![]() |
![]()
"Crer e Querer para Vencer"
Links/Ligações:
Grupo dos Amigos de Olivença"Crer e Querer para Vencer"
Forum Olivença
Manifesto Portugal
OlivencaOnline
Informação Olivença
Campanha por Olivença
ImigrantesO Afundar-se do Navio Tanque-Fueolio Prestige MV
![]()
26/Dez/2002 - Reis Lima Quarteu, (Diário Digital-Cartas Digitais, 24/Dez/2002)
O Caso "Prestige"
Nos últimos dias, tivemos a oportunidade de comprovar o "grande" respeito que o governo espanhol tem pelo nosso país, e de testemunhar o quanto eles (os membros do governo espanhol) gostam de contar a verdade aos seus cidadãos e às pessoas de todo o mundo. Estou a falar, como deverão imaginar, do caso do petroleiro "Prestige".
É necessário ser-se completamente desenvergonhado para despudoradamente tentar enviar o navio a derramar fuel para as nossas águas!!! Para a nossa sorte, ainda bem que, apesar de todo o silêncio e de todo o cuidado com que as nossas autoridades oficiais abordavam o assunto (as "falinhas mansas" politicamente correctas), o Governo Português decidiu, em boa hora, enviar para o limite norte da nossa Zona Económica Exclusiva unidades da Armada para impedir a entrada do navio nas nossas águas territoriais.
Durante os primeiros dias da catástrofe, muitos portugueses tiveram a oportunidade de conhecer o representante do governo de Madrid na Galiza, cargo semelhante ao Ministro da República existentes na Madeira e nos Açores, Sr. De la Mesa.
Essa personagem apenas fala castelhano, o que demonstra à saciedade a total falta de respeito que esse senhor nutre pela língua da região que diz representar e respeitar! Para muitos ingénuos que vão existindo em Portugal, aqui está mais um bom exemplo de como a nossa língua e cultura seriam respeitadas se, por hipótese absurda, estivéssemos inseridos dentro de um mesmo estado dominado por Castela.
Mas vá lá, quando um jornalista galego fazia alguma pergunta em língua galega àquela personagem, ele lá lhe respondia, muito embora em castelhano. Quando um jornalista português lhe fazia uma pergunta, na mesma língua que os jornalistas galegos (a nossa língua galaico-portuguesa!, mas, obviamente, com outro sotaque), o senhor De la Mesa "armava-se aos cucos", punha-se "em bicos de pé", e respondia-lhe: "No le entiendo!".
Como se nós falássemos chinês ou alguma outra língua parecida, sem uma mesma origem latina comum! Como se um "digníssimo" representante do "Reino de España" tivesse que descer tão baixo ao ponto de ter de compreender uma língua falada pelo povo que habita um pequeno e atrasado país ali ao lado de Espanha.
Essa atitude do Sr. De la Mesa mereceu e continua a merecer o mais vivo repúdio em variadíssimos estratos sociais de toda a Galiza. O directo que a RTP1 fez durante o Jornal de Tarde de dia 24 de Novembro deste ano, domingo, a partir de uma praia contaminada nos arredores da Corunha, é uma prova disso.
Para as autoridades espanholas, não havia nenhuma maré negra nas costas galegas:então, para que enviar meios de combate à poluição? Portanto, aquelas pessoas que andavam naquela praia fria, num domingo de manhã, a retirar fuel da areia, de modo voluntário, deveriam estar à procura de alguma coisa valiosa que alguém tivesse esquecido na areia durante as últimas férias de verão...
Uma dessas pessoas disse então à jornalista portuguesa Maria Cerqueira (à qual quero deixar as minhas sinceras felicitações pelo excelente trabalho jornalístico que executou), mais ou menos, o seguinte: "O povo galego quer pedir desculpas ao povo português pela merda que vos enviámos às vossas águas. Quero dizer, não o povo galego, mas as autoridades espanholas." Ah, e falou em língua galega! Para compreendermos o que ela disse, não foram necessárias legendas, apenas bons ouvidos e ausência de pré-conceitos.
