.
Em 1975, o gonçalvismo acabou por acentuar a existência deste mandamento religioso ao direito à propriedade. Os comunistas estavam convencidos que o povo estava tão mudado que não só gritava pelas ocupações e pelas nacionalizações mas que também era capaz de votar legalmente no PCP, dando 40 ou 50 por centos de votos aos comunistas nas primeiras eleições para a Constituinte. Quando se fez prova de que o PC era um tigre de papel, os portugueses ainda se tornaram mais fundamentalistas na defesa do direito à propriedade e, de caminho, de tudo o que mexesse que tivesse a marca da conservação de costumes. Foi como se à mentalidade conservadora se juntasse um clique político. Em quase quarenta anos de democracia impressiona que os portugueses nunca tenham reagido intempestivamente contra a forma como foram muitas vezes tratados, por governos, empresas, instituições, estando em causa a violação ou discriminação de direitos. Como impressiona que um dos países mais centralistas da Eu
ropa tenha rejeitado a regionalização em referendo, com partes de Portugal a viverem hoje totalmente asfixiadas pelo poder de Lisboa.
PS. Pôr um grupo de tchetchenos como suspeitos do assassinato de Anna Politvskaia, como fez a PGR russa, é digno dos melhores argumentos da comédia negra.

 

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