Penso que a tragédia do Prestige pode ter um lado positivo para a ajuda que podemos dar à valorização da língua galega na Galiza. Com os diversos directos televisivos desde a Galiza, muitas pessoas certamente começaram a reparar que os do "outro lado" falam um português muito parecido ao nosso, talvez com um sotaque "espanhol".
Não seria possível que nós, portugueses, procurásseos incentivar as nossas televisões a explorar mais este tema: Afinal, que língua se fala na Galiza? O português e o galego são a mesma língua? O que o Estado Português poderia ou deveria fazer para promover o uso da língua galega na Galiza e nas outras regiões espanholas onde se fala galego-português? A defesa da nossa língua não é estratégico para o futuro desenvolvimento do nosso país? Penso que seria muito importante que as nossas televisões e outros meios de comunicação social procurassem debater esta problemática da língua galega e a sua relação com o espaço da Lusofonia.
Seria importante que nesses debates estivessem presentes políticos portugueses, galegos e espanhóis, linguistas, membros de associações cívicas, etc.... E o mais importante: o povo que fala a língua!
Esta é a minha sugestão. É preciso falar dessas coisas, para que as pessoas comecem a pressionar os nossos sucessivos governos a perderem o medo de Espanha, e começarem a defender os nossos próprios interesses, que não têm de ser iguais aos deles.
Termino por esclarecer que, na minha modesta opinião, a defesa da língua galega não tem nada a ver com reivindicações territoriais sobre o território da Galiza ou sobre outras regiões espanholas aonde ainda se fala a língua galaico-portuguesa. Defender a língua não tem nada a ver com reivindicações territoriais. Se assim fosse, ainda hoje estaríamos a reclamar de volta o Brasil, os PALOPs e Timor Loro Sae.
A única reivindicação territorial que Portugal continua a ter sobre Espanha está relacionada com o Território de Olivença, cuja ocupação pelo Estado Espanhol não é reconhecida pelo nosso país desde o início do século XIX, e cuja devolução é indispensável para que as relações entre os dois páises possam ser realmente fundadas sobre a amizade, a confiança e o respeito mútuos.
Viva a Galiza e a Língua Galego-Portuguesa! Viva Portugal!
24-12-2002 12:20:39
------------
![]()
"Viva Portugal"
Terça-feira, 26 de Novembro de 2002 - DANIEL DEUSDADO - publico
Doze dias depois do "Prestige" ter iniciado o derrame, ter vagueado sem rumo, se ter afundado e ter descarregado já mais de 10 mil toneladas de "fuel" na costa galega, o primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar, ainda não foi lá ver.
Há um local do mundo onde Portugal é um país profundamente amado e respeitado. Não, obviamente não é dentro de fronteiras. É na Galiza. Na Corunha é possível ver-se pintado nas paredes frases tão surpreendentes como "Viva Portugal".
Frases como estas parecem não passar de "fait-divers" de grupos nacionalistas até nos confrontarmos com a realidade. Com o pesadelo. Um pesadelo de esquecimento que, como escrevia Torrente Ballester no seu "El Rey Pasmado" quinhentista, tornava a Galiza na terra do nevoeiro, das bruxas e das mulheres de má fama.
Quinhentos anos depois, o comportamento do Governo de Madrid face à Galiza parece inacreditável, mesmo para nós, portugueses, já vacinados para um certo autismo centralista. Doze dias depois do "Prestige" ter iniciado o derrame, ter vagueado sem rumo, de se ter afundado e libertado mais de 10 mil toneladas de "fuel" na costa galega, o primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar, ainda não foi lá ver. Não foi dizer às suas gentes galegas, que andam a recolher "fuel" com as mãos, que se trata de uma tragédia, dando uma palavra de apoio. Pior: o seu número dois no Governo, depois de 400 quilómetros manchados, nega existir uma maré negra.
Que não haja equívocos: quando isso sucede na principal costa pesqueira de Espanha e junto ao principal porto de pesca da Europa - Vigo -, o desprezo e inércia de Madrid correm o risco de ser lidos como uma afronta.
Infelizmente, o escândalo não se fica por aqui. Só ontem o ministro das Pescas espanhol se deslocou ao local. Mais: alguns jornais espanhóis (e os seus "sites" na Internet) continuam a publicar em permanência os dados do Instituto Hidrográfico português, por não confiarem numa espécie de censura estratégica (ou pura incompetência?) das instituições científicas de Madrid.
Além destes factos, falta ver o que fazem os tribunais espanhóis ao capitão do "Prestige"; afinal, bem vistas as coisas, o homem que tentou evitar a todo o custo um derrame total - caso tivesse sido tomada a decisão difícil mas necessária de sujar uma baía, retirar o "fuel" e evitar a tragédia que acabou por acontecer nestas dimensões.
Os galegos só não se podem queixar mais porque, por detrás de toda esta embrulhada, e numa notável falta de liderança, esteve o seu presidente autonómico, Fraga Iribarne, que não influenciou as decisões essenciais e mostrou o que é o desgaste de 13 anos de poder.
"Pedimos desculpa a Portugal pela merd... que lhe íamos mandar. Mas não foi o povo galego, foram os nossos políticos. Por isso pedimos desculpa". A frase de um galego à reportagem da RTP, no domingo passado, diz tudo. É preciso dizermos também que sentimos a tragédia da Galiza como se fosse a da nossa terra.
------------
![]()
15/Nov/2002
Os Espanhois: "Falsos" e "Abusadores"?
Naviotanque "Prestige"
Panorama (Gibraltar) - 15/Nov/2003
Segundo o jornal "Panorama", o Ministério de Negócios Estrangeiros espanhol começou uma campanha que dá culpa a Gibraltar por o navio-tanque encalhar-se próximo da costa da Galiza. A Comissária do Transporte da UE, Loyola de Palácio (a irmã da Ministra espanhola dos NE, Ana Palácio) faz questão do governo inglês cumprir ou não as inspecções do naviotanque, "Prestige" quando "entrou na doca" em Gibraltar antes desta última viagem a caminho da Letónia.
Um oficial do MNE espanhol, Ramón de Miguel, que está envolvido nas negociações sobre Gibraltar "encoraja" a Comissão da UE a fazer a Grã Bretanha aplicar as normas da EU também em Gibraltar para evitar casos como este do "Prestige". Ele queixa-se que "a Espanha está a sofrer as consequencias porque a Inglaterra não tinha cumprido-las. E também ligou este problema ao conflito entre a Inglaterra e Espanha sobre Gibraltar".
O Governo de Gibraltar (4K2 de superficie) reagiu em um comunicado em que diz:
1."A tentativa do Ofício do Comissario de Transporte fazer ligar o assunto do naviotanque com Gibraltar é incrível e um abuso sério daquele ofício.
2.O naviotanque MV Prestige está registado nas Bahamas e não em Gibraltar. Só fez escala por Gibraltar uma vez, em Junho passado, mas não entrou no porto.
3. É falso dizer que faz viagens frequentemente entre Gibraltar e Letónia. Nãó é verdade também dizer que o navio ia para Gibraltar mas sim seguia para o Médio Oriente.
4.Mesmo com tudo isto fontes espanholas e um ofício de comissão da UE dirigido por uma comissária espanhola, vergonhosamente tenta colocar a culpa a Gibraltar.
"Todo o mundo deve ver isto como um exemplo das maneiras desonestas como a Espanha e seus aliados seguem para desacreditar Gibraltar por motivos políticos. O Governo de Gibraltar condena veemente este anuncio falso e irresponsável do ofício de Transporte da UE, e faz pedido para que retirem e corrigem a sua comunicação social".